abimapi pães e massas

Inovação em misturas para bolo e busca por “premium acessível” sustentam avanço de 2,1% no faturamento do setor

O primeiro semestre de 2026 confirma um padrão que já vinha se desenhando na indústria de biscoitos, massas, pães e bolos industrializados: o brasileiro compra menos quilos, mas gasta mais reais. O levantamento mais recente da Cesta Abimapi, monitorada pela Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães Industrializados (Abimapi) com dados da NielsenIQ, mostra faturamento de R$ 36 bilhões entre janeiro e junho, alta de 2,1% na comparação com igual período de 2025.

O volume comercializado, no entanto, recuou 2,1% no mesmo intervalo. O descompasso entre valor e quantidade reforça um comportamento de compra mais seletivo, no qual o consumidor concentra recursos em itens de maior valor agregado e reduz o volume das compras rotineiras.

Para a indústria, o resultado é lido como sinal de resiliência diante de um cenário macroeconômico ainda desafiador para o varejo de alimentos.

O efeito ampulheta nos biscoitos

A categoria de biscoitos foi a que mais pesou no resultado geral do semestre, com R$ 18 bilhões em faturamento, crescimento de 3,7%. O volume, por sua vez, caiu 2,3%, somando 747 mil toneladas comercializadas.

O fenômeno batizado de “efeito ampulheta” explica esse contraste. O consumidor concentra os gastos nos dois extremos da categoria, equilibrando produtos simples do dia a dia com itens premium, como cobertos, cookies e recheados doces.

Esses produtos de maior valor agregado já representam 10,3% do faturamento do mercado de biscoitos e aparecem em 7,9% das ocasiões de compra. Os biscoitos amanteigados cresceram 1,8% em penetração nos lares, enquanto os cobertos avançaram 7,9% e os wafers ficaram praticamente estáveis, com alta de 0,1%.

Misturas para bolo puxam o crescimento do setor

Entre todas as categorias da Cesta Abimapi, misturas para bolo teve o desempenho mais expressivo do semestre. O segmento faturou R$ 613 milhões, salto de 14,7%, com 69 mil toneladas comercializadas, 4,1% a mais que no primeiro semestre de 2025.

O resultado foi impulsionado por um fluxo constante de lançamentos e produtos de maior valor agregado, que ganharam giro nas gôndolas dos supermercados. Dentro da categoria, o segmento de mistura para bolo propriamente dito responde por 80,7% do faturamento e cresceu 22,3% em valor.

Pães e massas: volume menor, valor em alta nos nichos

O faturamento dos pães industrializados somou R$ 8,4 bilhões no semestre, aumento de 1,1%, com 385 mil toneladas comercializadas, queda de 3,9% no volume. Marcas menores e fabricantes regionais ganharam espaço no giro do segmento de pão de forma comum.

Os pães de hambúrguer e hot dog seguem em trajetória positiva, com alta de 11% em importância de valor. A migração das refeições rápidas de fora para dentro de casa segue como o principal motor desse movimento. O pão de hambúrguer teve alta de 15,6% nas ocasiões de compra por lar.

Já as massas alimentícias faturaram R$ 7,6 bilhões, leve queda de 0,8%, com 642 mil toneladas comercializadas, recuo de 1,5% no volume. O destaque positivo ficou com as massas refrigeradas, que cresceram 6,4% em valor, acompanhando a tendência de saudabilidade também observada nos segmentos grano duro e caseiro.

Os bolos industrializados fecharam o semestre com R$ 1,4 bilhão em faturamento, queda de 0,8%, e 30 mil toneladas comercializadas, recuo de 7,4% no volume. O segmento bolo representa 46,6% da categoria. As embalagens monoporção de 40g cresceram 4,2% em importância, sinal de preferência por porções individuais maiores.

A leitura da indústria sobre o consumo em 2026

Diante desse cenário de faturamento em alta e volume em queda, Claudio Zanão, presidente-executivo da Abimapi, atribui o resultado à capacidade de adaptação rápida dos fabricantes do setor.

“Mesmo enfrentando um cenário desafiador, as categorias da Cesta Abimapi provaram ser essenciais na rotina das famílias brasileiras. A rápida capacidade de adaptação dos fabricantes, que apostam em lançamentos inovadores e na diversificação de portfólio para atender tanto o consumidor que busca extrema economia quanto aquele que não abre mão de pequenos prazeres diários, foi o grande motor que manteve o dinamismo do nosso mercado.”

Já Claudio Czarnobai, Strategic Business Growth Managing Director da NielsenIQ, interpreta o movimento como consolidação de um padrão de consumo, e não mais como reação pontual a um momento de aperto econômico.

“Os dados de 2026 revelam que a economia deixou de ser uma reação temporária do consumidor e se consolidou como uma estratégia permanente de compra para o brasileiro. O consumidor racionaliza as compras básicas do cotidiano, mas se mantém disposto a fazer um trade-up para produtos indulgentes de maior valor agregado, desde que perceba uma justificativa clara de benefício. Na prática, o preço explica a escolha de uma marca ou canal, mas é o valor que dita a preferência.”

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