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Jason Weller defende em painel durante a conferência que país pode liderar a transformação do sistema alimentar, com foco em inovação, produtividade, economia e inclusão

O Brasil tem a oportunidade de consolidar sua posição não somente como um gigante na produção de alimentos, mas como um polo de pesquisa e inovação fundamental para a sustentabilidade global. A avaliação foi feita por Jason Weller, Chief Sustainability Officer (CSO) da JBS, durante sua participação no painel “Sistemas Sustentáveis de Pecuária Bovina: Implementando o Balanço Global”, realizado em Belém pela FGV AGRO – Centro de Estudos do Agronegócio da Fundação Getulio Vargas, com moderação do ex-ministro Roberto Rodrigues, enviado especial para a Agricultura na COP30.

O executivo destacou a relevância do país no cenário internacional ao ressaltar a qualidade da pesquisa científica brasileira e a capacidade de inovação do setor agropecuário nacional. A declaração foi feita em um momento estratégico, com o Brasil sediando uma das principais discussões globais sobre clima e sustentabilidade.

Crise climática e segurança alimentar: desafios interconectados

Weller ressaltou que a urgência climática deve ser abordada em conjunto com o enfrentamento da crise de segurança alimentar. O diretor global de sustentabilidade da JBS apresentou um panorama preocupante sobre o cenário mundial de alimentação.

O executivo citou dados alarmantes da ONU, indicando que 2,3 bilhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar moderada a grave, um cenário que exige soluções integradas. Para ele, não é possível dissociar a discussão sobre mudanças climáticas da necessidade de garantir alimentos suficientes e acessíveis para a população global.

Dois pilares para a transformação do sistema alimentar

Para o CSO da JBS, o caminho para a transformação dos sistemas alimentares, embora complexo, deve ser simplificado em dois pilares fundamentais: garantir transparência e governança em toda a cadeia de suprimentos e oferecer oportunidades econômicas claras aos produtores rurais. Segundo Weller, essas duas frentes precisam caminhar juntas para que as mudanças sejam efetivas e duradouras.

Ele argumenta que a sustentabilidade precisa estar alinhada ao interesse comercial, já que o produtor é um empresário que busca eficiência e mercado. A visão do executivo é pragmática: sem viabilidade econômica, as práticas sustentáveis dificilmente serão adotadas em escala pelos produtores rurais.

“Se você fizer uma coisa sem a outra, você realmente não terá sucesso”, afirmou Weller ao defender a integração entre controle da cadeia e transparência. O executivo enfatizou que melhorias de produtividade vão falhar se não estiverem ligadas à melhor governança e rastreabilidade.

O papel da ciência brasileira na descarbonização

O diretor global de sustentabilidade da JBS destacou o papel da Embrapa por sua “liderança e sua ciência profunda”. A menção à empresa pública de pesquisa agropecuária reforça o reconhecimento internacional da qualidade da ciência desenvolvida no Brasil.

Weller citou ainda uma pesquisa da FGV em parceria com a Abiec, que aponta o vasto potencial de descarbonização do setor. O estudo indica que a redução de carbono por quilo de carne produzida pode oscilar entre 79,9% e 92,6% até 2050, dependendo do nível de adoção de práticas sustentáveis. Os números demonstram que o setor pecuário brasileiro possui ferramentas concretas para contribuir significativamente com as metas climáticas globais.

Escritórios Verdes: inclusão como estratégia de sustentabilidade

O executivo reforçou que o programa Escritórios Verdes da JBS evoluiu com o foco na inclusão. A iniciativa representa uma mudança de abordagem na forma como a indústria lida com produtores que enfrentam questões de conformidade ambiental.

“Impedir que os agricultores vendam seus produtos não é uma transição justa. É exclusão. Estamos muito mais interessados na inclusão”, enfatizou Weller. O posicionamento reflete uma visão de que a sustentabilidade deve ser construída com os produtores, e não contra eles.

A iniciativa já trouxe mais de 20 mil fazendas de volta à conformidade legal, propiciando a reinserção de mais de 5 milhões de animais no mercado, provando a eficácia do trabalho conjunto na busca pela legalidade e sustentabilidade. Os resultados práticos do programa demonstram que é possível conciliar objetivos ambientais com a manutenção da atividade produtiva.


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