Categoria cresce 81% em litros e leva a Heineken a reforçar receita de 1873 sem milho, arroz ou aditivos
A pergunta “é puro malte?” passou a acompanhar a escolha da cerveja na gôndola, no bar e no delivery. O consumidor brasileiro quer saber o que vai no copo, e o mercado responde.
Em 2024, a categoria registrou crescimento de 81% em litros vendidos, segundo a Kantar. No mesmo período, as cervejas comuns avançaram apenas 2%.
Nesse cenário, a NielsenIQ apontou a Heineken como a cerveja puro malte mais vendida do Brasil, na versão regular. A marca, porém, afirma que o conceito não nasceu da tendência atual.
A receita que a marca diz manter desde 1873
Criada na Holanda em 1873, a Heineken afirma preservar a mesma fórmula há mais de 150 anos. A base é água, malte, lúpulo e a Levedura A, ingrediente desenvolvido pela própria marca ainda no século XIX.
Segundo a companhia, não entram milho, arroz ou aditivos. Uma cerveja puro malte, vale lembrar, é produzida exclusivamente com malte, lúpulo, levedura e água, sem cereais não maltados.
Eduardo Picarelli, diretor da unidade de negócios da Heineken no Brasil, sustenta que a escolha por ingredientes naturais antecede a onda de interesse do mercado e faz parte da identidade da marca:
“O puro malte não é uma resposta a uma tendência para a Heineken. É parte da nossa história. A escolha por uma receita baseada em ingredientes naturais e o cuidado com cada etapa do processo fazem parte de uma tradição que atravessa gerações. O nosso desafio é justamente preservar essa identidade enquanto continuamos evoluindo a operação.”
Levedura exclusiva e fermentação em tanques horizontais
Para o consumidor, a companhia associa essa composição a um sabor mais intenso e autêntico, aromas mais ricos e espuma mais estável. Essa estabilidade, segundo a marca, contribui para a sensação de cremosidade.
O diferencial, contudo, não está só na lista de ingredientes. A Heineken utiliza tanques horizontais na fermentação, que oferecem maior área de superfície para a atuação da levedura e, segundo a empresa, ajudam a formar o sabor e a consistência da bebida.
Sobre o papel da Levedura A, Picarelli explica que ela vai além da função de ingrediente e exige atenção redobrada ao processo:
“A levedura é uma parte fundamental da identidade da Heineken. Ela não é simplesmente mais um ingrediente: participa diretamente da construção das características que buscamos preservar. Por isso, controlar as condições de fermentação é tão importante quanto selecionar os ingredientes que entram na receita.”
Uma receita para 192 países
Manter o padrão é um dos maiores desafios de uma marca global. Segundo a companhia, a Heineken usa a mesma receita e os mesmos ingredientes naturais em 192 países.
O Brasil é hoje o maior mercado da marca no mundo e soma 11 anos consecutivos de crescimento. Para garantir a equivalência entre unidades, a empresa cita treinamentos padronizados para cervejeiros e o envio de amostras mensais para análises de qualidade na Holanda.
Na visão de Picarelli, consistência não significa produzir de forma automática, mas repetir com precisão um conjunto de decisões técnicas:
“Quando falamos em consistência, não significa produzir uma cerveja de forma automática. Existe um conjunto de decisões técnicas que precisa ser repetido com precisão. É isso que permite que uma Heineken produzida no Brasil mantenha as características que o consumidor encontra em outros mercados.”
Consumidor mais atento ao que bebe
A expansão da categoria acompanha uma mudança de comportamento. Ingredientes, origem, processo produtivo e características sensoriais entraram de vez na conversa sobre qualidade.
Esse movimento ajuda a explicar o desempenho da marca, que também foi apontada pela Kantar Insights como a cerveja mais amada do Brasil pelo quarto ano consecutivo. Para a Heineken, o reconhecimento resulta de uma construção iniciada muito antes de o termo virar credencial.
Picarelli avalia que a curiosidade do público beneficia todo o setor e cobra transparência das marcas:
“O consumidor brasileiro está cada vez mais interessado em entender o que existe por trás do produto que escolhe. Isso é positivo para toda a categoria e reforça a importância de sermos transparentes sobre ingredientes, processos e padrões de qualidade. No caso da Heineken, temos uma história de mais de 150 anos que comprova que a preocupação sobre a qualidade e a consistência não começou agora.”
O que o consumidor deve sempre ponderar
Vale registrar que os dados de desempenho e as descrições de sabor, espuma e processo partem da própria companhia e dos levantamentos por ela citados. “Puro malte” descreve composição; a percepção de qualidade também depende de estilo, frescor e paladar.
Ainda assim, o movimento é claro: rótulo, receita e processo passaram a pesar na decisão de compra. É nesse terreno que a Heineken ancora seu posicionamento premium, com uma fórmula simples na composição, mas que exige precisão em cada etapa.
