dia nacional do café 2026

Do café gelado ao microlote agroflorestal, marcas apostam em inovação sensorial, sustentabilidade e experiências diferenciadas para atender um público cada vez mais exigente

O Dia Nacional do Café, celebrado em 24 de maio, marca simbolicamente o início da colheita nas principais regiões produtoras do Brasil — como o Sul de Minas e o Cerrado Mineiro. A data, instituída pela ABIC em 2005, ganhou protagonismo crescente nos últimos anos à medida que o mercado se transforma. Hoje, a bebida ocupa um papel que vai além da tradição: ela se tornou veículo de experiência, identidade e bem-estar.

O setor respondeu ao momento com lançamentos que traduzem tendências reais de consumo. Quatro empresas — Nespresso, Gran Coffee, Intercoffee e Café Cultura — chegaram ao Dia do Café com novidades que, juntas, mapeam o panorama atual da categoria: praticidade com sofisticação, valorização da origem e produção sustentável.

O consumidor jovem redefine o café

O comportamento das novas gerações em relação ao café vai além de uma simples mudança de gosto. Dados do Nestlé CUP 2025 Local Insights Report apontam que o café gelado já atinge 18% de penetração entre consumidores de 16 a 24 anos — o maior índice entre todas as faixas etárias, contra apenas 2% entre consumidores de 55 a 75 anos. A maioria desse consumo ocorre em cafeterias, bares e restaurantes especializados (12%), mas 6% já acontece dentro de casa.

Esse movimento confirma uma transição que o mercado vinha observando: os jovens não apenas consomem mais café, mas o consomem de formas diferentes — gelado, com leite, aromatizado, em múltiplos momentos do dia. A categoria de descafeinados também cresce, impulsionada principalmente pela faixa de 16 a 34 anos, o que indica uma busca por versatilidade e não apenas por cafeína.

Nespresso aposta em aromas inusitados para a geração Z

A Nespresso entrou na data com o lançamento do French Lavender & Vanilla Decaffeinato, nova edição limitada da linha Barista Creations, disponível exclusivamente para o sistema Vertuo. O blend 100% Arábica reúne grãos do Brasil e da Colômbia em torra média, com notas aromáticas de lavanda francesa e baunilha. Pode ser consumido puro ou combinado com leite — quente ou gelado.

Tatiana Nakamura, Coffee Ambassador de Nespresso, observa que o público mais jovem está transformando o café em objeto de descoberta:

“O consumidor mais jovem vem ressignificando o café como um momento de descoberta e experimentação, explorando diferentes formas de preparo e combinações de sabores ao longo do dia. O French Lavender & Vanilla Decaffeinato traduz esse movimento ao unir notas aromáticas pouco convencionais em uma experiência versátil.”

O lançamento integra a campanha global Vertuo World, estrelada por Dua Lipa, que posiciona o café como aliado de experiências criativas e de estilo de vida. Acompanham o produto xícaras Origins Lungo Lavender assinadas pela designer India Mahdavi, caneca térmica, copo específico para receitas geladas e bolsa em algodão reciclado. O sleeve com 10 cápsulas é vendido por R$ 68, nas boutiques, aplicativo e e-commerce da marca.

Café América amplia portfólio de cafés especiais em grão

A Intercoffee, com mais de 60 anos de atuação e fazenda própria em Marília (SP), apresentou dois lançamentos para o segmento de cafés especiais: o Café Torrado em Grão Especial Oro América e o Café Torrado em Grão Especial Moka América. Ambos foram selecionados por Q-Grader — profissional certificado para avaliação de qualidade de café — e estão disponíveis em embalagens de 500g.

O Oro América é elaborado com grãos 100% Arábica de regiões de altitude elevada, com sabor frutado e adocicado, aroma floral e torra média equilibrada. Já o Moka traz grãos inteiros e arredondados — característica do Peaberry, em que apenas um grão se desenvolve dentro do fruto —, com maior dulçor natural e corpo encorpado. Os lançamentos reforçam a presença vertical da empresa na cadeia produtiva: do plantio ao produto final, tudo acontece dentro da estrutura própria da Intercoffee.

Café Cultura lança microlote agroflorestal em homenagem à colheita

O Café Cultura, rede brasileira especializada em cafés especiais, apresentou o microlote “Tempo de Colheita” — um café 100% Arábica da variedade Aranã, produzido no Sítio Córrego da Anta, no Vale da Grama, na divisa entre São Paulo e Minas Gerais. O diferencial está no sistema agroflorestal adotado: os pés de café crescem integrados a castanheiras-portuguesas, abacateiros e framboesas, criando um ecossistema que favorece a maturação lenta dos frutos, o enriquecimento do solo e a biodiversidade.

Joshua Stevens, sócio-fundador e coffee hunter do Café Cultura, descreve o resultado sensorial do processo:

“O resultado é uma bebida elegante e harmoniosa, com sabor açucarado marcante, notas suaves de canela, amêndoas e especiarias delicadas, corpo redondo e finalização limpa. O microlote foi pensado especialmente para aqueles que valorizam cafés com identidade, rastreabilidade e propósito.”

Disponível em grão e moagem moka (média-grossa), o microlote é uma edição superlimitada, desenvolvida para um público que valoriza origem, transparência e conexão com o produtor — características cada vez mais centrais na decisão de compra de consumidores de cafés especiais.

Um mercado em expansão e transformação

O cenário de lançamentos no Dia do Café de 2026 reflete um mercado em aceleração. Segundo a ABIC, o consumo interno brasileiro atingiu 21,4 milhões de sacas em 2025, com o café presente em 98% dos lares. O segmento de cafés especiais registra crescimento anual de 21%, conforme dados do setor. Enquanto isso, o mercado global de ready-to-drink coffee é estimado em US$ 26 bilhões em 2026, com projeção de chegar a US$ 34 bilhões em 2031, segundo a Mordor Intelligence.

De acordo com informações da Gran Coffee, o Brasil cultiva as duas principais variedades — arábica e robusta — em regiões com perfis distintos: Mogiana Paulista, Sul de Minas, Cerrado Mineiro, Matas de Minas, Bahia, Paraná, Espírito Santo e Rondônia. Minas Gerais concentra 53% da produção nacional, com destaque para o Sul de Minas e o Cerrado Mineiro como principais origens de cafés de alta qualidade.

A Gran Coffee celebra a data com produtos que percorrem esses terroirs. A linha solúvel, em grãos e em cápsulas do Café do Centro reúne grãos das principais regiões produtoras do país. O Astro Café, por sua vez, combina variedades brasileiras em um blend premium, de aroma marcante e posicionamento sofisticado — opção para quem quer celebrar o Dia do Café com qualidade na xícara.

No Brasil, a combinação entre tradição e inovação segue abrindo espaço para produtos que equilibram conveniência, qualidade sensorial e responsabilidade socioambiental. A data de 24 de maio funciona, nesse contexto, como termômetro: ela revela onde o mercado está e para onde ele caminha — com aromas de lavanda, grãos de altitude e matas que protegem o futuro do próprio café.


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