Iniciativa reuniu enologia, viticultura regenerativa e exposição da marca em uma experiência imersiva na capital paulista
A Chandon realizou a Casa Chandon em São Paulo, iniciativa que reuniu em um só espaço a trajetória da marca no Brasil, suas práticas de viticultura sustentável e o portfólio de espumantes que ganhou o paladar brasileiro nas últimas décadas. O projeto chegou em um momento de expansão da vinícola, que soma investimentos em regeneração de solo, biodiversidade e novos formatos de consumo, como o Chandon Garden Spritz.
Para detalhar os bastidores dessa fase, conversei com Delphine Vazquez, Estate Director da Chandon Brasil, responsável pelas questões relacionadas à sustentabilidade, e com Adriano Ciavdar, diretor de marketing da Moët Hennessy Brasil, que responderam sobre o desempenho da Chandon no país.
Confira, a seguir, a entrevista na íntegra:
Clima e viticultura regenerativa no Rio Grande do Sul
Quais são as perspectivas para a produção de uvas no Rio Grande do Sul diante das recentes alterações climáticas?

Delphine Vazquez: A Chandon trabalha há bastante tempo com a viticultura regenerativa para proteger o solo. Essa proteção permite limitar a erosão e a lixiviação, e essas práticas são adotadas em nossos vinhedos próprios, em Encruzilhada do Sul. Também incentivamos nossos viticultores a trabalhar da mesma forma, buscando melhores práticas para a viticultura.
A viticultura brasileira sempre foi desafiadora em razão das condições climáticas. As mudanças climáticas potencializaram riscos como geadas tardias e granizo, que impactam a fenologia da videira e exigem agilidade e adaptabilidade dos recursos para a gestão de safras antecipadas ou compactadas.
Relacionamento com viticultores parceiros
A Chandon precisou adaptar o relacionamento com os viticultores para garantir o padrão de qualidade das uvas? Se sim, de que forma?
Delphine Vazquez: A Chandon trabalha com os viticultores desde o início da vinícola no Brasil. Nossos viticultores acompanham as mudanças e são capacitados continuamente e anualmente para avaliá-las e agir sempre que necessário.
Também mantemos acompanhamento e comunicação diários com nossos viticultores, por meio de um aplicativo, o que permite respostas rápidas diante de adversidades climáticas.
Sustentabilidade e inovação como pilares
Quais outras iniciativas ou resultados da Chandon Brasil podem ser destacados em relação à sustentabilidade e à inovação?
Delphine Vazquez: A Chandon foi a primeira vinícola brasileira de espumantes a obter a certificação de viticultura sustentável pelo PIUP, com os vinhedos de Encruzilhada do Sul certificados desde 2020 e os de Garibaldi desde 2024.
Entre as práticas de viticultura regenerativa estão o uso de bioinsumos, 0% de herbicidas, o não revolvimento do solo, a cobertura vegetal em 100% dos vinhedos e o uso de composto orgânico produzido a partir do próprio bagaço da uva, promovendo a economia circular.
O trabalho também contempla a preservação da biodiversidade. A Chandon mantém 100 hectares de vegetação nativa, com corredores biológicos e áreas de abrigo para aves, sendo 80 hectares no bioma Pampa e 20 hectares na Mata Atlântica. Em Encruzilhada do Sul, desenvolve, em parceria com a Embrapa, um programa de replantio de 3 mil butiazeiros ameaçados de extinção. Além disso, são preservadas 170 araucárias nativas e mantidas 90 colmeias nos dois vinhedos, com seis espécies de abelhas nativas brasileiras sem ferrão.
Troca de conhecimento entre operações globais
Pode compartilhar exemplos de colaboração entre a equipe brasileira e outras operações da Chandon no mundo, como a troca de conhecimento entre os enólogos, por exemplo, a experiência do Philippe Mével na China e em outros países onde Chandon mantém indústrias?
Delphine Vazquez: A Chandon trabalha em comunidade. Temos uma comunidade de winemaking que inclui nossa equipe de enologia no Brasil, formada por Philippe, Bruno e Graciele. Eles participam de reuniões mensais com as outras unidades da Chandon e trabalham em projetos transversais para a marca, relacionados a temas como estilo e leveduras, entre outros.
Na área de vinhedos, há também uma comunidade global no âmbito da Moët Hennessy, que trabalha na harmonização de indicadores e compartilha melhores práticas sobre gestão de resíduos, práticas regenerativas e conservação do solo.
Há quatro anos, contamos com a consultoria Genesis, que avalia os solos e a vida dos solos dos diferentes vinhedos da Moët Hennessy no mundo. Nessa avaliação, a Chandon Brasil apresentou solos significativamente melhores do que solos nativos.
Também existem comunidades para diferentes equipes da vinícola, como segurança, manutenção, compras, vinhedos e Brand Home.
Philippe Mével, como integrante dessa comunidade enológica, também atua como consultor interno e assessora, em particular, a equipe da Chandon China.
Chandon garden spritz e tendências de consumo
Há algum dado que possamos compartilhar sobre o desempenho de Chandon Garden Spritz no Brasil, abertura para novos públicos ou tendências de consumo de bebidas prontas para consumo e de espumantes no Brasil e no mundo?

Adriano Ciavdar: Sobre Chandon Garden Spritz, o que podemos compartilhar é que o produto já representa, em média, 7% em todas as regiões brasileiras em que a Chandon está presente.
Garden Spritz acompanha uma tendência de consumo da categoria de ready to drink (RTD), que cresce a dois dígitos, e abraça um público jovem que busca bebidas mais leves e refrescantes para novas ocasiões de consumo durante o dia, como brunch, piscina, praia e sunset.
