Parceria estratégica formou quase 6 mil profissionais e mobilizou mais de 1 mil unidades de saúde, educação e assistência social nas regiões Norte e Nordeste em 2025
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e a GSK, biofarmacêutica multinacional presente em mais de 75 países, divulgaram nesta quinta-feira (19) os resultados consolidados de sua parceria estratégica ao longo de 2025. A iniciativa, focada no fortalecimento de políticas públicas de saúde e nutrição para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade, teve como foco prioritário as regiões Norte e Nordeste do Brasil.
A colaboração foi pilar fundamental para o início do novo ciclo 2025-2028 do Selo UNICEF e da estratégia Unidade Amiga da Primeira Infância (UAPI). Com o apoio financeiro e estratégico da GSK, o UNICEF atuou de forma integrada em frentes críticas como imunização, nutrição adequada e saúde mental de crianças e adolescentes — temas que, segundo organismos internacionais, seguem entre os maiores desafios de saúde pública no Brasil e na América Latina.
Números que traduzem impacto real
Os indicadores alcançados em 2025 demonstram a escala da iniciativa. Por meio do programa de Saúde do UNICEF no Brasil, a parceria com a GSK contribuiu para a formação de 5.996 profissionais — gestores, técnicos e secretários municipais das áreas de Saúde, Educação e Assistência Social. Os momentos formativos abordaram temáticas urgentes como saúde indígena, nutrição adequada e campanhas de imunização.
Ao todo, 1.192 unidades de Saúde, Educação Infantil e Assistência Social foram integradas à metodologia UAPI, criando uma rede de proteção que atende diretamente 517.045 crianças e 42.351 gestantes. Esse ecossistema de cuidado é sustentado por mais de 30 mil profissionais atuando na ponta, garantindo que políticas públicas cheguem concretamente às famílias mais vulneráveis.
Protagonismo adolescente e participação social
A dimensão de participação social da parceria também merece destaque. A iniciativa engajou 44 mil adolescentes em ações realizadas por meio dos 1.900 Núcleos de Cidadania de Adolescentes (NUCAs), abordando temas como saúde mental, mudanças climáticas, saúde sexual e reprodutiva e dignidade menstrual.
O movimento fortalece o protagonismo juvenil e garante que as políticas públicas de saúde sejam discutidas, acompanhadas e aprimoradas com a participação ativa de jovens — modelo que dialoga diretamente com o que organismos como a FAO e o próprio UNICEF têm apontado como essencial para a transformação de sistemas de saúde e alimentação sustentáveis.
Capilaridade municipal e o Selo UNICEF
A adesão territorial também foi expressiva: 2.277 municípios ingressaram no novo ciclo do Selo UNICEF, enquanto oito capitais passaram a integrar a estratégia UAPI. O Selo UNICEF é uma das mais reconhecidas iniciativas de mobilização municipal para a garantia de direitos da infância no Brasil, funcionando como indutor de boas práticas em saúde, educação e proteção social.
O contexto é relevante: relatório da FAO em parceria com UNICEF, OMS e outras agências da ONU, divulgado pelo Food Forum News, aponta que a América Latina ainda registra quase 187,6 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar moderada ou grave. No Brasil, a desigualdade regional torna as regiões Norte e Nordeste especialmente vulneráveis — justamente o foco central da aliança UNICEF-GSK.
Visão de longo prazo como diferencial estratégico
O diferencial da colaboração reside no modelo de investimento integral adotado pela GSK: em vez de projetos isolados, a empresa se tornou parceira estratégica da agenda de Saúde e Nutrição proposta pelo UNICEF no Brasil, potencializando resultados em larga escala e com perspectiva de continuidade.
Esse modelo converge com o que especialistas em nutrição infantil têm defendido. Dados do Ministério da Saúde, mencionados em reportagem publicada no Food Forum News, indicam que crianças com menos de seis anos apresentam vulnerabilidade significativa a carências de micronutrientes como ferro, vitamina A e zinco — determinantes para o crescimento, o desenvolvimento cognitivo e o fortalecimento do sistema imunológico. A formação de profissionais e a qualificação dos serviços de saúde, portanto, são investimentos que geram efeitos duradouros.
Luciana Phebo, Chefe de Saúde e Nutrição do UNICEF no Brasil, comenta sobre o impacto da parceria:
“O investimento da GSK no programa de Saúde e Nutrição do UNICEF no Brasil ao longo de 2025 foi vital para promover o bem-estar de crianças e adolescentes mais vulnerabilizados. Parcerias deste porte permitem que o UNICEF fortaleça serviços de saúde integrados e implemente ações que impactam a vida das crianças de maneira integral e com resultados de longo prazo.”
Jorge Mazzei, diretor de Corporate Affairs, Comunicação e Patient Advocacy da GSK no Brasil, destaca os resultados alcançados:
“Parcerias como a que construímos com o UNICEF mostram que transformar a saúde pública exige visão de longo prazo, colaboração e atuação em escala. Ao apoiar o fortalecimento de políticas estruturantes contribuímos para que municípios e profissionais estejam mais preparados para oferecer cuidado integral, com foco em prevenção, equidade e participação social. Esse é um compromisso com a promoção de um futuro mais saudável para crianças e adolescentes em todo o país.”
Nutrição e saúde infantil no centro da agenda pública
A iniciativa ganha ainda mais relevância quando contextualizada no panorama global. O relatório Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo, preparado conjuntamente por FAO, IFAD, UNICEF, WFP e OMS — e acompanhado pelo Food Forum News —, alerta que o mundo retrocedeu 15 anos nos índices de subalimentação, com 733 milhões de pessoas enfrentando fome em 2023. Para o Brasil, superar esse retrocesso passa necessariamente por iniciativas que fortaleçam a atenção básica e a nutrição na primeira infância — exatamente o que a parceria UNICEF-GSK busca estruturar.
O ciclo 2025-2028 do Selo UNICEF e da estratégia UAPI representa, portanto, não apenas uma continuidade de esforços, mas um salto qualitativo na capacidade de municípios brasileiros — especialmente os mais vulneráveis — de garantir saúde integral para as próximas gerações.
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