Iniciativa liderada pelo pesquisador José Caram leva a Tecnologia IAC Broto/Batata-Semente a 50 alunos de Braunschweig e foi destacada entre 96 escolas premiadas
O projeto Plantando Batata com Ciência, do Instituto Agronômico (IAC-APTA), recebeu em setembro o Eco Schools International Award Certificate. O prêmio foi concedido pela Diretoria Regional de Educação de Braunschweig, na Alemanha, e reconhece o trabalho desenvolvido na escola Freie Waldorfschule Braunschweig e.V.
Na instituição alemã, a professora Maria Störrle implementou a iniciativa liderada pelo pesquisador do IAC José Alberto Caram de Souza Dias. Desde 2024, ela aplica a Tecnologia IAC Broto/Batata-Semente no currículo das turmas do 8º ano do Ensino Fundamental. Atualmente, 50 alunos participam do projeto.
Em um país onde a batata é ingrediente base dos pratos mais comuns, a proposta leva para a sala de aula um assunto pouco conhecido do público: a proteção das plantas cultivadas.
Reconhecimento entre 96 escolas
A professora Maria Störrle, responsável pelo projeto na escola alemã, comemorou o resultado da premiação e o aprendizado dos estudantes ao longo do trabalho:
“É uma alegria indescritível ter o melhor projeto de ciências naturais entre as 96 escolas premiadas. Fico especialmente feliz por ter tido a oportunidade de aprender a utilizar a tecnologia IAC e por, graças a ela, os alunos terem aprendido que as plantas cultivadas podem desenvolver doenças. Eles também tiveram a oportunidade de trabalhar neste projeto com o importante, mas pouco conhecido, tema da proteção das plantas. A colaboração com José Caram Souza-Dias é sempre uma alegria e sua paixão pela tecnologia IAC é admirável.”
Störrle lembra que a Alemanha é um grande produtor e exportador de batatas-sementes de alta qualidade para diversos países. O Brasil, por sua vez, produz batata em larga escala para o mercado interno, mas importa batatas-sementes para garantir a sanidade e a produtividade das lavouras.
Do encontro de 2012 à sala de aula alemã
A origem da parceria remonta a 2012, quando Caram visitou o Instituto Julius Kühn, na Alemanha. Lá, conheceu o pesquisador Falko Feldmann, hoje aposentado e coordenador da rede de hortas comunitárias de Braunschweig.
O pesquisador do IAC, ligado à Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios (APTA) e à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, relembra como esse contato reforçou a importância de ensinar conceitos científicos às crianças:
“Durante esse encontro reforcei a importância do ensino de conceitos científicos para alunos do Ensino Fundamental relacionados à proteção de plantas como a batata, que desenvolvo pelo projeto Plantando Batata com Ciência.”
Foi Feldmann quem apresentou a técnica do IAC à professora Maria Störrle, o que abriu caminho para a adoção do método na escola de Braunschweig.
Como funciona o projeto
Plantando Batata com Ciência busca desenvolver a consciência sobre medidas sustentáveis de proteção da sanidade no cultivo da batata. O foco está na propagação de batata-semente sadia, com uso da Tecnologia IAC.
No município paulista de Limeira, alunos de 9 a 11 anos da escola CEIEF Prof. Jamile Caram de Souza Dias plantam e acompanham o desenvolvimento de brotos destacados de tubérculos sadios e infectados. A comparação ajuda as crianças a enxergar, na prática, como as doenças afetam a lavoura.
O que é a Tecnologia IAC Broto/Batata-Semente
O método combina um telado antipulgões ou um campo certificado com brotos destacados da própria batata-semente. Segundo Caram, a técnica reduz o risco de introdução de pragas do solo, que podem estar na epiderme dos tubérculos.
O pesquisador compara a solução com as plântulas obtidas por cultura de tecidos in vitro e detalha as vantagens dos brotos:
“Se comparado à plântula, originada de técnicas de cultura de tecidos in vitro, os brotos têm maior fidelidade genética e menor custo de obtenção. Quanto à sanidade, sendo os brotos destacados de tubérculos livres de vírus, estes estarão igualmente sadios.”
Aproveitamento de resíduos e alcance da tecnologia
A tecnologia também permite aproveitar centenas de toneladas de brotos destacados de lotes de batata-semente básica. Esse material é descartado todos os anos pelos bataticultores.
Há ainda ganho logístico: o broto pesa de oito a 12 vezes menos que o tubérculo, o que reduz custos de frete internacional. A solução já foi compartilhada com produtores de Pernambuco e com Moçambique, China, Canadá e os estados americanos de Wisconsin e Alaska.
