Daabon Agropalma

Empresa colombiana passa a controlar integralmente plantações, reserva florestal e seis unidades de extração no Pará, enquanto refinaria de Limeira migra para a marca Indústrias Xhara

O Grupo Daabon, líder global na produção de ingredientes orgânicos e sustentáveis, anunciou a conclusão da aquisição de 100% da operação da Agropalma no Pará. A transação marca a entrada definitiva da companhia colombiana no Brasil e inaugura uma nova fase para a maior produtora de óleo de palma sustentável das Américas. Com a operação finalizada, a Daabon assume o controle de um complexo agroindustrial que inclui área de plantação, reserva florestal e seis indústrias de extração em Tailândia (PA), além da refinaria em Belém.

A marca e o nome Agropalma são preservados nas unidades paraenses. Já a refinaria localizada em Limeira (SP), que não integrava o acordo de compra, passa a operar integralmente como Indústrias Xhara, mantendo a gestão do grupo APAR Holdings. A separação das unidades consolida uma estrutura operacional clara: a Daabon comanda a cadeia produtiva desde o plantio até a extração no Pará, enquanto a Xhara segue com o processamento e refino em São Paulo.

Um encontro de trajetórias sustentáveis

Fundada em 1914, a Daabon acumula mais de um século de história e opera em quatro continentes, com presença significativa na cadeia de valor do óleo de palma na América Latina. A companhia combina experiência em produção sustentável e cadeias de suprimentos totalmente integradas — um perfil que guarda afinidade direta com o modelo construído pela Agropalma ao longo de mais de quatro décadas no Pará. Ambas as empresas compartilham compromisso com rastreabilidade, desmatamento zero e programas de desenvolvimento comunitário, o que facilita a continuidade das práticas já consolidadas.

Do ponto de vista de certificações, a Daabon opera sob rigorosos padrões Ambientais, Sociais e de Governança (ESG) e detém selos como Regenerative Organic Certified™ (ROC™), Fair Trade e Roundtable on Sustainable Palm Oil (RSPO). A Agropalma, por sua vez, foi pioneira no Brasil ao obter a certificação RSPO em 2011 e mantém até hoje a condição de empresa carbono negativo, com 64 mil hectares de reserva florestal preservados no Pará.

Giancarlo Dávila, CEO da Agropalma, contextualiza o significado estratégico da aquisição para o setor:

“A integração da Agropalma ao Grupo Daabon representa uma oportunidade para fortalecer o desenvolvimento responsável do setor de óleo de palma no Brasil. Contribuímos com nossa expertise em agricultura, industrialização e desenvolvimento sustentável para apoiar a estabilidade e o crescimento deste setor no país. Nosso compromisso é trabalhar ao lado dos talentos do estado do Pará para continuar construindo uma empresa sólida e competitiva, preparada para os desafios do futuro.”

Legado mantido, investimentos anunciados

A Agropalma construiu ao longo dos anos um modelo verticalizado que vai da produção de mudas ao óleo refinado e às gorduras especiais, com total rastreabilidade da cadeia. A empresa atende clientes nacionais e internacionais, exporta para Europa e mantém programas sociais como a Escola Agropalma, em Tailândia, e o Programa de Agricultura Familiar com Palma, que beneficia mais de 272 famílias no Pará. Esse conjunto de ações é reconhecido como parte central do legado que a Daabon passa a administrar.

André Gasparini, diretor Comercial, de Marketing e P&D da Agropalma, reforça o que a transação preserva:

“O legado que entregamos hoje reflete décadas de uma operação verticalizada e integrada focada na qualidade e no respeito socioambiental. No Brasil, a Agropalma sempre foi pioneira em unir a proteção dos ecossistemas ao desenvolvimento socioeconômico, atendendo clientes nacionais e internacionais com total transparência. A conclusão da transação com a Daabon garante a continuidade desse compromisso histórico.”

Novos investimentos no Pará e foco em produtividade

Como parte dessa nova fase, a Daabon anuncia que vai intensificar programas de apoio e engajamento com agricultores familiares, iniciativas já em curso pela Agropalma. A companhia também prevê aportes na melhoria da produtividade dos palmeirais próprios, em linha com o potencial de desenvolvimento do setor no Brasil. A entrada da Daabon no país é vista ainda como vetor de geração de empregos e fortalecimento de parcerias com comunidades locais no Pará.

O setor de óleo de palma brasileiro tem espaço para crescer. O país possui condições edafoclimáticas favoráveis ao cultivo do dendê, especialmente na Amazônia Oriental, e ainda ocupa posição secundária na produção global se comparado a Indonésia e Malásia. A Daabon chega ao Brasil com experiência acumulada em mercados competitivos e com um portfólio de certificações que atende às exigências crescentes de compradores europeus e norte-americanos por produtos rastreáveis e livres de desmatamento.


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