Evento fortaleceu discussões da agenda global de segurança alimentar e clima com foco na região amazônica e COP30
A Semana da Amazônia, realizada entre 2 e 4 de setembro em Manaus, consolidou o papel estratégico da região nas agendas globais de segurança alimentar, clima e desenvolvimento sustentável.
O evento, organizado pelo Governo do Brasil em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), reuniu representantes governamentais, organismos internacionais, academia e organizações da sociedade civil para debater soluções inovadoras para os sistemas agroalimentares urbanos.
Cooperação internacional e segurança alimentar
A aliança estratégica entre FAO e Brasil foi destacada como fundamental para enfrentar os desafios da segurança alimentar mundial. O encontro aconteceu poucos meses antes da COP30, reforçando a importância da Amazônia nas discussões climáticas globais.
O economista-chefe e representante regional da FAO para América Latina e Caribe ad interim, Máximo Torero, enfatizou:
“Encontros como este oferecem a oportunidade de avançar em uma agenda conjunta de transformação que integre políticas públicas sólidas, investimentos estratégicos que visem à adoção de novos modelos de economia amazônica, visibilizando as contribuições da agricultura familiar, dos povos indígenas e das comunidades tradicionais.”
Desafios urbanos e insegurança alimentar
As cidades amazônicas enfrentam sérios desafios relacionados à segurança alimentar. A secretária de Segurança Alimentar do MDS, Lilian Rahal, apresentou dados preocupantes:
“Existem grandes desafios nas cidades da Amazônia brasileira, que apresentam uma das porcentagens mais altas de domicílios com insegurança alimentar grave por estado no Brasil. É nosso dever como Estado brasileiro promover o direito humano à alimentação e implementar políticas públicas adequadas para essas famílias, tanto em ambientes urbanos quanto rurais.”
Agricultura familiar como pilar estratégico
O evento destacou que 85,4% dos estabelecimentos agropecuários nos municípios amazônicos correspondem à agricultura familiar. Essa modalidade produtiva foi reconhecida como fundamental para a soberania alimentar, conservação dos recursos naturais e fortalecimento das economias locais.
A secretária-executiva do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Fernanda Machiavelli, ressaltou:
“O bioma amazônico oferece ao mundo mais de mil variedades de alimentos, que são cultivadas nas florestas e são capazes de alimentar as pessoas.”
Bioeconomia e transformação rural inclusiva
O III Diálogo Técnico Regional sobre Bioeconomia Amazônica contou com participação de atores estratégicos como Banco do Brasil, World Resources Institute (WRI), Fundo Vale e representantes governamentais de oito países amazônicos. O encontro identificou casos concretos de bioeconomia regional, baseando-se na Declaração de Bogotá e na iniciativa Amazônia Mão a Mão.
Sistemas alimentares urbanos sustentáveis
Durante o Fórum “Habitar a Amazônia, Alimentar o Futuro”, foi elaborada uma rota para sustentabilidade dos sistemas alimentares amazônicos, abrangendo seis áreas-chave:
- Mercados e circuitos de comercialização
- Programas de compras públicas
- Nexo entre clima e alimentos
- Economia circular e gestão de resíduos
- Financiamento e investimento
- Governança dos sistemas alimentares
O embaixador e diretor da Agência Brasileira de Cooperação, Ruy Pereira, destacou:
“A Amazônia desempenha um papel estratégico neste esforço. Cada um de nós deve assumir, pessoal e institucionalmente, a responsabilidade de promover o desenvolvimento sustentável da região e proteger a imensa diversidade de seres vivos que dela dependem.”
Governança responsável da terra
Os debates sobre governança territorial enfatizaram a necessidade de políticas de acesso à terra que reduzam desigualdades e empoderem comunidades indígenas, afrodescendentes e camponesas. O presidente do INCRA, César Aldrighi, reforçou:
“A Amazônia é um espaço simbólico, que oferece grandes exemplos de como podemos seguir avançando em uma agenda de inclusão, de combate às desigualdades e de valorização dos saberes locais.”
Cooperação Sul-Sul consolidada
O evento reafirmou a parceria de quase 20 anos entre Brasil e FAO, posicionando o país como parceiro estratégico na luta contra a fome e promoção do desenvolvimento rural no Sul Global através da Cooperação Sul-Sul.









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