Com crescimento global acelerado, categoria pressiona indústria a rever portfólio e apostar em produtos com menos açúcar e apelo natural
A disputa por espaço no mercado de bebidas entra em uma nova fase impulsionada pelo avanço das opções plant-based e com apelo natural. Com consumidores mais atentos à composição dos produtos e à redução de açúcar e calorias, empresas do setor aceleram a revisão de portfólios para acompanhar uma demanda bilionária. O mercado global de bebidas plant-based foi estimado em cerca de US$ 29 bilhões em 2025 e deve ultrapassar US$ 70 bilhões até 2032, com crescimento anual acima de 10%, segundo a Persistence Market Research.
O movimento pressiona tanto grandes companhias quanto novos entrantes a reposicionar suas ofertas em um ambiente cada vez mais competitivo. Mais do que tendência, a busca por produtos com formulações mais simples e ingredientes de origem vegetal passa a influenciar decisões estratégicas — da inovação ao branding — em um setor historicamente dominado por bebidas com alto teor de açúcar.
Energéticos naturais como resposta ao novo consumidor
É nesse contexto que a Machu Picchu Energy inicia sua operação no Brasil, apostando em um energético à base de erva-mate, sem açúcar, sem calorias e sem gás. A proposta se apresenta como alternativa às versões tradicionais, frequentemente associadas à sensação de palpitação. A empresa chega ao país mirando um consumidor que busca energia com menor impacto no bem-estar.
Esse perfil de consumidor vem ganhando espaço nas pesquisas de comportamento alimentar. A procura por produtos funcionais e com ingredientes reconhecíveis cresce em diferentes faixas etárias, impulsionada pela maior consciência sobre saúde e pela disponibilidade de informação. Nesse cenário, marcas que conseguem comunicar benefícios concretos e formulações transparentes saem à frente.
Funcionalidade define o novo papel das bebidas
O setor de bebidas vive uma reconfiguração do que se espera de um produto. O energético deixa de ser visto apenas como um estimulante de alta intensidade e passa a disputar espaço como parte de uma rotina mais equilibrada. Esse reposicionamento exige das marcas tanto inovação de fórmula quanto clareza de comunicação.
“Observamos uma mudança no papel das bebidas, que passam a ser incorporadas à rotina com uma função mais definida, que é de fornecer energia sem comprometer o bem-estar”, afirma Bernardo Paiva, sócio fundador da Machu Picchu Energy.

Informação e bem-estar moldam escolhas de compra
Para além da formulação, o avanço da categoria também redefine a forma como as marcas se posicionam no mercado. O consumidor mais informado passou a comparar rótulos, questionar ingredientes e priorizar produtos alinhados ao seu estilo de vida — comportamento que acelera a obsolescência de bebidas com perfis nutricionais ultraprocessados.
“O consumidor está mais informado e tende a buscar produtos alinhados a uma rotina de bem-estar. Essa adaptação nos levou a desenvolver um energético que entrega energia de forma mais gradual, sem um pico energético ou desconfortos associados”, diz Carolina Bassili, diretora de marketing da Machu Picchu Energy.
Marca aposta em impacto social como diferencial
Fundada nos Estados Unidos por Bernardo Paiva, ex-CEO da Ambev, ao lado dos cofundadores Silvio Reichert e Silvio Morais, a Machu Picchu Energy estruturou seu portfólio em torno de três sabores — Ocean Citrus, Wild Berry e Alpine Mint —, todos com ingredientes naturais. Além do posicionamento de produto, a startup incorpora ao modelo de negócio um compromisso com iniciativas sociais: 1% da receita é destinado a projetos voltados à educação e ao desenvolvimento infantil em três países.
A chegada ao Brasil em 2026 marca o primeiro movimento de expansão internacional da marca fora dos Estados Unidos, sinalizando a aposta no mercado latino-americano como vetor de crescimento para a categoria de energéticos naturais.
