Produtos genéricos avançam e derrubam preço médio dos formulados; CropData, portal de dados da CropLife Brasil, detalha pela primeira vez o comércio exterior por classe de uso
As importações brasileiras de defensivos químicos totalizaram US$ 4,28 bilhões entre janeiro e maio de 2026, retração de 6,8% frente ao mesmo período de 2025. O recuo representa uma queda de US$ 314 milhões em relação ao ano anterior.
Do total importado, US$ 1,4 bilhão corresponde a produto formulado, pouco mais de um terço do montante. O resultado reflete o avanço de produtos genéricos nas compras externas do setor, segundo o mais recente Boletim CropData, plataforma de dados da CropLife Brasil.

Produto formulado lidera a retração nas importações
Entre os três grupos monitorados — produto formulado, produto técnico e matéria-prima —, o formulado foi o que mais recuou nos cinco primeiros meses de 2026. A queda no valor foi mais acentuada do que a queda no volume, o que resultou em preços unitários menores.
Esse comportamento decorre, principalmente, da maior presença de produtos genéricos nas compras externas. Em volume, as importações totais de defensivos químicos caíram 6,5%, saindo de 537,3 mil toneladas para 502,6 mil toneladas na comparação anual.

Herbicidas concentram a importação e têm a China como principal origem
Os herbicidas seguem como a principal classe de produtos formulados importados pelo Brasil. Eles representaram 34,2% do valor total (US$ 471 milhões) e 44,5% do volume (112 mil toneladas) nos cinco primeiros meses de 2026. Os herbicidas têm por finalidade controlar as plantas daninhas que competem por água, luz e nutrientes com as culturas cultivadas,
Na comparação com 2025, houve retração de 24,4% no valor importado e de 7,5% no volume, com o ticket médio caindo de 5,15 para 4,21 US$/kg. O movimento é atribuído à intensificação do uso de produtos genéricos pós-patente, em média 25% mais baratos, em um cenário de margens apertadas para o produtor rural.
A China concentra 72% do valor importado de herbicidas formulados (US$ 338 milhões) e 90% do volume, reforçando seu papel como principal fornecedora do insumo ao país.

Inseticidas e fungicidas recuam em valor, mas têm ticket médio maior
Os fungicidas são defensivos agrícolas que previnem, controlam ou eliminam doenças causadas por fungos e bactérias em lavouras.
As importações de inseticidas formulados somaram US$ 295 milhões nos cinco primeiros meses de 2026, queda de 18,1% frente ao mesmo período de 2025. Em volume, a redução foi de 21,5%, para 24 mil toneladas.
Apesar da retração, o ticket médio dos produtos subiu de 11,78 para 12,31 US/kg. Os Estados Unidos lideram o valor importado (US 93 milhões), mas a China domina em volume, com 64% do total.
Os fungicidas seguiram trajetória semelhante: importações de US$ 249 milhões, queda de 8,7%, e volume de 52 mil toneladas, retração de 10,2%. A Índia é a principal origem, com 29% do valor e 43% do volume total.
Em ambos os casos, o CropData observa que a concentração de registros em NCMs genéricos — que reúnem ingredientes ativos sem classificação própria — limita a identificação precisa dos produtos responsáveis pela alta no preço médio.

Nematicidas registram forte crescimento, mas peso ainda é pequeno
Nematicidas são defensivos agrícolas destinados a controlar, repelir ou eliminar vermes microscópicos de solo, chamados nematoides. Ao parasitar o sistema radicular de culturas essenciais como soja, milho e algodão, eles causam lesões e galhas que reduzem a absorção de águae nutrientes, comprometendo severamente a produtividade.
Diferentemente das demais classes, os nematicidas cresceram 66% em valor entre janeiro e maio de 2026, somando US$ 29 milhões. O volume avançou 40%, para 550 toneladas.
Ainda assim, a categoria representa apenas 2,1% do valor total das importações de produtos formulados no período. Os Estados Unidos respondem por 72% do valor e 51% do volume importado da classe.

Comercialização interna e novas funcionalidades do CropData
O relatório também traz dados de comercialização de produtos formulados no mercado interno brasileiro, com base em estatísticas do Ibama. Em 2024, último ano disponível, o Brasil vendeu 826 mil toneladas de produtos formulados, equivalentes a 7,73 kg/ha.
Os herbicidas lideram o uso por hectare (4,05 kg/ha), seguidos por fungicidas (1,39 kg/ha) e inseticidas (0,94 kg/ha). Segundo dado da FAO relativo a 2022, o Brasil ocupa a 45ª posição no ranking mundial de uso de defensivos por hectare, com 7,98 kg/ha.
A CropLife Brasil incorporou ao CropData três novas funcionalidades: detalhamento das importações de produto formulado por segmento e ingrediente ativo, comparativo entre produto formulado e técnico por ingrediente ativo, e dados de comercialização interna. As consultas permitem cruzar valor, volume, preço médio, país de origem e classe de uso.

Mercado em ajuste, sem sinal de queda na demanda
Os dados do boletim mostram um mercado de defensivos químicos em ajuste, marcado pela retração de valor e volume e pelo avanço de produtos genéricos nos cinco primeiros meses de 2026. O movimento está associado às margens pressionadas do produtor rural, mas não indica necessariamente redução na demanda por tecnologias de proteção de cultivos.
Os herbicidas continuam concentrando tanto a relevância quanto a pressão competitiva das importações, em meio à intensificação do manejo de plantas daninhas resistentes. Inseticidas, fungicidas e nematicidas também exigem atenção, especialmente pela recuperação do ticket médio observada mesmo com a queda nos volumes importados.
