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Sete unidades de pesquisa se unem para reduzir riscos climáticos na agropecuária da Região Sul

A probabilidade de o El Niño permanecer ativo até o início de 2027 chega a 99%, segundo dados internacionais. Diante da probabilidade de permanência do fenômeno climático, sete unidades da Embrapa – Clima Temperado (RS), Florestas (PR), Pecuária Sul (RS), Soja (PR), Suínos e Aves (SC), Trigo (RS) e Uva e Vinho (RS) – elaboraram uma nota técnica com recomendações para reduzir riscos na agropecuária da Região Sul do país.

O documento reúne orientações para reduzir prejuízos causados por chuvas intensas, aumento de doenças nas lavouras e outros impactos esperados. As unidades envolvidas são Clima Temperado, Florestas, Pecuária Sul, Soja, Suínos e Aves, Trigo e Uva e Vinho.

Previsão aponta El Niño forte entre novembro e janeiro

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) estima em 63% a chance de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027. Para a Região Sul, a previsão indica mais chuva, maior nebulosidade e temperaturas acima da média durante o inverno.

Essas condições podem afetar diferentes sistemas produtivos, da lavoura à fruticultura. Por isso, a nota técnica busca antecipar decisões no campo antes que os impactos se concretizem.

Planejamento antecipado é a principal ferramenta de defesa

Os pesquisadores recomendam o respeito ao Zoneamento Agrícola de Risco Climático, o acompanhamento de previsões oficiais e a adesão a programas de seguro rural. A publicação também sugere ajustar investimentos e expectativas de rendimento às condições típicas de anos de El Niño.

Sobre a base científica que sustenta essas recomendações, o agrometeorologista da Embrapa Trigo, Gilberto Cunha, destaca o avanço do conhecimento acumulado nas últimas décadas.

“Hoje sabemos muito mais sobre o El Niño do que sabíamos na década de 1980. O desafio não é prever o fenômeno, mas transformar esse conhecimento em decisões no campo.”

Fruticultura está entre as atividades mais sensíveis ao fenômeno

Culturas como videira, macieira, pessegueiro, oliveira e nogueira-pecã recebem atenção especial no documento. As orientações envolvem drenagem de pomares, manejo fitossanitário e conservação do solo.

Para o pesquisador Alex Mayer, da Embrapa Clima Temperado, a fruticultura sofre de forma particular com o excesso de chuvas típico do El Niño.

“A produção de frutas é muito sensível. Além do encharcamento do solo, também podem ocorrer perdas provocadas por ventos intensos, granizo e erosão.”

Recomendações variam conforme a cadeia produtiva

Para cereais de inverno, como trigo, cevada e aveia, o foco está na prevenção de doenças e no planejamento da colheita. Já soja, milho e arroz irrigado exigem melhor drenagem e monitoramento fitossanitário reforçado.

O documento também traz capítulos sobre silvicultura, horticultura, pastagens e plantas de cobertura. Em escala mais ampla, propõe ações de conservação em microbacias hidrográficas e o fortalecimento de sistemas como Sistemas Agroflorestais e Integração Lavoura-Pecuária-Floresta.

Comunicação com produtores é etapa central da estratégia

A Plataforma Colaborativa para Mitigação de Efeitos Climáticos Adversos na Agropecuária da Região Sul prevê capacitação de técnicos e produção de conteúdos digitais. O objetivo é ampliar o acesso às recomendações no campo.

Para José Reinaldo Moraes, pesquisador da Embrapa Clima Temperado, a mensagem central da nota técnica é sobre gestão de risco, não sobre fatalidade.

“Embora o El Niño exija atenção, ele é um evento previsível e não é sinônimo de problema garantido, e sim de mudança de padrão de risco.”

Cunha reforça essa visão ao defender uma postura ativa diante dos próximos meses. “Não podemos mais aceitar passivamente a inabilidade para lidar com impactos adversos”, afirma o pesquisador, ressaltando a importância de manter vigilância durante o período de maior alerta.

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