A segurança alimentar e a sustentabilidade têm sido temas centrais no debate global sobre investimentos e o futuro dos sistemas agroalimentares.
Por Gustavo Diniz Junqueira
Recentemente, um artigo publicado pela FoodNavigator chamou a atenção por destacar a necessidade de investimentos significativos no Reino Unido para garantir a segurança alimentar e a resiliência da cadeia de suprimentos. A falta de infraestrutura adequada, mudanças climáticas e a crescente demanda por alimentos de qualidade são pontos que exigem atenção imediata.
Existem similaridades com o que enfrentamos no Brasil em termos de atratividade para os investimentos. Compartilho algumas ponderações neste artigo.
O cenário de investimento no Reino Unido
De acordo com o artigo, a indústria alimentícia e de bebidas do Reino Unido precisa de um grande influxo de capital para enfrentar os riscos emergentes que ameaçam o fornecimento e a acessibilidade de alimentos. O governo britânico, assim como as grandes empresas do setor, é chamado a investir em tecnologias que aprimorem a eficiência, reduzam o desperdício e garantam a sustentabilidade a longo prazo.
O aumento dos custos de produção e a complexidade logística que afetam o transporte e a distribuição de alimentos são questões que já começaram a impactar o Reino Unido. Investir em novas tecnologias, agricultura de precisão e infraestrutura é visto como uma necessidade urgente para garantir a segurança alimentar para as gerações futuras.
Até aqui, não há grandes diferenças com o que vivenciamos no Brasil. Temos ainda o agravante da insegurança jurídica, que desmotiva muito a chegada de capitais internacionais ao país.
Esse fato pode ser demonstrado por alguns números. Segundo a pesquisa promovida pela AgFunder, o total de investimentos realizados no Reino Unido em agrifoodtech foi de US$1.3 bilhão em 2023, com redução de 30% sobre o ano anterior. Já no Brasil, mesmo os investimentos crescendo no ano comparando a 2022, chegamos a US$224 milhões, ou seja pouco mais de 17% do total investido no Reino Unido.
Com tantas oportunidades de investimentos no Brasil, o que leva os investidores a direcionarem seus recursos financeiros a outros países que estão muito longe da capacidade produtiva nacional?
Como o Brasil pode se beneficiar de investimentos similares
No Brasil, o setor agroalimentar desempenha um papel fundamental na economia global e local. Sendo um dos maiores exportadores de alimentos do mundo, o país tem oportunidades significativas de se fortalecer ainda mais com investimentos direcionados à inovação e sustentabilidade. No entanto, muitos dos desafios enfrentados pelo Reino Unido também estão presentes no Brasil.
O agronegócio brasileiro precisa se concentrar em investimentos que melhorem a eficiência da produção, minimizem o desperdício e promovam práticas mais sustentáveis.
A agricultura de precisão, que envolve o uso de tecnologias avançadas, como drones e sensores, para monitorar e otimizar o uso de recursos, é uma área que requer mais atenção dos investidores no país.
Adicionalmente, a cadeia de suprimentos brasileira enfrenta dificuldades de infraestrutura que impactam diretamente o custo e a eficiência de transporte interno e a exportação.
Onde estão as boas oportunidades para o agronegócio brasileiro?
Investimentos em inovação podem posicionar o Brasil como um líder global em sustentabilidade agrícola. O país tem vantagem em termos de área cultivável e recursos naturais, mas essas vantagens podem ser prejudicadas se o setor não avançar tecnologicamente.
Empresas brasileiras já estão se movendo nessa direção, mas há necessidade de uma ação mais coordenada entre o setor privado e o governo para garantir a competitividade em um cenário internacional cada vez mais exigente.
Outro ponto de comparação entre o Brasil e o Reino Unido é a questão da segurança alimentar interna. Embora o Brasil produza alimentos em quantidade suficiente para alimentar sua população e ainda exportar, existem regiões onde o acesso a alimentos de qualidade ainda é um problema.
Investimentos em infraestrutura, logística e redução de desperdício são essenciais para melhorar a distribuição interna de alimentos.
A necessidade de inovação e colaboração
Assim como no Reino Unido, o setor alimentício brasileiro precisa de uma maior integração entre o setor público e privado para garantir investimentos de longo prazo.
Programas que incentivem a pesquisa em tecnologias agrícolas e soluções sustentáveis podem beneficiar não apenas a cadeia de suprimentos interna, mas também reforçar o papel do Brasil como um dos maiores players globais no setor alimentício.
Investir em tecnologias que otimizem o uso de água e energia, melhorem a produtividade e reduzam os impactos ambientais são ações que, a médio e longo prazo, podem tornar o Brasil um exemplo de como grandes economias agrícolas podem liderar a transformação global do setor.
Em resumo, os paralelos entre o cenário de investimentos no Reino Unido e no Brasil são claros: ambos os países precisam de um fluxo contínuo de investimentos para garantir a segurança alimentar e a sustentabilidade de seus setores agroalimentares.
Embora o Brasil tenha vantagens competitivas naturais, ainda há muito o que ser feito para modernizar sua cadeia produtiva e enfrentar as ameaças globais, como mudanças climáticas e instabilidade nas cadeias de suprimentos.
Gustavo Diniz Junqueira é empresário, atuando em investimentos e gestão de negócios.
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