Investimento de R$ 900 mil já foi recuperado, e versões sem o conservante respondem por 41% das vendas de salsichas da marca
Tirar o nitrito da salsicha vermelha era o desafio técnico. Cobrar mais por isso estava fora de cogitação. A Berna, indústria de embutidos premium fundada nos anos 1960 por uma família de charcuteiros suíços, apresenta a primeira salsicha de cachorro-quente sem o conservante no mercado brasileiro.
O produto exigiu um ano de desenvolvimento para manter sabor, textura e segurança microbiológica sem o aditivo. A empresa aplicou R$ 900 mil em infraestrutura, testes e pesquisa e desenvolvimento. O valor já foi integralmente recuperado pelo desempenho comercial das novas opções.
Duas versões chegam ao mercado: a Swiss Dog, com blend bovino e suíno e redução de sódio, e a All Beef, 100% bovina, no estilo americana. Ambas fazem parte do plano de transformar todo o portfólio de salsichas da Berna em versões livres do conservante sintético até o final de 2027.
Sem nitrito já pesa 41% nas vendas de salsichas
As salsichas de hot dog sem nitrito já correspondem a 18% do volume comercializado da categoria pela Berna. As linhas brancas de receita suíço-germânica, Weisswurst e Kalbsbratwurst, representam 24% e nunca levaram o componente. Somados, os produtos sem nitrito respondem por 41% das vendas de salsichas da fabricante.
No varejo especializado, que reúne supermercados, padarias e empórios, a Swiss Dog assumiu o primeiro lugar em vendas entre todas as salsichas do portfólio. Hoje, 45% dos clientes B2B ativos da marca no varejo já abastecem as gôndolas com pelo menos uma das opções sem o aditivo.
A aceitação aparece também nas seis lojas próprias da Berna. Ali, duas das opções sem nitrito estão entre os cinco produtos mais vendidos de todo o catálogo.
Mesmo preço e foco em giro no ponto de venda
A estratégia comercial não buscou margem maior com posicionamento gourmet. Segundo João Rodolfo Häfeli, CEO da Berna, o objetivo foi ganhar escala e giro nas prateleiras. O executivo explica que a decisão responde à evolução tecnológica e à busca do consumidor por rótulos mais limpos:
“A decisão de remover o nitrito não nasceu de uma tentativa de cobrar mais por um produto diferenciado. Vendemos as opções sem o ingrediente pelo mesmo valor das versões convencionais da marca. O objetivo é acompanhar a evolução tecnológica e responder à busca do consumidor por rótulos mais limpos (clean label), sem transformar a saudabilidade em um item inacessível.”
Fábrica de Louveira se prepara para a meta de 2027
A boa resposta do mercado acelerou a expansão da unidade em Louveira, no interior de São Paulo. A companhia iniciou a readequação do layout fabril e o plano de ampliação da capacidade de pasteurização. O pacote inclui novos equipamentos de processamento e sistemas de resfriamento rápido, necessários para eliminar 100% do nitrito até o fim de 2027.
A mudança consolida a modernização de um negócio familiar que hoje está na terceira geração. A empresa busca crescer sem abrir mão da essência dos primeiros anos de operação.
Ao descrever o desafio técnico da salsicha vermelha, Häfeli, CEO da Berna, une inovação e tradição. O executivo também fala do lado pessoal da decisão:
“Produtos como a Weisswurst e a Kalbsbratwurst sempre foram produzidos por nós sem nitrito, mas a cor branca tem menor adesão ao paladar do brasileiro. Nosso desafio técnico foi transpor essa característica para a salsicha vermelha sem perder a identidade. Conseguimos usar a tecnologia para preservar uma tradição de mais de seis décadas, adaptando nosso negócio aos novos tempos, garantindo a qualidade que sempre marcou nossos produtos. Esse ano vou me tornar pai. Quero olhar para o que estamos construindo e saber que meu filho poderá se orgulhar do que produzimos. Para mim, essa é a melhor definição de inovação, ser capaz de evoluir sem perder aquilo que faz parte da nossa história.”
