SP Ventures captaçao fundo de investimento

Gestora brasileira atrai investidores globais e se consolida como referência em venture capital para agronegócio na América Latina

A SP Ventures, gestora de venture capital líder em AgFoodTech e ClimateTech na América Latina, anuncia um marco importante em sua trajetória ao alcançar US$ 50 milhões captados em seu terceiro fundo, o AGV III (AgVentures III). Com o segundo fechamento concluído esta semana, que trouxe US$ 21 milhões em novos aportes, a gestora paulista se aproxima de sua meta de US$ 80 milhões, podendo concluir um terceiro fechamento nos próximos meses.

O movimento consolida a posição da SP Ventures como uma das principais gestoras de capital de risco especializadas em tecnologia para o agronegócio na região, administrando atualmente mais de US$ 100 milhões em ativos. A captação ocorre em momento estratégico, quando o ecossistema de inovação no agro brasileiro demonstra sinais de maturidade e atrai crescente interesse de investidores internacionais.

Investidores globais apostam em impacto social e ambiental

O segundo fechamento do AGV III reuniu um conjunto diversificado de investidores com histórico global de investimento em impacto social e desenvolvimento sustentável. Entre os principais nomes estão instituições de peso internacional que dobram ou iniciam suas apostas na gestora brasileira.

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que já era investidor do fundo anterior da SP Ventures, reforçou sua confiança ao dobrar sua participação no terceiro fundo, entrando com US$ 8 milhões como investidor âncora. A decisão reflete o reconhecimento do trabalho desenvolvido pela gestora e seu potencial de gerar retorno financeiro aliado a impacto positivo.

A Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA), agência oficial de cooperação do governo japonês que fomenta crescimento econômico e inovação em mercados emergentes, equiparou o aporte do BID com mais US$ 8 milhões. O investimento da JICA tem especial foco em projetos alinhados ao programa do governo federal brasileiro de restauração de pastagens degradadas, iniciativa na qual o Japão tem participação ativa.

Somam-se a esses investidores âncora o Soros Economic Development Fund, que havia investido US$ 8 milhões na semana anterior ao anúncio, o Grupo Colorado, tradicional empresa do setor sucroenergético brasileiro, e o Grupo Manuelita, centenário grupo agroindustrial colombiano com operações diversificadas e foco em produção sustentável de alimentos na América Latina. Também participa o The Nest, family office belga voltado a investimentos de impacto no agronegócio.

Estratégia de investimento foca em soluções para segurança alimentar e clima

Francisco Jardim, sócio-fundador da SP Ventures, destaca que o momento desafiador para captação de recursos pode representar oportunidade para alocação inteligente de capital. A frase do executivo sintetiza a filosofia da gestora e a confiança compartilhada pelos investidores.

“Os períodos mais desafiadores para captação são, historicamente, os melhores momentos para alocação de capital”, afirmou Jardim em entrevista ao The AgriBiz.

O avanço da captação, segundo o fundador da SP Ventures, reflete a confiança dos investidores e o estágio de maturidade da gestora. Ele lembra que em 2025 a empresa tomou uma decisão incomum no setor ao optar por não vender uma participação relevante de sua carteira, preferindo esperar um momento econômico mais estável e reunir mais dados sobre o desempenho das empresas investidas.

“Nossos investidores valorizaram essa escolha, e a captação evoluiu com muita consistência. Hoje, o AGV III já se firma como um dos principais fundos de venture capital da América Latina”, afirma o executivo.

O objetivo do AGV III é investir em startups que trabalham com soluções relacionadas à segurança alimentar, mitigação e resiliência climática atrelada ao setor produtivo. O fundo acessa a cadeia agroindustrial dentro e fora da porteira com tecnologias para o campo (AgTechs), para alimentos (FoodTechs) e soluções climáticas (ClimateTechs).

A estratégia fomenta o ecossistema que inova em ferramentas que apoiem a transição da agropecuária para uma produção mais sustentável, seja através de insumos biológicos, fintechs que facilitam o financiamento do setor, plataformas de rastreabilidade da cadeia, entre outras soluções. Seguindo essa estratégia, a meta do fundo é apoiar entre 20 e 22 empresas nos próximos quatro anos.

Primeiros investimentos demonstram tese do fundo

O fundo AGV III já realizou dois investimentos que ilustram sua estratégia de atuação. A primeira empresa a receber aporte foi a Produzindo Certo, agtech brasileira especializada em inteligência socioambiental e rastreabilidade.

Fundada em 2019 pelo casal Aline e Charton Locks como spin-off da ONG Aliança da Terra, a Produzindo Certo oferece uma solução que permite que empresas monitorem suas cadeias de suprimentos com total transparência, garantindo responsabilidade e sustentabilidade em todas as etapas de produção. Sua plataforma online de indicadores de sustentabilidade monitora mais de 8,5 milhões de hectares e 10 mil fazendas em todo o Brasil.

A empresa recebeu aporte liderado pela Arar Capital e SP Ventures no valor de R$ 20,7 milhões, em rodada que contou ainda com The Yield Lab, SLC Ventures e Agroven. Com os recursos, a companhia planeja aumentar a base de fazendas atendidas, ampliar o portfólio de soluções ESG e se consolidar como o principal hub de inteligência socioambiental do agro na América Latina.

Alexandre Stephan, sócio da SP Ventures, destacou o posicionamento estratégico da empresa. “Investir na Produzindo Certo é apostar na vanguarda do agronegócio sustentável brasileiro, conectando produtores rurais a mercados exigentes e garantindo a resiliência e valorização da cadeia produtiva a longo prazo”, afirmou.

O segundo investimento foi direcionado à Blooms, plataforma mexicana de trade finance transfronteiriço que utiliza tecnologia para financiar exportações agrícolas do México para os Estados Unidos e demais países da América Latina e América do Norte. A empresa exemplifica a visão regional da SP Ventures e seu foco em soluções de facilitação financeira para o setor.

Ano divisor de águas consolida track record da gestora

Para Francisco Jardim, 2025 foi um “ano divisor de águas” para a SP Ventures. A gestora começou a rotacionar seu portfólio legado, realizando desinvestimentos estratégicos enquanto iniciava novos aportes através do AGV III.

Entre os exits realizados em 2025 está o investimento na Horus Smart Detections, empresa brasileira especializada em inspeção por drones. Esses resultados concretos foram fundamentais para atrair novos investidores e aumentar a confiança no terceiro fundo.

“Existe um velho ditado de que o terceiro fundo é o mais difícil, e ele separa aqueles que vão permanecer no negócio dos demais”, elaborou Jardim em entrevista ao AgTech Navigator durante visita à sede da firma em São Paulo. “Quando você chega ao fundo três, já se passaram entre sete e nove anos desde que começou a investir no fundo um. Então não há como enganar as pessoas. Você realmente precisa mostrar resultados concretos de que foi capaz de investir em empreendedores incríveis e construir negócios realmente interessantes que criam valor para toda a cadeia.”

Felipe Guth, sócio da SP Ventures, destaca que os resultados são fruto da equipe construída ao longo do tempo:

“No nosso setor, nada acontece por acaso. É preciso ter estrutura forte, diversidade de experiências e processos bem definidos. O fundo cresce porque conseguimos unir investidores, empreendedores e especialistas alinhados com a mesma visão de futuro”, afirma.

Diversificação geográfica amplia alcance de investimentos

Um dos diferenciais do AGV III é a diversidade geográfica de seus investidores, que cria pontes entre polos de inovação em diferentes continentes. O fundo reúne parceiros de praticamente todos os continentes, incluindo Estados Unidos, Japão, Bélgica, Colômbia e Brasil.

Para Francisco Jardim, o perfil dos investidores, em sua maioria estrangeiros, consolida a SP Ventures como gestora líder na América Latina:

“Hoje, temos investidores de todos os continentes, exceto da Oceania, mostrando o interesse globalizado pelo agro na região”, ressaltou.

Elias Samuel Mozambani Ospina, head de inovação aberta e corporate venturing do Grupo Colorado, que lançou seu braço de corporate venture capital (Colorado Ventures) em 2025, fez do investimento na SP Ventures sua primeira grande aposta. Para o executivo, a escolha se baseou no histórico de retornos da gestora.

“Vimos todos os retornos que eles tiveram até agora. Então, eles são o melhor venture capital aqui no Brasil e também na América Latina para agronegócio. Não vimos ninguém maior que eles”, explicou Mozambani Ospina ao AgTech Navigator.

A Colorado Ventures prioriza investimentos em startups de biocombustíveis sustentáveis em 2026, mas o investimento na SP Ventures permite ter presença em bioinsumos, agricultura de precisão e robótica, diversificando seu portfólio de inovação.

Foco em IA e tecnologias climáticas reflete tendências do setor

O terceiro fundo da SP Ventures se posiciona para capitalizar sobre tendências que estão remodelando o setor agrícola. Entre as prioridades de investimento estão tecnologias de inteligência artificial aplicadas ao agronegócio, soluções de resiliência climática e modelos de negócio que aumentam a produtividade no campo.

A gestora planeja continuar investindo em agfintechs para expandir o acesso ao crédito através da tecnologia, empresas de insumos biológicos de próxima geração e aplicações de inteligência artificial que vão desde ferramentas de otimização de cadeias de suprimentos até sistemas de gestão agrícola potencializados por IA.

O timing do fundo coincide com transformações significativas no setor. Como observou Francisco Jardim, 2025 não foi apenas um ano transformador para a SP Ventures, mas também para toda a indústria agrícola, impactada por volatilidade geopolítica, climática e disrupções tecnológicas.

Ecossistema brasileiro de agtech ganha maturidade

O sucesso da captação da SP Ventures ocorre em contexto favorável para o ecossistema de inovação do agronegócio brasileiro. Segundo o Radar Agtech Brasil 2024, realizado em parceria pela Embrapa, Homo Ludens e SP Ventures, o país registrou crescimento impressionante no número de ambientes de inovação ligados ao setor.

Entre 2023 e 2024, as incubadoras cresceram 224%, passando de 32 para 107, enquanto as aceleradoras de startups avançaram 90%, de 21 para 40. O mapeamento também identificou 1.953 startups atuando no agro brasileiro, crescimento de 14,7% em relação ao ano anterior.

Francisco Jardim, em declaração para o Radar Agtech, enfatiza o momento da inovação no setor:

“A inovação no agronegócio nunca foi tão vibrante quanto agora. Em 2024, as startups agtech da América Latina lideraram uma revolução, trazendo as mais avançadas tecnologias e modelos de negócio para transformar a produção de alimentos em um momento crítico: quando a crise climática e a insegurança alimentar exigem soluções ousadas. O futuro do agro está sendo escrito por jovens empresas que aceleram o progresso com inovação exponencial”, declarou.

Os aportes em agtechs latino-americanas cresceram 25% em 2024, com Brasil, Argentina e México como mercados-chave. No entanto, a região ainda recebe menos de 5% dos investimentos globais em agtech, indicando potencial significativo para atrair mais capital.

Trajetória consolidada desde 2009

A SP Ventures iniciou sua trajetória em 2009, quando realizou seu primeiro investimento em agtech. Ao longo dos anos, a gestora construiu reputação sólida como especialista no setor, figurando na lista da Crunchbase como uma das empresas de capital de risco mais ativas em agtech nos últimos 10 anos, sendo a única venture capital brasileira na quinta posição global.

O primeiro fundo da gestora foi anunciado em 2020, com primeiro fechamento de US$ 50 milhões voltado para tecnologia agroalimentar na América Latina. A captação de R$ 90 milhões (aproximadamente US$ 17,2 milhões à época) reuniu investidores estratégicos como BASF Venture Capital e Syngenta Group Ventures, além do fundo de fundos Capria e BID Labs.

O segundo fundo, AGV II, evoluiu através de múltiplos fechamentos até alcançar até R$ 300 milhões, com participação de investidores como Banco do Brasil, BB Seguridade, Yara, Mosaic, Adisseo e a Corporação Financeira Internacional (IFC), membro do Grupo Banco Mundial.

Agora, com o terceiro fundo bem encaminhado e expectativa de fechar em US$ 80 milhões, a SP Ventures se prepara para uma nova fase de investimentos que pode consolidar ainda mais sua liderança no setor de venture capital para agtech na América Latina.

Perspectivas para o futuro do agronegócio tecnológico

A captação bem-sucedida do AGV III ocorre em momento de inflexão para o agronegócio brasileiro e latino-americano. Com a COP30 prevista para ser sediada no Brasil, o papel da região na agricultura resiliente ao clima está sob crescente escrutínio internacional.

As melhorias em metodologias de medição, relatório e verificação (MRV) são essenciais para demonstrar sucessos em mitigação climática, como a redução de 23,4% do metano na Colômbia ou os cortes de 50% na Argentina através da melhoria da eficiência pecuária.

Os países da região, liderados pelo Brasil, tornaram-se referências globais na produção de biocombustíveis, atraindo investimentos estrangeiros e melhorando as balanças comerciais. Os biocombustíveis estão se mostrando um setor transformador na agricultura latino-americana, mas seu sucesso depende de práticas sustentáveis e políticas equitativas.

Para a SP Ventures, o desafio é identificar e apoiar as startups que estão na vanguarda dessas transformações. Com recursos, experiência e rede global de parceiros, a gestora se posiciona para ser protagonista nessa nova era do agronegócio tecnológico e sustentável na América Latina.

A consolidação do AGV III reforça a tese de que o Brasil e a região possuem não apenas potência na produção agrícola, mas também em ciência, empreendedorismo e inovação em venture capital para o agronegócio, como destacou Francisco Jardim. E com investidores de peso apostando nessa visão, o futuro do ecossistema de inovação no agro latino-americano parece promissor.

Com informações do The Agribizz e AgTechNavigator

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