Castanha Amazonia indigenas

Parceria entre cooperativa indígena e empresa exportadora remunera comunidades de Rondônia pela conservação da floresta

A castanha-da-amazônia produzida pelos povos indígenas da Terra Indígena Rio Branco, em Rondônia, ganhou um capítulo inédito na safra 2025/2026. Pela primeira vez, a comercialização do produto incluiu pagamento por serviços ambientais (PSA), reconhecendo o papel das comunidades na conservação da floresta e da biodiversidade.

O resultado nasce da parceria entre a empresa Castanhas Ouro Verde Importação e Exportação e a Cooperativa dos Povos Indígenas do Rio Branco (Coopirb). O acordo integra o projeto NewCast, coordenado pela Embrapa, voltado a soluções tecnológicas para agregar valor à cadeia da castanha-da-amazônia.

A iniciativa também contou com apoio da Unicafes nas negociações comerciais com a empresa compradora, fortalecendo a representação da cooperativa indígena no processo.

Boas práticas agregam qualidade e reduzem perdas

A tecnologia de boas práticas para produção de castanha-da-amazônia, recomendada pela Embrapa, foi decisiva para a qualidade do lote comercializado. As orientações cobrem todas as etapas, da coleta ao armazenamento, passando por transporte, lavagem, seleção e pré-secagem.

O extrativista indígena Dalton Tupari, da Coopirb, destaca como essas práticas pesaram na negociação com a empresa compradora.

“Essas recomendações nos ajudam ao longo de todo o processo, desde a coleta até a entrega do produto. É um diferencial a mais porque agrega qualidade à castanha, que já tem como vantagem o fato de estar associada à conservação da floresta.”

Na safra, a Coopirb comercializou cerca de sete toneladas de castanha-da-amazônia com o adicional relacionado ao PSA. Para Tupari, o retorno financeiro reforça o valor do trabalho das comunidades extrativistas na região.

“É uma valorização do nosso trabalho. Nós coletamos, preservamos a natureza e recebemos um valor diferenciado por isso. Isso mostra que conservar a floresta também gera renda para as famílias.”

Tecnologia, mercado e conservação

O contrato entre a Castanhas Ouro Verde e a Coopirb abrange comunidades indígenas de diferentes etnias em uma área de cerca de 236 mil hectares. Além do valor comercial da castanha, ele prevê um adicional de 20% destinado à organização indígena como reconhecimento pelos serviços ambientais prestados.

A pesquisadora Lúcia Wadt, da Embrapa Rondônia, acompanha o trabalho com os povos Tupari e Aruá desde 2015, por meio de projetos como o Pacto das Águas e, mais recentemente, o NewCast.

“Na safra 2025/2026, colhemos os frutos desse trabalho, com a valorização do produto pela qualidade e pelo serviço ambiental prestado pelas comunidades.”

Os recursos gerados pelo acordo são geridos coletivamente pela cooperativa. Eles podem financiar infraestrutura, saúde, educação, fortalecimento cultural e melhorias nas condições de produção das famílias extrativistas.

Foto: Ronaldo Rosa

Cooperativismo fortalece acesso a mercados

A experiência da Coopirb evidencia o papel das cooperativas na organização da produção indígena e na ampliação do acesso a mercados mais exigentes. A atuação coletiva permite padronizar procedimentos, reunir a produção das comunidades e fortalecer a capacidade de negociação comercial.

A pesquisadora Patrícia da Costa, da Embrapa Meio Ambiente e coordenadora do NewCast, resume a lógica por trás do projeto.

“A experiência demonstra que a integração entre tecnologia, organização social e mecanismos de valorização econômica é essencial para fortalecer as organizações locais e reconhecer os serviços ambientais prestados pelas comunidades que conservam a floresta.”

O caso também aponta para a importância de compradores dispostos a remunerar a origem sustentável dos produtos florestais. Ao reconhecer a qualidade da castanha e pagar pelos serviços ambientais associados à conservação, a Castanhas Ouro Verde ajuda a consolidar um modelo de comercialização que une atividade econômica, inclusão produtiva e preservação da Amazônia.

foto: Lucia Wadt

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