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Marca lança petição online e aposta em movimento cultural para consolidar a dupla como símbolo oficial da identidade brasileira

A Camil Alimentos lança a campanha “Arroz e Feijão Patrimônio do Brasil”, iniciativa que vai além da comunicação comercial e propõe um reconhecimento formal da combinação mais popular da culinária nacional. A ação convoca consumidores de todo o país a assinarem uma petição online em defesa da titulação oficial da dupla como bem cultural do Brasil, dando continuidade à estratégia da marca de se posicionar no território da brasilidade.

O movimento parte de uma lacuna concreta: símbolos gastronômicos regionais como o acarajé, o queijo artesanal mineiro e a cajuína piauiense já possuem reconhecimento formal como patrimônio cultural imaterial. O arroz com feijão, presente diariamente em milhões de lares brasileiros e associado à identidade nacional por diferentes gerações, ainda não tem esse título. É esse espaço que a Camil quer ocupar — não apenas como posicionamento de marca, mas como mobilização pública.

Uma lacuna cultural que a campanha quer preencher

O Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) reconhece práticas alimentares como patrimônio imaterial desde 2004, quando registrou o ofício das baianas de acarajé. Desde então, outros saberes culinários regionais foram incorporados à lista. O arroz com feijão, entretanto, permanece fora desse registro oficial, apesar de ser o prato mais consumido do país e de carregar séculos de história — das influências indígenas e africanas ao cotidiano das famílias brasileiras de todas as regiões e classes sociais.

A petição lançada pela Camil é o elemento central da campanha. Disponível online, ela serve como instrumento de pressão simbólica e engajamento popular em torno de um bem cultural que, na prática, já é reconhecido por todos — só não tem o papel passado.

Posicionamento estratégico construído ao longo dos anos

A Camil não chegou a esse território de uma vez. A marca vem, há pelo menos dois anos, construindo uma narrativa que associa arroz e feijão não apenas à nutrição, mas à memória afetiva e à identidade coletiva dos brasileiros. O cantor Thiaguinho está pelo segundo ano consecutivo como embaixador da marca, escolha que reforça a conexão com a cultura popular — o pagode, os encontros em família, os rituais cotidianos que acontecem em torno da mesa.

Flavia Molina, CMO da Camil Alimentos, explica o raciocínio por trás da iniciativa e o papel da marca nesse processo:

“Se o arroz e feijão já fazem parte da identidade do brasileiro, queremos agora dar um passo além: valorizar essa dupla como um verdadeiro símbolo nacional, à altura da sua presença na mesa, na memória e na cultura do país. Como marca número 1 de arroz no Brasil, a Camil tem orgulho de liderar esse movimento, reforçando a qualidade, a confiança e a presença dos nossos produtos na rotina das famílias brasileiras.”

Comunicação integrada em múltiplos canais

A campanha foi criada pela agência Lola/TBWA, com estratégia de relações públicas conduzida pela PROS. A veiculação cobre Meta, TikTok, YouTube, Google e mídia programática, além de ações em ponto de venda e OOH especial — formatos que garantem presença tanto no ambiente digital quanto no varejo físico.

A estratégia integrada é coerente com o tamanho da proposta. Uma campanha que convoca o público a assinar uma petição precisa de alcance amplo e presença constante para converter atenção em engajamento real. A Camil aposta em continuidade: a comunicação está estruturada para sustentar o movimento ao longo de todo o período da campanha, sem se limitar ao lançamento.

Marca e movimento: onde termina um e começa o outro?

Iniciativas como essa levantam uma questão legítima para o setor: onde está a fronteira entre movimento cultural genuíno e ação de marketing com propósito? A pergunta não invalida a campanha, mas é relevante para quem acompanha o mercado. Marcas que se apropriam de símbolos culturais para fortalecer posicionamento precisam demonstrar coerência e consistência ao longo do tempo — e a Camil vem construindo esse percurso.

Vale observar que o reconhecimento de patrimônio imaterial no Brasil é um processo conduzido pelo Iphan, com critérios técnicos, consultas a comunidades e análise cultural — não depende de petições ou de mobilizações corporativas para se concretizar. Isso não diminui o valor simbólico da campanha, mas contextualiza o que ela pode ou não pode alcançar institucionalmente.

Ao ser questionada sobre o papel da comunicação nesse processo, Molina reforça o que vê como o propósito central da ação:

“Acreditamos no poder da comunicação para transformar temas do dia a dia em movimentos culturais relevantes. Mais do que gerar visibilidade, queremos engajar as pessoas em torno de um símbolo que já é, na prática, um patrimônio de todos nós: uma combinação presente diariamente na mesa dos brasileiros, que carrega afeto, tradição e relevância nutricional, por seu papel na composição de uma alimentação equilibrada, acessível e conectada à cultura brasileira, com a qualidade e a confiança de Camil.”

Brasilidade em alta no marketing de alimentos

A campanha da Camil não é um caso isolado. Em 2026, a valorização de elementos da identidade nacional tem sido uma tendência crescente na comunicação de marcas de alimentos e bebidas. Há um movimento mais amplo de resgate da culinária tradicional brasileira — do consumo de alimentos in natura ao interesse por pratos regionais — que dá respaldo cultural a iniciativas como essa.

Para uma marca com mais de 60 anos de história e liderança consolidada na categoria de arroz, o movimento faz sentido estratégico: reforça relevância cultural em um momento em que os consumidores valorizam autenticidade e conexão com suas raízes. A questão que fica é se o engajamento popular que a petição vai gerar será suficiente para traduzir o movimento em algo que vá além da campanha.


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