Raiar Organicos sexagem

Equipamento da AAT de sexagem marca estreia no Hemisfério Sul com a Raiar Orgânicos e representa marco no bem-estar animal da avicultura brasileira

A Raiar Orgânicos, maior produtora brasileira de ovos orgânicos, acaba de introduzir no país uma tecnologia revolucionária que promete transformar os padrões de bem-estar animal na avicultura de postura. A empresa anunciou a adoção da sexagem de ovos férteis ainda em fase embrionária, conhecida como sexagem in-ovo, para a compra de 100% de suas pintainhas.

O equipamento alemão Cheggy, desenvolvido pela empresa AAT, chegou ao Brasil através de um incubatório fornecedor na região de São José do Rio Preto. A tecnologia, voltada especificamente para galinhas de linhagem marrom, já é amplamente utilizada em países da Europa e nos Estados Unidos, mas marca sua estreia no Hemisfério Sul através da iniciativa da Raiar.

O principal objetivo desta inovação é eliminar o descarte de pintinhos machos após o nascimento, uma prática comum na avicultura de postura que tem gerado crescentes questionamentos éticos no setor.

Como funciona a tecnologia

A Cheggy funciona como um scanner de ovos que projeta um feixe de luz sobre cada ovo no 13º dia de incubação. O sistema identifica o sexo do embrião com base na coloração da futura penugem: tons claros indicam machos, enquanto tons escuros identificam fêmeas. Todo o processo de escaneamento leva cerca de 5 segundos por ovo.

Com essa identificação precoce, é possível detectar os embriões machos antes do nascimento e interromper seu desenvolvimento, evitando o posterior descarte dos pintinhos após a eclosão.

“Somos uma empresa irrequieta e com os mais altos patamares de transparência, gestão e bem-estar. Por isso, buscamos ativamente as melhores práticas e soluções do mercado para elevar, continuamente, o bem-estar animal na produção de ovos. A sexagem in-ovo da Cheggy é o que há de mais eficaz e viável”, explica Marcus Menoita, CEO e cofundador da Raiar.

Impacto no mercado brasileiro

Jörg Hurlin, diretor-geral da AAT, destaca a importância desta expansão para o mercado sul-americano:

“Com nosso lançamento no Brasil, estamos ampliando o leque de soluções disponíveis para uma produção de ovos sustentável e responsável do ponto de vista do bem-estar animal. A sexagem in-ovo permite a seleção precoce ainda no incubatório e oferece uma abordagem escalável e eficiente – o que a torna especialmente adequada para grandes mercados, como o da América do Sul”.

Na avicultura de postura tradicional, as granjas adquirem apenas as fêmeas produzidas pelas casas genéticas. Os machos são processados e utilizados como proteína animal e vegetal, ou para compostagem. A tecnologia in-ovo representa uma evolução significativa neste processo.

Investimentos em inovação na Raiar Orgânicos

Esta não é a primeira vez que a Raiar se destaca por trazer tecnologias inovadoras ao Brasil. Nos seus cinco anos de existência, a empresa já introduziu o Jump Start, da Holanda, um “playground” do berçário das aves para incentivar voos e fortalecer a musculatura desde os primeiros dias de vida.

Na sala de ovos, utiliza crack-detector que capta microfissuras imperceptíveis aos olhos, garantindo mais segurança ao produto. A empresa também foi pioneira no carimbo nas cascas dos ovos com o nome da marca e a validade a partir do dia da postura, não da data de embalagem.

A sala de ração da fazenda em Avaré é totalmente automatizada e programada para o balanceamento de dezenas de dietas, conforme a necessidade nutricional de cada fase da ave.

No total, a empresa já investiu R$ 180 milhões em infraestrutura e tecnologias, com previsão de mais R$ 70 milhões para os próximos dois anos.

Tendência mundial

A sexagem in-ovo representa uma tendência global crescente. Na Alemanha, tornou-se obrigatória em 2022 para todas as linhagens de galinhas poedeiras. A França seguiu o mesmo caminho em 2023, mas apenas para aves marrons. Na Itália, a expectativa é que entre em vigor em 2027.

Além disso, há casos voluntários de adoção da tecnologia nos Estados Unidos, Noruega, Áustria, Holanda e, agora, Brasil.

“Cada vez mais, o consumidor quer saber o que compra, como foi produzido e de onde vem para fazer escolhas. Nossa experiência mostra que cada vez que trazemos informações claras sobre nosso negócio, elevamos uma barra na régua da confiabilidade da marca”, acrescenta Menoita.

Democratização da tecnologia

Apesar do pioneirismo, a Raiar não terá exclusividade no uso do equipamento. A intenção da empresa é impulsionar todo o setor a seguir o mesmo caminho, à medida e ao ritmo de cada granja.

Esta postura alinha-se com a crescente demanda por práticas mais sustentáveis e éticas na produção de alimentos, tema central nas discussões sobre o futuro do agronegócio brasileiro.


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