Especialista explica o que realmente importa na escolha, no consumo e na conserva
Cada vez mais presente na mesa dos brasileiros, o azeite também desperta interesse quando o assunto é alimentação equilibrada. Ingrediente tradicional da dieta mediterrânea, ele é fonte de gorduras monoinsaturadas, especialmente do ácido oleico. Os azeites virgens e extra virgens ainda concentram compostos fenólicos, estudados por suas propriedades antioxidantes e por possíveis efeitos sobre a saúde.
Com o aumento do consumo e da oferta no país, também crescem as dúvidas sobre como escolher, utilizar e conservar o produto. Para separar o que é fato do que é achismo, especialistas do setor ajudam a esclarecer os principais pontos.
O que diz a ciência sobre o azeite
O interesse pelo ingrediente vai muito além da cozinha e passa por seus componentes nutricionais, tema que desperta atenção tanto de consumidores quanto de pesquisadores:
Eduardo Casarin, diretor da Filippo Berio no Brasil, explica:
“Quando falamos de azeite, estamos falando de um ingrediente que reúne atributos nutricionais e gastronômicos. O ácido oleico e os compostos fenólicos estão entre os componentes que despertam o interesse da ciência, enquanto o aroma, o sabor, o amargor e a picância ajudam a definir a experiência à mesa. Entender essas características é uma forma de fazer escolhas mais conscientes e aproveitar melhor o produto no dia a dia.”
Do ponto de vista nutricional, o azeite reúne um conjunto de compostos que vem sendo associado a benefícios cardiovasculares. É o que destaca Cintya Bassi, coordenadora de nutrição e dietética do São Cristóvão Saúde:
“Esses ácidos graxos são benéficos para a saúde cardiovascular, ajudando a melhorar o perfil lipídico, aumentar o colesterol bom (HDL) e reduzir o colesterol ruim (LDL). Além disso, o azeite é repleto de antioxidantes, como o hidroxitirosol, que exerce uma ação protetora no coração e no cérebro. Ele também é uma rica fonte de vitaminas E e K e esteróis vegetais, que auxiliam no controle do colesterol.”
O crescimento do interesse também aparece nos números do setor. Segundo o Conselho Oleícola Internacional (IOC), o Brasil importou 80.768 toneladas de azeite na safra 2024/25, respondendo por cerca de 9% das importações mundiais e 3,1% do consumo global. Entre outubro de 2025 e março de 2026, as importações brasileiras cresceram 40,5% na comparação com o mesmo período da safra anterior.
Mitos e verdades sobre o azeite
Com a popularização do produto, também se espalham informações incompletas ou equivocadas sobre seu uso e suas propriedades. Confira o que é mito e o que é verdade:
VERDADE | O azeite é fonte de gordura monoinsaturada
O ácido oleico é o principal ácido graxo do azeite e está associado a um perfil de gordura considerado favorável dentro de uma alimentação equilibrada.
VERDADE | Azeites virgens e extra virgens possuem compostos fenólicos
Esses compostos são obtidos diretamente das azeitonas por processos exclusivamente mecânicos. Sua concentração pode variar de acordo com a variedade da azeitona, o estágio de maturação e as condições de produção e armazenamento.
MITO | Quanto mais picante, melhor o azeite
Amargor e picância são características sensoriais que podem estar relacionadas à presença de compostos fenólicos, mas não são, isoladamente, indicadores de qualidade.
VERDADE | O azeite pode ser usado para cozinhar
Pode ser utilizado em refogados, assados e grelhados. Como outros óleos, não deve ser levado a temperaturas que provoquem fumaça excessiva.
MITO | Azeite extra virgem é a única opção que pode fazer parte de uma alimentação equilibrada
A categoria extra virgem tem características específicas de qualidade e composição, mas diferentes tipos de azeite podem ser utilizados de acordo com a finalidade e a preferência do consumidor.
VERDADE | O azeite combina com muito mais do que saladas
Pode ser usado no preparo e na finalização de legumes, verduras, massas, grãos, peixes, carnes, molhos, marinadas e até algumas sobremesas.
MITO | A cor mais verde significa que o azeite é melhor
A tonalidade pode variar conforme a variedade da azeitona e seu grau de maturação, e não deve ser usada isoladamente para avaliar a qualidade.
VERDADE | A forma de conservação influencia a qualidade
Luz, calor, oxigênio e tempo podem acelerar a deterioração do azeite. Por isso, depois de aberto, o produto deve permanecer bem fechado e protegido da luz e do calor.
MITO | Amargor é sinal de azeite estragado
Em azeites virgens e extra virgens, certo grau de amargor pode ser uma característica sensorial natural, relacionada à presença de compostos fenólicos.
Azeite e saúde cardiovascular
Além das características sensoriais, pesquisas científicas vêm investigando a relação entre o consumo de azeite e diferentes indicadores de saúde. Uma meta-análise publicada em 2024 pelo European Journal of Preventive Cardiology, que reuniu 30 estudos e mais de 2,7 milhões de participantes, encontrou associação entre maior consumo de azeite e menor risco de doenças cardiovasculares e mortalidade.
Para Casarin, entender essas nuances é o que realmente orienta um bom consumo:
“Mais do que saber se um azeite é mais suave ou mais intenso, é importante entender suas características e como elas se relacionam com a forma de consumo. Azeite é um ingrediente versátil, que pode trazer sabor às refeições e fazer parte de uma alimentação equilibrada.”
No Brasil, onde o mercado segue em expansão, conhecer melhor o produto pode ajudar o consumidor a fazer escolhas de acordo com suas preferências e necessidades, além de aproveitar melhor seus atributos nutricionais e gastronômicos.
