ADM logistica sustentabilidade Rondonopolis

Modernização dos caminhões que escoam farelo até o terminal ferroviário em Mato Grosso reduz tempo de descarga, aumenta segurança operacional e reforça o compromisso da empresa com uma logística mais sustentável

A ADM avança em mais uma frente da modernização logística no Brasil. A companhia, líder global em comercialização de grãos, insumos e nutrição humana e animal, renovou a frota de caminhões que opera em sua unidade de Rondonópolis (MT) — um dos polos estratégicos do escoamento agrícola brasileiro. O resultado já aparece nos números: a meta é dobrar a produtividade, mesmo com uma frota menor e mais enxuta.

O projeto prevê a substituição gradual dos cerca de 70 caminhões anteriormente utilizados por veículos mais modernos e tecnológicos. Neste ano, 31 novos caminhões entram em operação, com previsão de chegar a 41 unidades até 2027. A função central dessa frota é transportar farelo de soja da fábrica até o terminal ferroviário da região, a aproximadamente 20 quilômetros de distância, de onde o produto segue para o Porto de Santos.

Novo modelo operacional com foco em eficiência total

A mudança vai além da troca de veículos. A ADM adotou um novo modelo contratual com transportadoras parceiras, que passam a ser responsáveis pela operação, e implementou inteligência no agendamento de carga e descarga. A operação passou a funcionar 24 horas por dia, com caminhões reserva e motoristas substitutos para garantir a continuidade das atividades sem interrupções.

A ADM acredita que a combinação de tecnologia e gestão inteligente é o que permite obter mais resultado com menos ativos. Vitor Vinuesa, Diretor de Logística da ADM para a América Latina, explica a proposta central da iniciativa:

“Estamos estruturando um novo modelo operacional, com foco total em eficiência e confiabilidade. A modernização da frota vem acompanhada de inteligência no agendamento de carga e descarga, além de uma operação 24 horas, com caminhões reserva e motoristas substitutos para assegurar a continuidade das atividades.”

Parceiras operacionais ampliam ganhos de qualidade

A renovação da frota beneficia não apenas a ADM, mas também as transportadoras que integram a operação. A Bandeira Transportes, parceira da ADM em Rondonópolis, acompanhou de perto a evolução do modelo. Para Guilherme Bandeira, sócio-proprietário da empresa, os ganhos são concretos tanto em qualidade operacional quanto nas condições de trabalho dos motoristas:

“Essa nova etapa representa um avanço importante em eficiência e qualidade da operação, trazendo mais segurança para o transporte e melhores condições para o trabalho dos motoristas.”

Outro parceiro, a Bortolli Transportes, aponta ganhos diretos na dinâmica de carga e descarga. O processo mais eficiente reflete no rendimento diário dos veículos — um fator crítico em operações de alta rotatividade como esta. Ricardo Bortolli, proprietário da empresa, destaca o impacto prático da mudança:

“As novas composições trazem melhorias importantes para a produtividade, especialmente com processos mais eficientes de carga e descarga, que reduzem o tempo e aumentam o rendimento dos veículos no dia a dia.”

Tecnologia embarcada reduz riscos e tempo de operação

Os novos caminhões trazem diferenciais tecnológicos que impactam tanto a segurança quanto a velocidade das operações. O sistema de caçamba única elimina impactos no descarregamento, e o acionamento remoto do basculante reduz a exposição dos motoristas a riscos operacionais. Mas o ganho mais expressivo está no tempo de descarga: com o uso de manta deslizante antiaderente, o processo passou de mais de 20 minutos para cerca de 6 minutos por operação — uma redução de 70% que impacta diretamente a produtividade diária da frota.

Outro dado relevante: os novos veículos são, em média, até cinco toneladas mais leves do que os anteriores. Isso significa menor consumo de combustível por viagem, com o mesmo volume transportado — um ganho de eficiência energética que contribui diretamente para a redução da pegada ambiental da operação.

Logística sustentável: o caminho do grão e os modais alternativos

A iniciativa da ADM acontece em um momento em que o debate sobre modais de transporte sustentáveis para o escoamento de grãos ganha força no Brasil. No país, cerca de 54% do transporte de soja é feito por rodovia, 33% pela ferrovia e apenas 12% por hidrovia — uma distribuição muito diferente da dos Estados Unidos, onde a hidrovia responde por cerca de 53% desse fluxo.

Essa dependência do modal rodoviário tem custos ambientais relevantes. O transporte hidroviário é considerado um dos mais sustentáveis: emite até cinco vezes menos poluentes que o rodoviário e 1,5 vez menos carbono que o ferroviário. Do lado ferroviário, as operações da Rumo resultaram em cerca de 7 milhões de toneladas de CO₂ evitadas em 2025, considerando que o mesmo volume fosse transportado por caminhões.

A ferrovia, aliás, é parte central da equação logística em Mato Grosso. A Ferrovia de Mato Grosso (FMT), maior projeto ferroviário greenfield em andamento no país, avançou com cerca de 80% do primeiro trecho concluído ao final de 2025. Em 2026, a Rumo inaugura o primeiro terminal rodoferroviário da FMT, conectando os produtores da região ao sistema logístico ferroviário com destino ao Porto de Santos. A ADM, que já utiliza o terminal ferroviário em Rondonópolis, está bem posicionada para capturar os benefícios desta integração intermodal.

No campo regulatório, o governo federal anunciou a expansão do programa Move Brasil, com R$ 21,2 bilhões para financiar a renovação de frotas de caminhões, ônibus e implementos rodoviários, operacionalizado pelo BNDES, com prazos de até 10 anos e carência de 12 meses. A modernização de frota virou política pública — e a ADM saiu na frente.

Outras empresas também apostam em frotas mais limpas

A ADM não está sozinha nessa direção. Outras empresas do setor vêm adotando iniciativas de transporte mais sustentável como estratégia operacional e de competitividade. A Raízen investiu R$ 345 milhões na renovação de sua frota agrícola, com os novos equipamentos entregando redução de até 40% no consumo de combustível em relação à operação anterior.

No segmento industrial, a Sonepar Brasil ampliou sua frota logística com três caminhões movidos a gás natural Scania G460, que reduzem em até 26% as emissões de poluentes e operam com combustível 12% mais econômico que o diesel — parte de uma meta global de reduzir 46,2% das emissões de CO₂ até 2030. A descarbonização já vira critério contratual: a Coca-Cola FEMSA Brasil incluiu a adoção de caminhões a gás biometano como condição na contratação da Reiter Log.

O setor de logística entendeu o recado. Empresas que adotam práticas sustentáveis conseguem reduzir custos operacionais no médio prazo, ampliar o acesso a crédito e seguros e conquistar vantagem competitiva em cadeias globais.

Referência dentro e fora da ADM

Para Vitor Vinuesa, o projeto de Rondonópolis não é só mais uma iniciativa de renovação de frota — é um modelo replicável. O executivo reforça o papel que a tecnologia e a gestão inteligente têm na transformação de operações logísticas:

“Esse projeto em Rondonópolis mostra, na prática, como ajustes no modelo operacional e o uso de novas tecnologias podem trazer ganhos relevantes de eficiência, mantendo a segurança e a confiabilidade da operação.”

A unidade de Rondonópolis se consolida como operação pioneira dentro da ADM no Brasil, reforçando o papel estratégico de Mato Grosso no escoamento da produção agrícola nacional. Para um setor que produz em escala continental e exporta para o mundo inteiro, modernizar a logística com eficiência e responsabilidade ambiental deixou de ser diferencial — e se tornou condição de competitividade.


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