Seara JBS logistica

Assistente virtual Mari conecta motoristas, comercial e áreas de apoio para elevar efetividade das entregas a 98,5%

A Seara, marca da JBS, passou a contar com uma assistente de inteligência artificial dedicada a acompanhar suas rotas de entrega em tempo real. A tecnologia cruza dados de diferentes sistemas já usados pela companhia e busca antecipar problemas antes que eles cheguem ao consumidor final.

Batizada de Mari, a ferramenta foi desenvolvida pela uMov.me, empresa brasileira de tecnologia especializada em inteligência de execução logística. O objetivo declarado pela Seara é elevar a efetividade das entregas para 98,5%, reduzindo falhas que geram custo, desperdício e insatisfação no ponto de venda.

O lançamento reforça um movimento mais amplo da indústria de alimentos, que tem recorrido à automação e à análise de dados para dar conta de operações logísticas cada vez maiores e mais sensíveis a variações do trajeto, como trânsito e janelas de recebimento.

Como a assistente Mari acompanha a rota

A atuação da Mari começa antes da saída do caminhão do centro de distribuição, quando o sistema já pode sinalizar pendências como a liberação de documentos. Durante o trajeto, a assistente cruza informações de localização, trânsito, distância e janelas de recebimento para prever impactos nas próximas paradas.

Ao identificar um desvio no planejamento, a tecnologia aciona automaticamente as equipes responsáveis, sem depender de que alguém perceba o problema manualmente. Ao final da rota, os dados da jornada são consolidados e alimentam o aperfeiçoamento contínuo dos processos de roteirização.

De torre de controle logística a torre de controle cognitiva

A proposta da Seara é transformar a tradicional torre de controle logística, estrutura que monitora o andamento das operações, em uma torre de controle cognitiva, capaz também de agir sobre o que observa. A Mari não substitui ferramentas de rastreamento, telemetria ou planejamento de rotas: ela reúne e interpreta os dados gerados por esses sistemas e coordena os acionamentos entre backoffice, supervisão e equipe de vendas.

Miguel Anzolin, gerente executivo de Logística da Seara, destaca a relação entre a nova tecnologia e o compromisso da marca com o varejo:

Uma taxa elevada de sucesso nas entregas não é apenas um indicador operacional, mas parte da capacidade da companhia de cumprir o compromisso da marca com quem compra. Ao antecipar ocorrências e acelerar a resposta das equipes, a Mari contribui para preservar o nível de serviço e a disponibilidade dos produtos.

Segundo Anzolin, um dos principais desafios da operação está em transformar os dados que chegam em tempo real das ruas e dos clientes em melhorias efetivas no processo de roteirização. Com a Mari, essa análise passa a ser feita diariamente, de forma contínua.

Primeira fase reúne 300 motoristas e 20 centros de distribuição

A implementação inicial do projeto contempla 300 motoristas, 2 mil veículos e 20 centros de distribuição, responsáveis por cerca de 500 mil entregas por mês. A Seara espera reduzir em 50% as ocorrências de reentrega com o uso da tecnologia.

Com esses ganhos, a companhia estima economizar mais de 5 mil horas operacionais por mês e evitar o consumo de aproximadamente 500 mil litros de combustível por ano.

Interação por voz, direto no WhatsApp do motorista

Para o motorista, a interação com a Mari acontece por voz, pelo WhatsApp, sem necessidade de instalar um novo aplicativo. Ele pode enviar um áudio relatando situações como atraso de faturamento, atraso de chegada ou entrega parcial, e a inteligência artificial responde também por áudio depois de consultar os sistemas da operação.

Conforme a necessidade identificada, a Mari aciona o backoffice, a supervisão ou a equipe comercial, encurtando o caminho entre o que acontece na ponta e as áreas responsáveis por dar suporte à operação.

Alexandre Trevisan, CEO da uMov.me, explica a lógica por trás da ferramenta:

Em uma operação logística, alguns minutos separam uma entrega bem-sucedida de uma ocorrência que gera custo e desperdício. O que estamos construindo com a Seara é uma assistente que identifica o risco antes e transforma informação em ação, apoiando as pessoas antes que o problema aconteça.

Automação concentrada em rotina, decisão continua humana

Segundo a Seara, a automação da Mari está concentrada principalmente em consultas, alertas e acionamentos de rotina. Situações que dependem de experiência, contexto ou julgamento continuam sob responsabilidade das equipes.

Trevisan reforça esse limite da tecnologia ao descrever o papel da assistente dentro da operação: não se trata de substituir quem acompanha a operação, mas de ampliar a capacidade de quem já faz esse trabalho.

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