Iniciativa conduzida por Imaflora e ICV em Mato Grosso é destacada entre boas práticas globais em Saúde Única nos sistemas agroalimentares
Um projeto brasileiro dedicado a reduzir as emissões de metano da pecuária acaba de ganhar visibilidade internacional. O @Mais Eficiente, conduzido em conjunto pelo Imaflora e pelo Instituto Centro de Vida (ICV), está entre as iniciativas reconhecidas pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) por sua contribuição à abordagem de Saúde Única nos sistemas agroalimentares.
Batizado formalmente como “Reduzindo a Intensidade das Emissões de Metano do Setor da Pecuária”, o projeto atua diretamente com produtores rurais em Mato Grosso, estado que concentra um dos maiores rebanhos bovinos do país. O reconhecimento chega em um momento de pressão crescente por soluções que conciliem produtividade e redução de gases de efeito estufa no campo.
Reconhecimento em conferência global da FAO
O destaque aconteceu durante a FAO Global Conference for Actions on One Health in Agrifood Systems, realizada entre 21 e 23 de setembro na sede da FAO, em Roma. O evento reuniu soluções práticas, de impacto mensurável e alinhadas à abordagem de Saúde Única, que trata de forma integrada a saúde de pessoas, animais, plantas e ecossistemas.
As iniciativas selecionadas passaram pela avaliação de um painel internacional de especialistas indicado pela FAO. Os critérios incluíram impacto e aplicação prática, inovação, inclusão social, potencial de escala e replicação, além de sustentabilidade ao longo do tempo.
Capacitação de produtores e alinhamento com o Plano ABC+
O @Mais Eficiente já capacitou cerca de 700 produtores rurais em Mato Grosso na adoção de boas práticas que reduzem emissões e melhoram a produtividade, em alinhamento com o Plano ABC+, política federal de agricultura de baixo carbono. O projeto é financiado pela Coalizão Clima e Ar Limpo (CCAC) e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), com desenvolvimento e operacionalização de Imaflora e ICV. O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) figura como beneficiário institucional da iniciativa.
Durante a conferência em Roma, o coordenador de Ciência do Clima no Imaflora, Gabriel Quintana, representou o projeto em uma sessão de pitch e em um seminário científico. Ele também participou da 44ª reunião da iniciativa Livestock Environmental Assessment and Performance (LEAP), voltada à sustentabilidade ambiental da pecuária por meio de métodos e métricas baseados em dados, em linha com a Agenda 2030 e o Acordo de Paris.
Ao comentar o reconhecimento, Quintana relacionou o resultado ao desafio estrutural da bovinocultura de corte brasileira:
“Ganhar esse reconhecimento em uma conferência global da FAO demonstra como o projeto @Mais Eficiente está alinhado com o que a bovinocultura de corte brasileira precisa alcançar, dando escala às boas práticas que conciliam a mitigação das emissões, principalmente de metano, com os benefícios de uma maior eficiência, produtividade e resiliência para o setor.”
Impacto direto nas famílias produtoras de Mato Grosso
Para o ICV, o resultado também reforça a viabilidade de uma pecuária mais sustentável em um dos estados mais relevantes para o setor no Brasil. O trabalho de campo com as famílias produtoras da região foi apontado como fator decisivo para os resultados alcançados até aqui.
Luan Cândido, analista socioambiental do Instituto Centro de Vida, destacou os desdobramentos do projeto para o futuro da pecuária no estado:
“Nosso projeto mostrou, com resultados claros, que uma pecuária sustentável é possível em um dos maiores estados produtores do Brasil. O futuro do setor se encaminha para uma produção ampliada, com menos impactos ambientais, por meio de práticas que convergem para uma maior eficiência econômica, a conservação dos recursos naturais e a redução das emissões de metano.”
O @Mais Eficiente soma-se a um conjunto de iniciativas nacionais voltadas à descarbonização da pecuária brasileira, em um contexto no qual o país busca cumprir compromissos internacionais de redução de metano sem comprometer sua posição como um dos maiores produtores de proteína animal do mundo.
