Brasil no mercado agro global

Debates baseados em comprovação técnica, certificação e governança fortalecem a confiança de compradores e consumidores nos produtos brasileiros no mercado agro global

A Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa do Agronegócio (Fundepag) segue fomentando discussões sobre como a convergência entre tecnologia, métricas e governança se apresenta como um estímulo à cadeia agrícola, com o objetivo de oferecer mais garantias de sustentabilidade ao mercado agro global e junto aos consumidores finais. Análises realizadas pela entidade indicam que o registro de dados e a comprovação técnica dos processos produtivos são essenciais para validar o impacto ambiental e a origem das mercadorias.

A estruturação desses indicadores é debatida pela Fundepag a partir da perspectiva de representantes das áreas de tecnologia e certificação. As discussões avaliam como alianças entre consultorias especializadas e sistemas digitais contribuem para preparar o setor frente às exigências de mercados internacionais. Segundo o líder de novos negócios da Fundepag, Denys Biaggi, a aplicação de normas e o monitoramento de resultados moldam a produção agrícola com valor agregado para a comercialização.

Brasil conquista 500 novos mercados internacionais com produtos do agro

O contexto favorável para a aplicação dessas estratégias de certificação e rastreabilidade ganha ainda mais relevância diante dos resultados recentes do Brasil no comércio exterior. O país celebrou em dezembro de 2025 a abertura histórica de 500 novos mercados internacionais em mais de 80 países, resultado de ação integrada entre o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), a ApexBrasil, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) e o Ministério da Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

As novas aberturas de mercados já resultaram em US$ 3,4 bilhões em exportações brasileiras. Entre 2023 e 2025, o esforço conjunto entre ApexBrasil, MAPA e MRE alcançou US$ 18 bilhões em negócios projetados, atendendo mais de três mil empresas brasileiras. O marco foi alcançado após 19 missões oficiais presidenciais e cinco vice-presidenciais, ampliando a conexão com mercados prioritários.

Segundo o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, a ampliação demonstra a confiança internacional no padrão sanitário brasileiro.

“Em 2023, o presidente Lula colocou como meta abrir 200 novos mercados e restabelecer boas relações diplomáticas. E agora, três anos depois, chegamos a 500. Isso mostra o esforço de toda uma equipe e a confiança que os países têm no padrão sanitário brasileiro. Cada abertura traz mais renda para o campo, mais oportunidade para quem produz e mais reconhecimento para os nossos produtos”, destacou Fávaro.

Os 500 mercados abertos têm potencial de exportação de mais de US$ 37,5 bilhões por ano, de acordo com estimativas do MAPA. Entre os produtos habilitados nesses novos mercados estão carnes, algodão, frutas e pescados. O presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, ressalta que a conquista demonstra a competitividade do Brasil e sua capacidade de criar oportunidades para empreendedores de todas as regiões do país.

O executivo destaca a importância da integração entre diferentes elementos do sistema produtivo.

“O alinhamento entre soluções digitais, indicadores de desempenho e modelos de gestão é fundamental para assegurar que produtor, indústria e consumidor confiem tanto nos resultados quanto no impacto ambiental da produção agro”, afirma Biaggi.

Recuperação de solo e mensuração de carbono impulsionam práticas sustentáveis

O consultor da Fundepag, Fernando Naufal, aborda iniciativas direcionadas à regeneração ambiental e à criação de métricas que conectam produtores a mercados dispostos a valorizar a preservação. Entre as práticas destacadas estão o uso de biochar para recuperação do solo e o atendimento a requisitos regulatórios que viabilizam relações comerciais baseadas em sustentabilidade.

Naufal contextualiza a relação entre boas práticas e acesso a mercados diferenciados.

“Trata-se de uma relação de boas práticas agrícolas e mercado. A regeneração baseada em dados e comprovação técnica conecta o produtor a compradores que remuneram a sustentabilidade e fortalecem as relações comerciais”, declarou.

A mensuração de carbono e outras métricas ambientais têm ganhado relevância no cenário internacional, especialmente diante das crescentes exigências de importadores que buscam garantias sobre a origem e o impacto dos produtos adquiridos. De acordo com dados do Radar Agtech Brasil 2024, práticas regenerativas e bioinsumos estão entre as principais tendências que apoiam o agronegócio no enfrentamento de desafios climáticos.

Infraestrutura tecnológica garante rastreabilidade ao longo da cadeia

Especialistas destacam que a infraestrutura tecnológica necessária para viabilizar essa conexão entre produção e consumo também merece atenção. Soluções voltadas ao registro de origem, qualidade e às condições de transporte dos produtos contribuem para a construção de sistemas de rastreabilidade ao longo de toda a cadeia, favorecendo a comercialização.

A rastreabilidade tem sido reconhecida como elemento estratégico para o agronegócio brasileiro. Ferramentas de agricultura digital, como sensores IoT, satélites e modelagem preditiva, permitem aos agricultores monitorar processos produtivos em tempo real e ajustar estratégias conforme as demandas do mercado e as condições ambientais.

Certificação e conformidade internacional como diferenciais competitivos

Também é ressaltada a importância das auditorias e do reconhecimento internacional de normas de qualidade. A conformidade com padrões técnicos é apontada como fator determinante para o acesso a mercados com critérios rigorosos de seleção. A transparência e a conformidade são instrumentos estratégicos para ganho competitivo e para a construção de confiança junto ao consumidor.

Os sistemas de certificação desempenham papel fundamental na validação de processos produtivos sustentáveis. A adoção de normas reconhecidas internacionalmente permite que produtores brasileiros acessem mercados premium, onde a remuneração pela qualidade e sustentabilidade é significativamente superior.

Biaggi reforça que a convergência entre tecnologia e certificação amplia as possibilidades de comercialização.

“A convergência desses elementos contribui para a redução de perdas, a prevenção de fraudes e o fortalecimento da governança baseada em evidências técnicas, ampliando a segurança na aquisição de produtos de origem rural e favorecendo competitividade na hora de sua comercialização”, conclui o líder de novos negócios da Fundepag.

Ações integradas ampliam presença do Brasil em mercados prioritários

A integração entre digitalização e certificação representa um caminho estratégico para o agronegócio brasileiro ampliar sua presença em mercados internacionais exigentes. Entre 2023 e 2025, foram realizadas mais de 170 ações internacionais em 42 países, demonstrando a articulação entre governo e setor privado para identificar potenciais mercados, mapear oportunidades e conectar exportadores a importadores.

Até outubro de 2025, a ApexBrasil registrou um recorde histórico de 20.754 empresas apoiadas no ano, sendo 66% delas de micro, pequenas e médias empresas, com foco especial nas regiões Norte e Nordeste. A estratégia de descentralização das ações de promoção comercial tem permitido que produtores de diferentes regiões do país acessem ferramentas e conhecimentos para atender às exigências de mercados internacionais.

A capacidade de comprovar tecnicamente a sustentabilidade e a qualidade dos produtos se torna cada vez mais um diferencial competitivo essencial para o setor. A diplomacia presidencial e o trabalho articulado entre diferentes órgãos governamentais têm criado um ambiente favorável aos negócios, vencendo barreiras por meio do diálogo e identificando mercados alternativos para produtos brasileiros em um cenário mundial de incertezas.


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