Fundação Banco do Brasil fortalece sistemas agroflorestais e preservação da água com projetos no Pará e Distrito Federal
A Fundação Banco do Brasil está transformando realidades rurais com projetos que unem sistemas agroflorestais e preservação da água, garantindo segurança alimentar e hídrica em regiões críticas. No Pará, a agricultora Renata Campos superou a seca com a tecnologia social IrrigaPote, certificada pela fundação em 2024, enquanto no Distrito Federal, o assentamento Canaã recupera áreas degradadas na bacia do Alto Descoberto.
Ambas as iniciativas mostram como soluções de baixo custo e conhecimento coletivo podem reverter cenários de escassez.
Por que sistemas agroflorestais e preservação da água são vitais para o futuro do agro?
Renata Campos, ex-funcionária de supermercado e hoje produtora orgânica em Tucuruí (PA), quase desistiu da agricultura após perder plantações na estiagem. Com apoio da Embrapa e do Ministério Público do Pará, adotou o IrrigaPote, método que armazena água da chuva em potes de argila enterrados, distribuindo-a conforme a necessidade das raízes.
“A técnica é simples, mas revolucionou minha produção”, afirma. Já no DF, Tania Aguiar lidera o projeto Comunidades Agroflorestais – Plantando Água e Tecendo Vidas, que recuperou 1,8 milhão de metros quadrados de solo degradado por monocultivo de eucalipto. “Sem água, não há produção. Estamos replantando espécies nativas e integrando agricultura sustentável”, explica.
A Fundação Banco do Brasil investiu R$ 1,8 milhão no projeto do DF, que alia formação em agroecologia à recuperação de bacias hidrográficas essenciais para abastecer Brasília. “Essas tecnologias sociais combinam saberes tradicionais e ciência, promovendo transformação real”, destaca Kleytton Morais, presidente da fundação. Segundo a ONU, 40% da população global sofre com escassez hídrica – problema agravado no Brasil por desmatamento e práticas insustentáveis.
O IrrigaPote, por exemplo, capta água pluvial por calhas e a armazena em potes conectados a um sistema de boia, garantindo irrigação autônoma. “As raízes buscam a umidade dos potes, evitando desperdício”, detalha Renata. No DF, os sistemas agroflorestais recuperaram nascentes e reduziram erosão, assegurando água para 2 milhões de pessoas. “Preservar a bacia do Alto Descoberto é proteger o futuro da capital”, reforça Tania.
Para Morais, a lição é clara: “Investir em sistemas agroflorestais e preservação da água não é opção, mas urgência. Cada projeto é um passo contra a crise climática e a fome”. Enquanto o IrrigaPote ganha escala no Norte, o modelo do DF inspira políticas públicas. Resta saber: o Brasil conseguirá replicar essas soluções antes que o tempo se esgote?
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