Ricos em fibras, amido resistente e peptídeos, grãos como o feijão estimulam hormônios que regulam o apetite e contribuem para o equilíbrio metabólico de forma natural, substituindo medicamentos como o Ozempic
O feijão é um dos alimentos mais tradicionais e consumidos pelos brasileiros, presente em refeições diárias é considerado um pilar da alimentação saudável no país. Além de seu valor nutricional, ele tem chamado atenção da ciência por seu efeito similar ao medicamento Ozempic, utilizado no tratamento da diabetes tipo 2 e da obesidade.
Segundo Lígia Luna, especialista em nutrição e parceira da Kicaldo, marca referência em grãos e líder no segmento de feijão, incluir esse alimento na rotina pode trazer benefícios além da nutrição básica.
“Consumir feijão e outras leguminosas regularmente ajuda a equilibrar a alimentação, fornece nutrientes essenciais para o metabolismo e contribui para o controle da ingestão alimentar ao longo do dia”, afirma a nutricionista Lígia Luna.
Por que o feijão é chamado de “ozempic natural”?
O Ozempic, nome comercial da Semaglutina, age no corpo se ligando ao receptor do hormônio GLP-1, responsável por estimular a liberação de insulina, retardar o esvaziamento gástrico e inibir a produção de glucagon, hormônio que estimula a produção de glicose pelo fígado. Tudo isso auxilia no controle da fome, aumento da saciedade, controle glicêmico e emagrecimento.
O feijão, por meio de fibras solúveis, amido resistente e peptídeos, também estimula a liberação desses hormônios e prolonga sua ação, ajudando a controlar a ingestão alimentar e contribuindo para o equilíbrio energético do corpo. Além disso, para quem faz uso de medicamentos como o Ozempic, o consumo de feijão é seguro e recomendado, diferentemente de comidas mais gordurosas ou ultraprocessadas, que não são indicadas.
Um estudo realizado em 2025 pela American Society for Nutrition mostrou que pessoas que consumiram uma xícara de feijão diariamente por 12 semanas apresentaram redução da interleucina 6 (IL-6), marcador de inflamação relacionado a diversas doenças crônicas, incluindo a diabetes.
Leguminosas brasileiras e seus benefícios similares
Além disso, leguminosas como a lentilha e o grão-de-bico possuem ação similar ao Ozempic, embora com efeitos que dependem do consumo diário. Os peptídeos presentes nesses alimentos promovem a liberação de GLP-1 e melhoram marcadores de resistência insulínica.
“Além de promover benefícios para a saúde metabólica, incluir leguminosas contribui para o equilíbrio dos níveis de glicose e para a redução de inflamação no organismo. Esses efeitos ajudam não apenas no controle do apetite, mas também na manutenção do peso de forma consistente e saudável”, avalia a especialista.
Produção brasileira sustentável em destaque
O Brasil se consolida como referência mundial na produção de leguminosas, com expectativa de safra recorde de 340,5 milhões de toneladas em 2025, segundo dados do IBGE. Esta marca representa um crescimento significativo que reflete os investimentos em práticas sustentáveis e ampliação das áreas de plantio.
A produção nacional de grãos e leguminosas tem se destacado não apenas pela quantidade, mas pela implementação de técnicas sustentáveis. Iniciativas como o Sistema de Plantio Direto (SPD) e rotação de culturas têm contribuído para a melhoria da estrutura do solo e redução do impacto ambiental.
O país é reconhecido como líder na produção de soja, feijão, grão-de-bico e outras leguminosas, atendendo tanto o mercado interno quanto a demanda internacional. As práticas de agricultura regenerativa têm sido cada vez mais adotadas pelos produtores brasileiros, garantindo sustentabilidade na cadeia produtiva.
Como incluir feijão e outras leguminosas no dia a dia
Para aproveitar os benefícios, recomenda-se ingerir cerca de 100 a 120g de leguminosas por refeição, podendo chegar a 200g diárias, conforme o Guia Alimentar para a População Brasileira.
“Feijão, lentilha e grão-de-bico podem ser incluídos de formas variadas na alimentação, como cozidos, em sopas, saladas, tortas, hambúrgueres vegetarianas e até como snacks na airfryer, garantindo sabor e diversidade sem cair na monotonia”, ressalta a nutricionista Lígia Luna.
Algumas estratégias ajudam a melhorar a digestibilidade e absorção de nutrientes, como deixar de molho, cozinhar bem e germinar. Essas técnicas também reduzem possíveis flatulências e aumentam a biodisponibilidade de vitaminas e minerais, além de diminuir os fatores antinutricionais.
Futuro sustentável das leguminosas
As leguminosas representam uma alternativa sustentável e nutritiva para a alimentação mundial. Com menor demanda de recursos hídricos comparado a proteínas animais e capacidade de fixação de nitrogênio no solo, esses grãos contribuem para sistemas alimentares mais resilientes e ambientalmente responsáveis.
“Dessa forma, o feijão e as outras leguminosas se consolidam como aliados do bem-estar nutricional, ajudando no controle do peso, a regulação da glicemia e o balanço da alimentação, de forma prática, segura e agradável ao paladar”, finaliza Lígia Luna.








