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Mandioca, banana e abacaxi mais produtivos e resistentes a doenças chegam às comunidades indígenas do Amazonas e de Roraima por meio de parceria coordenada pela Embrapa, com investimento de R$ 2,2 milhões até 2027

A insegurança alimentar na Terra Indígena Yanomami (TIY) motivou uma ação articulada entre governo federal, instituições de ensino e pesquisa agropecuária. O Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) lidera o plano de segurança alimentar e nutricional iniciado em 2024, com a Embrapa Mandioca e Fruticultura como coordenadora técnica das atividades.

O foco está em três culturas centrais na alimentação dos povos Yanomami: mandioca, banana e abacaxi. As variedades introduzidas combinam superioridade genética com resistência às principais doenças. A escolha foi feita em parceria direta com as comunidades, respeitando seus hábitos alimentares e formas de cultivo.

Método de multiplicação de mudas chega às aldeias

Uma das principais contribuições da Embrapa ao projeto é a técnica EPMM — Estiolamento para Produção de Mudas e Miniestacas de Mandioca —, desenvolvida em cooperação com o Instituto Biofábrica da Bahia (IBB). O método estimula o crescimento alongado das plantas para, em seguida, realizar podas drásticas que transformam uma única muda em múltiplas unidades.

A tecnologia pode ser aplicada diretamente em viveiros de campo e garante produção em larga escala ao longo do ano, independentemente das condições climáticas. A técnica é especialmente relevante porque algumas comunidades Yanomami mantêm seleções próprias de mandioca, que precisam de estratégias eficientes de multiplicação.

O engenheiro-agrônomo Herminio Rocha, coordenador da Rede de Multiplicação e Transferência de Materiais Propagativos de Mandioca (Rede Reniva), detalhou como o método expande o volume de mudas disponíveis para plantio:

“Esse método quadruplica o volume do lote original de mudas. Ou seja, no caso de um lote de 100 mudas, o viveirista passa a contar, automaticamente, com mais 300 mudas e 100 miniestacas do mesmo lote.”

Infraestrutura e parceiros locais fortalecem a transferência de tecnologia

A implementação conta com parceiros estratégicos nos dois estados: o Instituto Federal do Amazonas (Ifam), o Instituto Federal de Roraima (IFRR), a Universidade Federal de Roraima (UFRR) e o Centro Indígena de Formação Raposa Serra do Sol. Câmaras de termoterapia e estufas de aclimatização estão em fase de aquisição nos campi de São Gabriel da Cachoeira (AM) e Amajari (RR), com conclusão prevista para o primeiro semestre de 2026.

Unidades de Referência Tecnológica (URTs) já foram instaladas nesses dois campi, funcionando como espaços demonstrativos para capacitar extensionistas. O analista Helton Fleck, também coordenador da Rede Reniva, informou que mais duas unidades serão instaladas em Roraima, no Instituto Insikiran e no Centro Indígena de Formação Raposa Serra do Sol.

Variedades melhoradas entram no campo indígena

No campus do Ifam em São Gabriel da Cachoeira, foram plantadas cerca de mil mudas-matrizes de dez variedades de mandioca — três para produção de farinha e sete de mesa. O abacaxi BRS Imperial (resistente à fusariose) e a banana BRS Princesa (resistente à Sigatoka-negra e à raça 4 Tropical de Fusarium) também integram o portfólio de materiais introduzidos. O recém-lançado abacaxi BRS Sol Bahia será incorporado em breve.

A banana tem importância especial para os Yanomami: trata-se de um alimento sagrado para essa população. Eurides Francisco Teixeira Júnior, professor do Ifam e coordenador do Projeto Koyeriwë — nome dado pelos próprios indígenas ao programa de fortalecimento da soberania alimentar no Amazonas —, destaca que a receptividade às tecnologias é positiva:

“A expectativa é que as comunidades repliquem esses materiais genéticos e que, com isso, consigamos aumentar a produção de alimentos.”

Formação de lideranças como eixo central

Além das tecnologias, o projeto investe fortemente na capacitação de agentes locais. Estão previstas oficinas presenciais sobre macropropagação da bananeira, uso do método EPMM e produção de mudas de abacaxi por seccionamento do talo. O curso on-line da Rede Reniva complementa a formação contínua dos técnicos envolvidos.

O projeto estrutura polos de atendimento para alcançar cerca de 40 comunidades indígenas no Amazonas, nos municípios de São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel do Rio Negro e Barcelos. Marenilson Batista da Silva, diretor de Assistência Técnica e Extensão Rural do MDA, reforça o propósito estratégico da iniciativa:

“A formação das lideranças indígenas é feita para que eles assumam o protagonismo de todas as ações, buscando estabelecer a segurança alimentar e nutricional.”

As atividades estão alinhadas ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável nº 2 da ONU — Fome Zero e Agricultura Sustentável —, inserindo o projeto no compromisso da Embrapa com a Agenda 2030.


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