Primeira empresa privada a aderir ao Floresta Viva 2, a cervejaria investirá em projetos com espécies nativas e sistemas agroflorestais em cinco biomas brasileiros
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Grupo Heineken no Brasil assinaram protocolo de intenções para doação de R$ 5 milhões à iniciativa Floresta Viva. Os recursos serão destinados a projetos de restauração ecológica com espécies nativas e sistemas agroflorestais.
A assinatura foi realizada pela diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello, e pelo diretor de Transformação do Grupo Heineken Brasil, Rafael Rizzi. Com a nova parceria, a empresa se torna o primeiro agente do setor privado a aderir ao Floresta Viva 2, edição 2025 da iniciativa.
Matchfunding como modelo de alavancagem
O modelo adotado pelo Floresta Viva prevê que, para cada R$ 1 investido pela Heineken, o BNDES aporta o mesmo montante — o que pode dobrar o impacto financeiro da parceria por meio do mecanismo de matchfunding. Na prática, o aporte da cervejaria pode gerar até R$ 10 milhões direcionados a projetos de restauração.
Os projetos poderão ocorrer nos biomas Cerrado, Caatinga, Pantanal, Pampa e Mata Atlântica. A iniciativa já conta com R$ 100 milhões do BNDES e tem como meta alcançar R$ 250 milhões em recursos de instituições apoiadoras.
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destacou a importância da adesão do setor privado para ampliar a escala da iniciativa e consolidar a agenda de restauração como política de desenvolvimento sustentável.
“A restauração ecológica é uma das grandes oportunidades do Brasil na agenda climática. Com o Floresta Viva, o BNDES mostra que é possível mobilizar recursos públicos e privados para recuperar áreas degradadas, fortalecer cadeias produtivas, gerar empregos verdes e proteger nossos biomas. A adesão da Heineken Brasil reforça a confiança do setor privado nessa agenda e amplia a capacidade do país de transformar restauração em desenvolvimento sustentável.”
Água como ativo estratégico para a cervejaria
A relação entre segurança hídrica e operação industrial está no centro do argumento do Grupo Heineken para justificar o investimento. A cervejaria opera 13 unidades no Brasil e tem no acesso à água um fator crítico para a continuidade do negócio.
Rafael Rizzi, diretor de Transformação do Grupo Heineken Brasil, explicou o alinhamento da parceria com a estratégia ambiental da companhia em declaração à imprensa.
“A gestão responsável dos recursos naturais, especialmente da água, é um pilar do nosso negócio. A parceria com o BNDES no Floresta Viva amplia o impacto das nossas iniciativas e reitera o papel do setor privado na construção de soluções baseadas na natureza que conciliem conservação ambiental, inclusão produtiva e desenvolvimento econômico.”
Uma coalizão em expansão
Além da Heineken Brasil, já aderiram ao Floresta Viva 2 o Banco do Nordeste, o Governo de Sergipe, o Governo do Piauí e a Prefeitura do Rio de Janeiro. Os apoios somam R$ 50 milhões do BNB, R$ 50 milhões do Governo de Sergipe, R$ 78 milhões do Governo do Piauí e R$ 5 milhões da Prefeitura do Rio.
Tereza Campello, diretora Socioambiental do BNDES, ressaltou o papel das parcerias para escalar os resultados da iniciativa e fortalecer a economia da restauração no país.
“O Floresta Viva mostra que a restauração ecológica é uma agenda concreta de desenvolvimento sustentável. Ao reunir empresas, governos e organizações executoras, o BNDES consegue ampliar escala, recuperar áreas degradadas, proteger recursos hídricos e fortalecer uma cadeia produtiva que gera trabalho, renda e benefícios ambientais para o país. A entrada da HEINEKEN Brasil nesta nova fase reforça a importância da participação do setor privado na agenda climática e de biodiversidade.”
Floresta Viva 2 amplia escopo em relação à primeira edição
A nova fase traz avanços em relação à primeira edição. Além de restauração ecológica, os projetos poderão incluir ações de conservação da biodiversidade. Também está prevista a possibilidade de emissão de créditos de biodiversidade, além dos créditos de carbono já previstos na fase anterior. Outra novidade é a implementação de um programa de capacitação e fortalecimento institucional para organizações de povos e comunidades tradicionais, que poderão participar de editais específicos para projetos de restauração em pequena escala.
A primeira edição do Floresta Viva já mobilizou cerca de R$ 470 milhões, sendo metade dos recursos do BNDES e metade de instituições apoiadoras. Foram anunciados 17 editais, com previsão de contratação de 115 projetos e restauração de cerca de 15 mil hectares. Considerando os 53 projetos já contratados, a iniciativa alcança 56 unidades de conservação, 13 terras indígenas, 17 estados e o Distrito Federal, além de 128 municípios brasileiros.
BNDES Florestas: a estratégia maior
O Floresta Viva integra o BNDES Florestas, frente estratégica que articula instrumentos financeiros reembolsáveis e não reembolsáveis para desenvolver a bioeconomia florestal no Brasil. A estratégia já mobilizou R$ 8,2 bilhões em investimentos, equivalentes ao plantio de 342 milhões de árvores e à recuperação de 205 mil hectares, com previsão de geração de 86 mil empregos verdes e captura de 66 milhões de toneladas de carbono.
A parceria com o Grupo HEINEKEN representa um novo capítulo em uma relação que já tem histórico. A companhia é apoiadora do Floresta Viva desde a primeira fase da iniciativa, com aporte de R$ 5 milhões em chamada pública para projetos em remanescentes da Mata Atlântica e zona de transição com a Caatinga, na área de recarga do Aquífero Beberibe, em Pernambuco.
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