Exportação de bebidas brasileiras ganha força com regularização e novos canais digitais
A demanda internacional por produtos como cachaça, vinhos e cervejas artesanais tem impulsionado empresas brasileiras a buscar o registro especial da Receita Federal, documento obrigatório para exportar bebidas alcoólicas. Enquanto o setor movimentou US$ 193 milhões em vendas externas em 2022 (Comex Stat), o mercado doméstico também vê oportunidades com a crescente presença de empresas asiáticas no e-commerce brasileiro, que já ocupam 15,4% do setor, segundo o Valor Econômico (maio/2025). A combinação entre regularização fiscal e estratégias digitais emerge como caminho para ampliar o alcance global.
Como o registro especial e o e-commerce impulsionam as exportações
Diversas marcas brasileiras têm se destacado no mercado internacional após a obtenção do registro especial. A Cachaça 51, por exemplo, é exportada para mais de 50 países, incluindo Chile, Portugal, Espanha, Alemanha, Estados Unidos, Itália, Suíça e Japão. A Ypióca, marca de cachaça mais antiga do Brasil, exporta para a Alemanha desde 1968. Já a Pitú, maior exportadora de cachaça do país, está presente em diversos mercados, como Alemanha, Estados Unidos, Canadá, Japão e países do Mercosul.

O registro especial é exigido para produtores, engarrafadores e importadores de bebidas alcoólicas que desejam operar legalmente no exterior. Além de comprovar regularidade fiscal e sanitária, as empresas precisam de instalações industriais adequadas e registro no Ministério da Agricultura. Thiago Oliveira, CEO da Saygo, ressalta:
“Esse documento é fundamental para garantir credibilidade internacional. Empresas que aliam compliance a estratégias digitais, como vendas via plataformas de e-commerce, aceleram sua inserção global.”
A sinergia entre exportação e digitalização ganha força: enquanto a ApexBrasil destaca crescimento de 18% nas vendas externas de bebidas entre 2021 e 2023, o avanço de marketplaces asiáticos no Brasil — como apontado pelo Valor — oferece rotas para ampliar a presença em mercados como China e Japão. Valeria Nistal, da Distillerie Stock do Brasil, revelou ao jornal:
“Pelo menos seis meses de investimento serão necessários para começar a ter alguma visibilidade. É um trabalho de médio para longo prazo, que exige resiliência, conhecimento dos costumes locais e muita adaptação”, declara a diretora sobre as vendas por e-commerce aos asiáticos. “As oportunidades são gigantes.”
Cervejas artesanais e cachaça lideram vendas externas
A cerveja artesanal representa 62% das exportações do setor, com US$ 120 milhões em 2022. Já a cachaça consolida-se como carro-chefe, com marcas como Pitú e 51 em mais de 50 países. Dados da ApexBrasil mostram que iniciativas de promoção internacional, combinadas com a expansão do e-commerce transnacional, têm reduzido barreiras para pequenos produtores.
Apesar do crescimento, Oliveira alerta:
“A burocracia e os custos de adaptação às normas internacionais ainda são obstáculos. Orientação especializada é crucial para navegar nesse cenário.”
Para ele, a expertise de empresas asiáticas em logística e digitalização — responsáveis por 15,4% do e-commerce brasileiro — pode servir de inspiração para otimizar a exportação de bebidas.
