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As 56 vinícolas da Anprovin somaram 1,49 milhão de pés de uvas e 1,1 milhão de garrafas produzidas

A safra de vinhos de inverno de 2026 consolida um novo capítulo da vitivinicultura brasileira. A técnica da Dupla Poda, desenvolvida e aprimorada ao longo de duas décadas, é atualmente empregada por 56 vinícolas associadas à Anprovin — Associação Nacional de Produtores de Vinho de Inverno. O sistema produtivo abrange regiões do sudeste, centro-oeste e nordeste do país, fora do eixo tradicional da Serra Gaúcha e do Vale do São Francisco.

A projeção de crescimento de 15% para a safra de 2026 em relação ao ano anterior mostra que o segmento deixou o terreno experimental e se firma como alternativa concreta dentro do agronegócio. A produção fechou 2025 em 1.490.987 unidades, com a Anprovin contabilizando 1,49 milhão de pés de videira e 1,1 milhão de garrafas produzidas — e com meta de triplicar essa capacidade até 2029.

A técnica que inverteu o calendário vitivinícola

A Dupla Poda consiste na inversão do ciclo vegetativo da videira por meio de duas podas anuais. A primeira poda, de formação, é realizada em meados de agosto. A segunda, de produção, ocorre em janeiro e estimula uma nova brotação. Com isso, a planta floresce em abril e maio, e as uvas chegam à colheita entre junho e agosto — o período de inverno seco.

O pesquisador mineiro Murilo Regina iniciou as pesquisas pioneiras da técnica em 2000. O resultado direto do método é a obtenção de uvas com maior sanidade e maturação fenólica plena, fatores determinantes para a elaboração de vinhos finos de alta gama. A amplitude térmica característica do inverno — com dias ensolarados e noites frias — é o ambiente ideal para esse amadurecimento mais lento e concentrado.

Certificação e rastreabilidade como pilares do segmento

A garantia de qualidade dos vinhos de inverno é respaldada por infraestrutura técnica e processos rigorosos de controle. O Centro de Análises e Pesquisa da Anprovin, inaugurado em Brasília em parceria com a ABDI — Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial — com aporte de R$ 3,4 milhões, é responsável pela padronização e certificação dos produtos.

O espaço atende às 56 vinícolas associadas distribuídas pelo sudeste, centro-oeste e Chapada Diamantina, e oferece análises físico-químicas e sensoriais de alta precisão, além de suporte técnico, cursos e treinamentos. Um selo exclusivo da Anprovin atesta altitude, lote e origem de cada rótulo certificado — um mecanismo de rastreabilidade que tende a ganhar peso conforme o segmento avança em reconhecimento dentro e fora do país.

Agricultura familiar como espinha dorsal do setor

O setor de vinhos de inverno é majoritariamente composto por propriedades familiares, que representam 90% das vinícolas associadas. Essa configuração favorece a diversificação de culturas em áreas historicamente dedicadas a café, grãos e pecuária leiteira. A vitivinicultura de precisão integra-se como alternativa rentável e estratégica para a sustentabilidade e a sucessão familiar no campo.

Para produtores rurais em regiões com altitude favorável, solo bem drenado e inverno seco, a Dupla Poda oferece um sistema produtivo com suporte técnico, certificação consolidada e resultados comprovados em guias especializados. Vinícolas de São Paulo e Minas Gerais já alcançaram notas superiores a 90 pontos em avaliações internacionais com castas como Syrah, Sauvignon Blanc, Cabernet Franc, Pinot Noir e Malbec.

Regiões produtoras e variedades em expansão

A adaptabilidade da Dupla Poda é evidenciada pela diversidade de regiões e variedades que integram a produção nacional. No Centro-Oeste, em Goiás e no Distrito Federal, as colheitas ocorrem de julho a agosto, com destaque para vinícolas associadas da Vinícola Brasília, que cultivam Viognier, Sauvignon Blanc, Merlot, Cabernet Franc, Syrah, Chardonnay, Assyrtiko, Vermentino, Grenache, Sangiovese, Nebbiolo, Marselan, Tempranillo, Malbec e Pinot Noir.

Na Chapada Diamantina (BA), as colheitas iniciam em junho com produção de Sauvignon Blanc, Pinot Noir, Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc. No sudeste — abrangendo São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo — as colheitas se estendem de junho a julho. O volume da safra 2025 foi liderado pela Syrah, com 631.267 unidades e participação de 42% do total, seguida pelo Sauvignon Blanc (17%), Cabernet Franc (12%) e Cabernet Sauvignon (10%).


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