Nadege Saad e-agro Bradesco produtor rural

Por Nadege Saad

Desde que comecei minha trajetória no agro, uma coisa sempre me chamou atenção: a velocidade com que o campo muda e o quanto isso ainda é subestimado. Quem observa de fora costuma ver o setor como um bloco uniforme, mas quem está dentro sabe que existe diversidade de perfis de produtores e que cada decisão é resultado de contexto, momento e perfil.

Recentemente, um estudo da Boston Consulting Group, chamado “The Pulse of Brazilian Farmers 2025”, apresentou números que refletem essa diversidade. A pesquisa ouviu mais de 1.350 produtores rurais em 10 estados e identificou sete perfis bem distintos. Cada um desses perfis revela diferentes formas de pensar, decidir e inovar.

Conteúdo do artigo

Entre os perfis, embora haja abertura para a inovação, o risco ainda é encarado com cautela pelos agricultores. Mais de 70% deles buscam ativamente por melhorias, mas isso não significa adoção imediata. Enquanto 53% se sentem confortáveis com algum nível de risco. Entre pecuaristas esse número cai para 36%. E, quando o assunto é tecnologia, a maioria prefere esperar por resultados comprovados. Apenas 22% dos agricultores e 9% dos pecuaristas se consideram os primeiros a adotar novas soluções.

O que a diversidade de perfis me mostra, e que acredito ser fundamental destacar, é que não existe rejeição à tecnologia. O que há, na verdade, é uma régua diferente para medir valor e um ritmo diverso para abraçar a inovação. Não adianta forçar a entrada de uma solução só por ser uma novidade. Na prática, o produtor quer resolver um problema real, encaixar a inovação no seu modelo de trabalho e entregar resultado.

Esse é um ponto que vejo muito no meu dia a dia. Inovação que não conversa com a realidade simplesmente não escala. E não adianta colocar toda a responsabilidade da adoção no produtor, o setor precisa mudar a forma como apresenta e implementa novas soluções. As inovações precisam estar alinhadas com a realidade local e trazer benefícios palpáveis.

Além disso, o apoio técnico é essencial. Sem acompanhamento, a curva de aprendizado pode travar e impedir a adoção. Por isso, olhar para os diferentes perfis importa demais. Não basta criar uma boa tecnologia. É preciso entender quem vai usá-la e como vai usá-la.

E entender quem está do outro lado não é só questão de empatia, é estratégia. Quem quer construir soluções de impacto real para o agro precisa se conectar verdadeiramente com o produtor. Generalizar o campo é um erro que custa caro.

Nadege Saad é Head de Agronegócios do Bradesco / e-agro

0 Comentários

Envie uma Resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*

©2026 FOOD FORUM

ENTRE EM CONTATO

Envie um e-mail e retornaremos muito em breve!

Enviando

Fazer login com suas credenciais

Esqueceu sua senha?