CropLife Brasil apresentou no GAFFFF 2026 a campanha “O que é que só o Brasil tem?” para aproximar a fama do agro do conhecimento sobre a ciência que o sustenta
O agro brasileiro tem fama de sobra. O que falta, segundo a CropLife Brasil, é saber explicar de onde vem essa força. A entidade levou ao Global Agribusiness Festival (GAFFFF) 2026, realizado em 1º e 2 de outubro no Nubank Parque, em São Paulo, uma pesquisa que expõe esse descompasso.
O levantamento foi feito pela Nexus a pedido da própria CropLife Brasil, com 230 tomadores de decisão e formadores de opinião. O resultado serve de base para a campanha “O que é que só o Brasil tem?”, lançada para ampliar o conhecimento sobre a agricultura tropical entre governo, academia, imprensa e sociedade.
Esta é a terceira participação consecutiva da entidade no festival com uma agenda dedicada ao tema. Nesta edição, ela conecta ciência, tecnologia, inovação, sustentabilidade e ambiente regulatório em um mesmo discurso.
Reconhecimento alto, compreensão baixa
Os números da pesquisa desenham o paradoxo que move a campanha. Entre os entrevistados, 85% reconhecem o Brasil como potência agrícola mundial, e 95% o enxergam como referência em inovação e tecnologia para a agricultura.
A percepção muda quando a pergunta é conceitual. Um em cada quatro entrevistados não consegue definir espontaneamente o que é agricultura tropical. Apenas 1% associa o termo, de forma espontânea, à tecnologia.
Para a CropLife Brasil, a lacuna é a oportunidade. A entidade quer deslocar a conversa sobre o agro de uma narrativa centrada só em produção para outra que inclua também pesquisa, melhoramento genético e inovação.
O que a entidade entende por agricultura tropical
Na definição apresentada à imprensa, o conceito vai além de clima quente e terra disponível. A entidade destaca que o modelo brasileiro é fruto de décadas de acúmulo de conhecimento voltado a transformar particularidades do território em capacidade produtiva.
A CropLife Brasil também cuida para que a expressão “só o Brasil tem” não seja lida como exclusividade tecnológica. Segundo o material, a mensagem trata da combinação particular de fatores que marca a experiência brasileira, e não da ideia de que nenhum outro país tenha agricultura tropical.
Ao resumir o conceito, a entidade propõe o seguinte enquadramento:
“Agricultura Tropical é o modelo desenvolvido para produzir nas condições específicas dos trópicos, combinando ciência, pesquisa, tecnologia, inovação e manejo adaptados ao nosso clima, solo e realidade fitossanitária.”
Biotecnologia e bioinsumos no mesmo sistema
A CropLife Brasil insiste em apresentar a biotecnologia como uma das ferramentas do sistema tropical, ao lado de genética, manejo e proteção de cultivos. A entidade evita transformar a campanha em defesa de uma tecnologia isolada.
Os bioinsumos entram nessa lógica de complementaridade. O mercado do segmento foi estimado em R$ 6,2 bilhões em 2025, e o país registrou 912 produtos agrícolas no ano, entre eles 162 bioinsumos e 750 defensivos químicos.
Considerando todos os registros ativos, os produtores contam hoje com 874 opções, sendo 722 agroquímicos e 152 biológicos. Para a entidade, o ponto central está no encaixe entre as ferramentas, como explica sua posição sobre o manejo de pragas:
“A lógica é de complementaridade. Os bioinsumos integram o Manejo Integrado de Pragas e doenças, assim como outras ferramentas de proteção de cultivos.”
Regulação e propriedade intelectual no centro da pauta
O terceiro eixo da mensagem trata das condições para que a inovação chegue ao campo. A CropLife Brasil defende regras claras, segurança jurídica e decisões fundamentadas em ciência, e pede cuidado ao tratar do tema: o pleito é por rigor combinado com agilidade e previsibilidade, e não por flexibilização regulatória.
A propriedade intelectual aparece como parte desse ecossistema. A entidade argumenta que empresas, universidades e centros de pesquisa só investem em novas tecnologias quando há segurança sobre a proteção do conhecimento gerado.
Sobre o investimento de longo prazo em pesquisa, a posição da entidade é direta:
“Segurança jurídica é uma condição para estimular investimentos de longo prazo em pesquisa, novas moléculas, biotecnologia e outras soluções.”
Três painéis na programação do festival
A presença da CropLife Brasil no GAFFFF teve três momentos. Às 8h30, o painel 8A discutiu os desafios regulatórios internacionais associados à biotecnologia, com participação de Adriana Brondani, consultora da entidade.

Às 13h, o painel 13A tratou de fertilizantes, bioinsumos e biológicos, sob o tema segurança, inovação e sustentabilidade. A moderação foi de Amália Borsari, diretora de Bioinsumos da CropLife Brasil, e o debate reuniu Tainá Sipos, líder de Táticas Biológicas na Corteva Agriscience, Ricardo Tortorella, diretor-executivo da ANDA, e Vinicius Rodrigues Monteiro, COO da Agrion Fertilizantes.
O painel 15C, às 15h, levou o nome da campanha e foi moderado por Ana Repezza, presidente da CropLife Brasil. Participaram Aryeverton Fortes de Oliveira, pesquisador da Embrapa, Priscilla Nasrallah, sócia-proprietária da Lina Frutas e diretora ESG da Abrafrutas, e Andrea Claudia Parrilla, assessora da Secretaria-Executiva do Ministério da Agricultura e Pecuária.
A organização do festival estimava mais de 30 mil participantes na edição paulista, número que dá a medida do público potencial para a agenda.

