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CropData, da CropLife Brasil, revela que um em cada cinco hectares de soja já é plantado com sementes sem certificação

A biotecnologia está presente em praticamente 100% das áreas de soja e algodão cultivadas com sementes certificadas no Brasil. O dado vem do CropData, portal de dados da CropLife Brasil, com números da safra 2025/2026 e série histórica de cinco safras.

A atualização, divulgada em 27 de outubro, inclui uma nova funcionalidade no segmento de sementes: a área por biotecnologia, com detalhamento de categorias e culturas agrícolas. A ferramenta permite acompanhar tecnologias de resistência a insetos, de tolerância a herbicidas ou a combinação das duas características.

Os mesmos dados trazem um alerta. Sementes não certificadas, sejam salvas pelo próprio produtor ou piratas, já ocupam cerca de um em cada cinco hectares cultivados com soja e algodão no país.

Os números em destaque

  • 38 milhões de hectares de soja com tecnologia dupla (insetos + herbicidas) em 2025/2026, ou 78% da área total
  • 9,6 milhões de hectares de soja com sementes não certificadas, cerca de 20% da área, alta de 210% desde 2021/2022
  • 1,1 milhão de hectares de algodão com tecnologia dupla (55%) e 800 mil hectares só com resistência a insetos (40%)
  • 47 mil hectares de algodão com sementes não certificadas, cerca de 2,4% da área
  • 21,4 milhões de hectares de expansão agrícola poupados em 25 anos, segundo estudo da CropLife Brasil e da Agroconsult
  • 1,6 milhão de toneladas de defensivos evitadas e 70,4 milhões de toneladas de CO₂ não emitidas, de acordo com o mesmo estudo

Soja: tecnologia dupla domina a lavoura

Na soja, a biotecnologia que combina resistência a insetos e tolerância a herbicidas predomina. Ela esteve em 38 milhões de hectares na safra 2025/2026, o equivalente a 78% dos 48,6 milhões de hectares plantados. O pacote simplifica o manejo, ao oferecer à cultivar defesa contra insetos e auxiliar no controle de plantas daninhas.

Entre as soluções contra pragas, a CropLife destaca o Bacillus thuringiensis, conhecido como Bt. Trata-se de uma bactéria de solo que produz proteínas com ação inseticida contra lagartas e outros insetos-praga. Na sequência, vem a biotecnologia exclusiva para tolerância a herbicidas, que cobriu 1 milhão de hectares, ou 2%, na última safra.

O gráfico da entidade mostra um movimento relevante. A área de soja com tecnologia dupla chegou ao pico de 40,6 milhões de hectares em 2023/2024 e recuou para 38 milhões em 2025/2026. No mesmo intervalo, a área total plantada subiu de 46,1 milhões para 48,6 milhões de hectares.

Algodão: resistência a insetos ganha espaço

No algodão, a combinação de resistência a insetos e tolerância a herbicidas ocupou 1,1 milhão de hectares na safra 2025/2026. Isso equivale a 55% dos 2 milhões de hectares plantados. Diferente da soja, na cotonicultura a tecnologia exclusiva para resistência a insetos aparece em segundo lugar, com 800 mil hectares, ou 40%.

A série histórica mostra a mudança. A área com a tecnologia exclusiva contra insetos passou de 0,2 milhão de hectares em 2021/2022 para 0,8 milhão em 2025/2026. A tecnologia dupla, por sua vez, oscilou entre 1,1 milhão e 1,4 milhão de hectares no período.

Sementes sem certificação já somam um em cada cinco hectares

A série histórica também traz outro alerta: o avanço do uso de sementes não certificadas, próprias (salvas) ou piratas. Na soja, a área com esse material passou de 3,1 milhões de hectares em 2021/2022 para 9,6 milhões de hectares em 2025/2026, alta de 210%.

Hoje, essas sementes ocupam cerca de 20% da área cultivada com soja. No algodão, foram mapeados 47 mil hectares, ou 2,4%. A CropLife trata o movimento como ponto de reflexão para o setor e para o acompanhamento da dinâmica de mercado.

Em ambas as culturas, as áreas convencionais, sem eventos transgênicos, são praticamente inexistentes entre as lavouras com sementes certificadas.

Vinte e cinco anos de transgênicos no campo

Segundo a CropLife Brasil, os organismos transgênicos foram autorizados para plantio no país a partir de 1998. Eles são desenvolvidos por técnicas de modificação genética e passam por avaliações científicas e de biossegurança.

Os ganhos no campo e o impacto econômico aparecem em um estudo da CropLife Brasil e da Agroconsult, publicado em 2023, quando a tecnologia completou 25 anos de uso no país. Os efeitos também se refletem na evolução da produção agrícola nacional desde a safra 1998/1999.

Para o gerente executivo da CropLife Brasil, Renato Gomides, a biotecnologia ajuda a explicar por que a produção cresceu mais rápido do que a área plantada. Ele também destaca o papel da pesquisa diante do clima mais instável e das pragas resistentes:

“A biotecnologia é relevante porque permitiu ao Brasil produzir muito mais sem expandir a área na mesma proporção. Desde a introdução das chamadas sementes transgênicas, a área de soja e algodão cresceu 5% ao ano, enquanto a produção avançou 6,8%. E essa diferença vem da produtividade fornecida pela tecnologia. Com um clima mais instável e pragas cada vez mais resistentes, o insumo agrícola também dá resiliência à lavoura, por isso continuar investindo em pesquisa é essencial.”

O estudo isolou os efeitos da biotecnologia na produtividade. A estimativa é de que a solução tenha poupado 21,4 milhões de hectares de expansão agrícola ao longo de 25 anos, considerando soja, milho, algodão, feijão e cana-de-açúcar. No mesmo período, a dosagem de defensivos caiu 35% na soja e 27,5% no algodão, o que evitou o uso de cerca de 1,6 milhão de toneladas desses produtos.

A rentabilidade do produtor também mudou. A margem por hectare foi até 7% superior na soja e 64% maior no algodão com sementes com biotecnologia, na comparação com variedades convencionais. A economia com defensivos químicos chegou a R$ 262 por hectare na soja e a R$ 1.048 por hectare no algodão.

A combinação entre menor aplicação de defensivos e economia de área ainda contribuiu para evitar a emissão de 70,4 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂). O volume equivale ao plantio de 504 milhões de árvores nativas.

Como ler os números

Os dados do CropData têm como fonte a CropLife Brasil e a Conab, com elaboração da própria entidade. A associação reúne empresas de sementes, biotecnologia, defensivos químicos e bioinsumos, o que ajuda a contextualizar a leitura dos resultados.

A produtividade das lavouras também depende de melhoramento genético, manejo agronômico e clima. A atribuição de parte dos ganhos à biotecnologia vem do estudo feito pela CropLife com a Agroconsult.

Diante das mudanças climáticas, da resistência de pragas e da necessidade de produzir mais com menor impacto ambiental, a entidade defende que o investimento contínuo em pesquisa e desenvolvimento de novas biotecnologias é estratégico para a agricultura brasileira.

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