Tecnologia de preservação física dispensa aditivos e mantém valor nutricional dos vegetais, segundo especialistas do setor
Na busca por uma alimentação que equilibre nutrição e praticidade, os vegetais em conserva enfrentam um desafio de percepção. A crença de que esses produtos são inferiores aos frescos persiste há gerações, mas não reflete os avanços tecnológicos da indústria alimentícia moderna. Especialistas apontam que é possível inserir vegetais envasados na dieta de forma saudável e equilibrada, com benefícios que vão além da conveniência.
Alimentos comercializados em latas ou embalagens tipo sachê, como milho, grão de bico e cenoura, otimizam o tempo de preparo e garantem consistência de sabor, qualidade e textura. Diferentemente do produto in natura, que pode apresentar variações conforme a safra, os vegetais em conserva mantêm um padrão uniforme de características organolépticas.
Processo físico substitui conservantes químicos
A chef e consultora gastronômica Roberta Garcia, da marca Quero, da Kraft Heinz Brasil, esclarece que os vegetais em conserva modernos dispensam o uso de aditivos alimentares graças ao processo de esterilização.
“Os vegetais são cozidos e vão para embalagem apenas com água e sal. Para pessoas com rotinas corridas, podem ser uma alternativa prática e segura para garantir a ingestão de vegetais que são considerados a base da alimentação segundo as recomendações da OMS”, explica a especialista.
O método de preservação é físico, não químico. Os vegetais são envasados e selados hermeticamente, formando vácuo, e passam por tratamento térmico em altas temperaturas. Essa combinação de calor e ausência de oxigênio elimina microrganismos e reduz a degradação causada pela luz, preservando o produto sem necessidade de conservantes artificiais.
Valor nutricional preservado
Embora possa haver alguma perda de nutrientes sensíveis ao calor, como a vitamina C, a maioria dos componentes nutricionais é preservada no processo de esterilização. As fibras, essenciais para o funcionamento intestinal, permanecem intactas. Proteínas, carboidratos, lipídios e minerais também não sofrem alterações significativas durante o enlatamento.
Estudos nutricionais demonstram que o processamento térmico dos vegetais em conserva é comparável ao cozimento doméstico em termos de perda nutricional. Em alguns casos, como no tomate processado, há até aumento da biodisponibilidade de compostos bioativos, como o licopeno, um antioxidante com propriedades protetoras.
Gestão do teor de sódio
A salmoura utilizada na conservação contém sódio, que tem função de preservar e agregar sabor. No entanto, esse componente pode ser facilmente controlado pelo consumidor.
Sobre a gestão do sódio, especialistas recomendam escorrer e lavar os vegetais em água corrente, prática que reduz significativamente o teor de sal. A indústria tem investido constantemente na redução dos valores de sódio em seus produtos, visando atender às diretrizes de saúde pública sem comprometer a conservação e a qualidade.
A Kraft Heinz Brasil, por exemplo, mantém um compromisso público de redução progressiva de sódio em todo seu portfólio, incluindo a linha Quero.
Decisão consciente sobre o líquido da conserva
A escolha de lavar ou não os produtos enlatados depende da preferência pessoal e da receita a ser preparada. A salmoura, geralmente composta de água e sal, é segura para consumo, mas pode interferir no paladar final.
Para preparações onde se busca o sabor puro do vegetal, como saladas ou recheios, recomenda-se escorrer e enxaguar. Em outros casos, como sopas ou ensopados, o líquido já temperado pode ser aproveitado para compor o caldo, agregando sabor e nutrientes que se dissolveram durante o processamento.
Tecnologia moderna nas embalagens
Percepções antigas sobre alteração de sabor causada pelo contato com a lata não correspondem à tecnologia atual. As embalagens modernas possuem revestimentos internos seguros, aprovados por rigorosos controles de qualidade, que impedem qualquer migração de sabor ou metal para o alimento.
O gosto característico do produto em conserva resulta do cozimento dentro da própria embalagem durante o processo de esterilização. Isso garante consistência do paladar, evitando as variações de doçura ou textura que o alimento in natura pode apresentar dependendo da safra ou condições de cultivo.
Inovação em embalagens sustentáveis
A indústria tem investido em soluções inovadoras de embalagem que aliam praticidade e sustentabilidade. A Fugini, líder nacional em molhos de tomate e vegetais, foi pioneira no lançamento de embalagens tipo sachê para atomatados e primeira empresa mundial a embalar vegetais nesse formato.
Essa inovação representa uma das soluções mais eficazes e seguras para preservação de alimentos. A empresa implementa práticas pioneiras de gastronomia sustentável em suas unidades de Monte Alto (SP) e Cristalina (GO), investindo em caldeiras ecológicas de biomassa que convertem resíduos orgânicos do próprio processo produtivo em energia limpa.
O compromisso com ingredientes naturais e práticas sustentáveis evidencia-se nas linhas de milho e tomate da Fugini, onde prioriza formulações sem conservantes artificiais e promove redução de sal, açúcar e gorduras na maioria dos produtos.
Alternativas de processamento a vapor
Além das conservas tradicionais em lata, outras tecnologias de preservação têm ganhado espaço no mercado brasileiro. A Vapza, empresa paranaense certificada como B Corp, trouxe de forma pioneira ao Brasil uma tecnologia que permite a produção de alimentos cozidos a vapor e embalados a vácuo, sem necessidade de refrigeração.
Presente no mercado desde 1994, a Vapza oferece grãos, tubérculos, vegetais e carnes processados com tecnologia que garante segurança alimentar sem conservantes químicos. A empresa conta com certificações internacionais como BRCGS, além dos selos Kosher, Vegan e Orgânico.
Qualidade do campo ao envase
A tecnologia da indústria alimentícia moderna conta com processos de conservação física, não química, preservando a qualidade original dos vegetais. O compromisso com a excelência nos processos, do campo ao envase, garante que o consumo de conservas se torne uma escolha inteligente e acessível.
“Na Quero, nosso compromisso com a excelência nos processos – do campo ao envase – garante que mais do que uma simples questão de praticidade, o consumo de conservas se torne uma escolha inteligente e acessível, permitindo que o consumidor tenha acesso a produtos seguros, nutritivos e saborosos”, destaca Roberta Garcia.
A verificação da rotulagem nutricional permanece essencial para fazer escolhas conscientes. A transparência nas informações e o compromisso das empresas com a redução de sódio e a eliminação de conservantes artificiais reforçam o papel dos vegetais em conserva como aliados de uma alimentação equilibrada e moderna.
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