Iniciativa beneficiará 600 agricultores familiares em seis municípios do estado com capacitação técnica, práticas agroflorestais e agregação de valor nas cadeias do café e do cacau até 2027
Rondônia tem um novo projeto para fortalecer a bioeconomia amazônica, com foco direto em mulheres empreendedoras e agricultores familiares. Anunciado em Porto Velho no dia 13 de abril de 2026, no Palácio Rio Madeira, o projeto atua sobre as cadeias produtivas do café e do cacau — dois dos principais produtos do estado — promovendo capacitação técnica, sustentabilidade ambiental e geração de renda inclusiva.
A iniciativa, intitulada “Empoderando Mulheres Empreendedoras e Agricultores Familiares por meio da Bioeconomia em Rondônia”, beneficiará cerca de 600 pessoas entre intervenções diretas e indiretas nos municípios de Alta Floresta, Cacoal, Novo Horizonte d’Oeste, Jaru, Ariquemes e Ouro Preto do Oeste. O projeto tem duração prevista até dezembro de 2027.
Governos e agências da ONU reunidos em torno da Amazônia
O projeto é liderado pela UNIDO (Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial), com assistência técnica da FAO e da ONU Mulheres. A coordenação é do Governo do Estado de Rondônia, e o financiamento vem do Canadá, no âmbito do Fundo Brasil-ONU para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia — parceria entre o sistema ONU no Brasil, o Consórcio Interestadual da Amazônia Legal e o Governo Federal.
O anúncio reuniu representantes de todas essas instituições, além de cooperativas locais e organizações da sociedade civil. O evento foi encerrado com uma mesa redonda que envolveu atores das cadeias do café e do cacau na região.
O Governador de Rondônia, Marcos Rocha, destacou o alcance da parceria para o desenvolvimento territorial.
“Ao reunir diferentes instituições em torno desse objetivo, damos um passo importante para construir soluções mais duradouras e conectadas à realidade do nosso estado.”
Café e cacau como vetores de desenvolvimento local
Rondônia ocupa posição estratégica nas duas culturas abordadas pelo projeto: é o quinto maior produtor de café do Brasil — com destaque para o Robusta Amazônico — e o quarto maior produtor nacional de cacau, com mais de três mil produtores na cadeia. Apoiar essas cadeias, portanto, significa ampliar a competitividade de um dos estados com maior potencial produtivo da Amazônia Legal.
O Representante da FAO no Brasil, Jorge Meza, reforçou o potencial de impacto direto nas famílias produtoras da região.
“Fortalecer as cadeias do café e do cacau significa investir em sistemas agroalimentares com benefícios concretos para as famílias produtoras e para o território.”
Entre as ações previstas estão o fortalecimento da governança territorial, a adoção de práticas agroflorestais, o estímulo à agregação de valor nos produtos derivados e a criação de Unidades de Referência Tecnológica — espaços voltados à demonstração e transferência de tecnologia adaptada à realidade local. O projeto inclui ainda capacitações sobre prevenção de violência sexual e abuso, reforçando o caráter social da iniciativa.
Equidade de gênero como condição para a sustentabilidade
A participação e liderança das mulheres nas cadeias produtivas é um dos pilares centrais do projeto. A proposta parte do reconhecimento de que as desigualdades de gênero limitam o desempenho econômico e ambiental de territórios rurais — e que enfrentá-las é uma condição, não apenas um objetivo.
A Representante da ONU Mulheres no Brasil, Gallianne Palayret, foi direta ao apontar o que está em jogo.
“A bioeconomia só será sustentável se for inclusiva. E só será inclusiva se enfrentar, de forma direta, as desigualdades de gênero. Garantir a participação plena das mulheres é uma questão de direitos e, principalmente, uma condição para a inovação, para a eficiência econômica e para a sustentabilidade ambiental.”
Modelo replicável para a Amazônia
O projeto foi selecionado entre 21 propostas submetidas ao Fundo Brasil-ONU, sendo um dos apenas cinco aprovados nessa rodada. Para a Coordenadora Residente da ONU no Brasil, Silvia Rucks, a iniciativa vai além de Rondônia.
“Temos aqui uma oportunidade concreta de gerar impacto positivo na vida de centenas de pessoas, fortalecer cadeias produtivas sustentáveis e contribuir para um modelo de desenvolvimento que possa ser adaptado e replicado em outras partes da Amazônia.”
O Representante da UNIDO no Brasil, Clovis Zapata, reforçou o papel das políticas públicas para escalar o potencial da bioeconomia.
“A bioeconomia pode gerar mais valor, renda e oportunidades quando articulada a políticas públicas, inovação e fortalecimento produtivo.”
Para o setor de alimentos e foodservice, iniciativas como essa sinalizam o fortalecimento das origens de ingredientes como o cacau e o café brasileiro — com rastreabilidade, práticas agroflorestais e potencial de certificação sustentável —, atributos cada vez mais valorizados por compradores, chefs e operadores que buscam construir cardápios com impacto positivo.
