Novo relatório do Rabobank apresenta o cenário macroeconômico e setorial e as perspectivas para o agronegócio brasileiro
Perspectivas do agronegócio brasileiro em 2025 apontam para um cenário de oportunidades e desafios, conforme análise do Rabobank. Com o dólar projetado em R$5,90 até o fim do ano e safras recordes em commodities como soja e algodão, o setor enfrenta pressões de custos e volatilidade geopolítica.
“Política fiscal estimulativa e incertezas globais elevam o prêmio de risco para moedas emergentes”, destaca o relatório.
A produção agrícola beneficiou-se das chuvas de abril, que favoreceram milho safrinha e algodão, enquanto a seca em maio acelerou a colheita de café e cana. O fenômeno ENSO em neutralidade (82% de probabilidade até agosto) reduz riscos extremos, mas geadas no inverno exigem monitoramento.
Custos com fertilizantes pressionam a próxima safra de soja, com alta nos preços do fósforo devido a atrasos nas importações. A Índia segue como grande demandante, adquirindo volumes maciços mesmo com preços elevados, o que sustenta a liquidez global.
Impacto cambial e geopolítico nos investimentos
A volatilidade cambial e tensões comerciais entre EUA-China influenciam diretamente o agronegócio. Tarifas de 10% sobre soja chinesa podem redirecionar demanda para o Brasil, elevando prêmios domésticos. Paralelamente, conflitos no Oriente Médio impactam rotas logísticas e custos de insumos como ureia.
Investimentos em tecnologia são cruciais para mitigar riscos. A valorização do real reduz margens de exportação, mas favorece importações de fertilizantes. Para pequenos produtores, o acesso ao crédito via Plano Safra será determinante na sustentabilidade financeira.
“Conflitos geopolíticos exigem estratégias ágeis de hedge cambial e diversificação de mercados”
O setor de lácteos ilustra essa dinâmica: importações cresceram 1% em volume e 9% em valor no ano, aproveitando câmbio favorável e preços internacionais em queda. Já a celulose sofre pressão de preços devido ao aumento da capacidade produtiva global e estoques elevados.
Tendências e perspectivas para o agronegócio em commodities-chave e proteínas
Café: Oferta global e pressão nos preços
A colheita acelerada no Brasil (62,8 milhões de sacas) aliviou a oferta, derrubando preços mesmo com inverno e tensões no Mar Vermelho. Arábica caiu 7% em junho, e robusta, 10%. Exportações de Colômbia e Vietnã cresceram até 138%, ampliando a concorrência.
No mercado interno, preços do café subiram 50% em 12 meses, com quilo a R$65,50 em abril. Isso reduziu vendas em supermercados (-3% jan-abr/2025). Estoque baixo e riscos de geada mantêm a volatilidade, mas a retomada da produção brasileira tende a equilibrar o mercado.
“Posições líquidas recordes em NY foram reduzidas à metade em junho, ampliando pressão baixista.”
Cana, açúcar e etanol: Tormenta perfeita
Queda de 18% no açúcar em NY e dólar fraco criaram o cenário ideal para pressão nos preços. Moagem no Centro-Sul atingiu 124,8 milhões de toneladas, mas ATR ficou 4% abaixo de 2024. Produção global deve migrar de déficit (3,8 mi t) para superávit (3,9 mi t) em 2025/26.
Etanol sofreu redução de 5,6% no preço da gasolina em SP, mas possível aumento da mistura obrigatória para 30% pode reequilibrar demanda. Fechamento do Estreito de Ormuz é risco crítico, pois elevaria custos logísticos e preços domésticos.
Soja e milho: Competitividade em xeque
Soja brasileira pode se beneficiar de tarifas EUA-China, com prêmios domésticos em alta. Safra recorde de 172 mi t não impediu queda de 3% nos preços em Chicago. Já o milho recuou 23% desde março, impulsionado por colheita antecipada nos EUA e gripe aviária no RS.
“Etanol de milho puxa demanda doméstica, com consumo de 8 mi t (+17%) até maio.”
Estoques globais de soja devem crescer 1% em 2025/26, enquanto milho terá relação estoque/consumo mais folgada. Valorização do real e oferta norte-americana limitam ganhos nas exportações brasileiras.
Proteína animal e commodities especiais
Bovinos: Exportações em ritmo recorde
Vendas externas de carne bovina cresceram 11% em volume e 22% em receita jan-mai/2025. China lidera compras (24% do total), seguida por EUA (14%) e Chile (4%). Retomada do status sanitário (livre de aftosa) deve ampliar mercados.
Oferta de novilhos subiu 17%, enquanto vacas recuaram 3%. Preços do boi gordo devem cair no Q2, com recuperação a partir do Q3 puxada por demanda sazonal e menor oferta. Barateamento do milho favorece confinamento.
Suco de laranja e lácteos: Oferta em alta
Safra 2025/26 de laranja em SP deve saltar 36%, para 316 mi de caixas, pressionando preços de FCOJ. Tarifas de 10% nos EUA limitam recuperação do consumo. No leite, produção cresceu 4,5% no Q1, com margens elevadas (+85,3% em maio), mas preços ao produtor cairão no Q3 devido à oferta firme.
“Importações competitivas e câmbio valorizado contêm altas no setor lácteo.”








