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Radar da Assertiva aponta 816,8 empresas analisadas a cada 100 mil negócios; amostra de 36 fundos não comprova concessão de crédito

A indústria de bebidas é o segmento mais presente nas análises dos Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) quando o número de empresas consultadas é comparado ao tamanho de cada atividade. A conclusão vem da primeira edição do Radar Assertiva de Demanda por Crédito Estruturado, que registrou 816,8 consultas a cada 100 mil negócios do setor.

Na sequência aparecem máquinas e equipamentos, com 434,3, e têxtil, vestuário e calçados, com 111,6. O resultado coloca a indústria no centro do crédito estruturado, modalidade em que financiar produção, estoques e vendas a prazo é uma necessidade recorrente.

O estudo foi conduzido pela Assertiva, empresa de inteligência de dados para crédito, a partir de 4.045 consultas feitas por 36 FIDCs entre janeiro e setembro de 2026. Elas envolveram 3.543 CNPJs distintos. Em vez de medir patrimônio ou volume de operações, o Radar descreve as empresas que passaram pelo crivo dos fundos.

Proporção muda o ranking

Em números absolutos, o comércio varejista concentra a maior quantidade de CNPJs analisados, com 640 empresas. Quando o volume é cruzado com o universo de cada atividade, porém, segmentos industriais ganham relevância. Metalurgia e siderurgia, por exemplo, somam 97 consultas a cada 100 mil negócios.

Nos números absolutos da indústria, máquinas e equipamentos reuniram 145 empresas e metalurgia e siderurgia, 273. O grupo de têxtil, vestuário e calçados chegou a 536 CNPJs. Na classificação mais ampla, indústria, construção e logística responderam juntas por 51,1% das empresas observadas.

Para Hederson Albertini, CEO da Assertiva, a comparação proporcional corrige uma distorção natural dos rankings tradicionais, que tendem a destacar setores com bases muito grandes de empresas:

“Mas, ao comparar esse volume com o tamanho de cada segmento, conseguimos identificar setores industriais com uma presença proporcionalmente relevante nas análises.”

Descasamento entre pagar e receber

A explicação para o desempenho das bebidas passa pelo ciclo financeiro da operação. Insumos, embalagens, produção, estoques e distribuição geram desembolsos muito antes de o cliente pagar pela mercadoria, o que pressiona o caixa das fabricantes.

É nesse ponto que Rafael Nakamoto, CEO da Vitório, empresa especializada em soluções de crédito B2B, vê espaço para estruturas lastreadas em recebíveis. Segundo ele, o desafio da indústria está no intervalo entre as duas pontas do negócio:

“Quanto maior essa distância entre pagar e receber, maior a necessidade de capital de giro.”

Os FIDCs são uma das estruturas usadas no mercado para financiar empresas por meio de direitos creditórios, incluindo recebíveis comerciais. Dependendo da operação, permitem antecipar recursos ligados a vendas a prazo.

Perfil: empresas maduras e sem restrição

O levantamento também desmonta a ideia de que apenas companhias em dificuldade aparecem nas análises. Do total de CNPJs consultados, 60,9% tinham mais de dez anos de existência, e 68,9% não apresentavam sinais de restrição.

Nakamoto interpreta o dado como indício de que a busca por crédito estruturado também integra a estratégia de crescimento de negócios consolidados. Para o executivo, indústrias saudáveis precisam financiar estoques, ampliar capacidade e oferecer prazos competitivos aos distribuidores:

“Crédito não é uma necessidade exclusiva de empresas endividadas ou em dificuldade.”

Albertini acrescenta que a associação frequente entre busca por financiamento e fragilidade financeira não se sustenta nos números. Na visão do CEO da Assertiva, avaliar o crédito exige olhar o comportamento financeiro e a atividade econômica de cada empresa, e não apenas a existência de pendências.

Limites do levantamento

A própria Assertiva faz ressalvas importantes. A amostra não representa estatisticamente toda a indústria de FIDCs, e as consultas não comprovam solicitação, aprovação ou contratação de financiamento. O indicador mede a presença relativa de CNPJs analisados em cada segmento, não a probabilidade de obter crédito.

Nas próximas edições, a empresa pretende formar uma série histórica. Com isso, será possível acompanhar mudanças na distribuição das consultas entre setores, regiões e perfis empresariais, e identificar atividades que ganham ou perdem presença na base.

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