fresh fish caught by hand

Tilápia e tambaqui no centro das negociações em Boston, onde 50 países disputam espaço no maior mercado comprador de pescado do hemisfério

PEIXE BR — Associação Brasileira da Piscicultura — participará da Seafood Expo North America, realizada em Boston (EUA) entre os dias 15 e 17 de março. Considerado o maior evento de negócios do setor de pescados da América do Norte, o encontro reúne compradores, fornecedores e profissionais da cadeia global de seafood provenientes de cerca de 50 países. A presença brasileira chega em um momento estratégico: os Estados Unidos são o principal destino das exportações nacionais de tilápia e tambaqui, e o setor vive um ciclo virtuoso de crescimento.

A delegação é liderada pelo presidente da PEIXE BR, Francisco Medeiros, e pelo vice-presidente do Conselho de Administração da entidade e da Fider PescadosJuliano Kubitza. Além da representação institucional, empresas associadas também estarão presentes com estandes próprios: AyamoBrazilian FishCopacolZaltana e Mar & Terra. O conjunto da missão reforça a estratégia de posicionar o pescado brasileiro como referência de qualidade, rastreabilidade e sustentabilidade no mercado norte-americano.

Tilápia e tambaqui lideram a pauta de exportação

O Brasil consolidou nos últimos anos sua posição como quarto maior produtor mundial de tilápia, atrás de China, Egito e Indonésia. A espécie responde por cerca de 94% do valor total das exportações da piscicultura nacional e tem nos filés frescos e refrigerados sua categoria mais comercializada. Os Estados Unidos absorvem historicamente entre 80% e 87% de tudo que o Brasil vende ao exterior na aquicultura — uma dependência que é também uma oportunidade, dado o tamanho e a sofisticação do mercado norte-americano.

O tambaqui, ícone da Amazônia, vem ganhando espaço na pauta internacional. O peixe nativo, já conhecido pela carne suculenta e pelo sabor marcante, despertou o interesse de importadores em edições anteriores da própria Seafood Expo North America e passa a figurar de forma mais consistente nas estratégias de diversificação das exportações brasileiras.

O presidente da PEIXE BR avalia o momento como uma janela concreta de ampliação de mercado. Ele destaca o protagonismo das duas espécies no comércio exterior do setor:

“A tilápia é o pescado mais exportado pelo Brasil e, juntamente com o tambaqui, os Estados Unidos são o principal comprador desses produtos, especialmente o filé de tilápia fresco.” — Francisco Medeiros, presidente da PEIXE BR

Tarifa de 10% abre janela competitiva para o Brasil

O contexto geopolítico e comercial favorece a presença brasileira em Boston. A tensão entre Estados Unidos e China resultou na imposição de tarifas sobre produtos chineses, incluindo pescados, abrindo espaço para fornecedores de outros países avançarem no mercado norte-americano. O Brasil, que não foi afetado da mesma forma pelas restrições tarifárias, enfrenta uma alíquota de importação de 10% — nível que, segundo a entidade, ainda permite competitividade quando associado à qualidade diferenciada do produto nacional.

Brazilian Fish, uma das empresas confirmadas na feira, já firmou parceria logística com o Aeroporto Internacional de Guarulhos para encurtar o tempo entre a retirada do peixe da água e sua chegada às prateleiras americanas — de 48 para 36 horas, um diferencial competitivo importante para os filés frescos.

Para Francisco Medeiros, a nova equação tarifária representa uma abertura concreta para reforçar laços comerciais. Ele aposta que a qualidade do produto brasileiro é o principal argumento nas reuniões de negócio em Boston.

“Com a nova tarifa de importação de 10%, o Brasil volta ao mercado com bastante força em função da qualidade dos produtos. É hora de falar com os compradores americanos e reforçar as parcerias.” — Francisco Medeiros, presidente da PEIXE BR

Sustentabilidade e rastreabilidade como diferenciais do pescado nacional

A missão da PEIXE BR em Boston vai além da agenda comercial imediata. A entidade trabalha para posicionar a piscicultura brasileira como um sistema produtivo alinhado às exigências ambientais e de segurança alimentar do mercado internacional. Rastreabilidade da origem, práticas sustentáveis de manejo e o status sanitário do Brasil — área livre do vírus TiLV (Tilapia Lake Virus) — são atributos centrais nessa narrativa.

A aquicultura continental brasileira, impulsionada principalmente pela tilápia e pelo tambaqui, combina escala de produção com disponibilidade de recursos hídricos únicos no mundo. O país detém cerca de 12% do total mundial de águas continentais — rios, lagos e reservatórios artificiais — o que representa uma vantagem estrutural de longo prazo para o crescimento do setor.

Dados recentes da Embrapa Pesca e Aquicultura apontam que as exportações da piscicultura brasileira atingiram US$ 60 milhões em 2025, crescimento de 2% em relação ao ano anterior, mesmo em meio ao cenário de tarifas globais. O filé fresco de tilápia chegou a alcançar US$ 7,93 por quilo no mercado americano em 2024, alta expressiva frente ao ano anterior.

Seafood Expo North America: o maior palco global do setor

A Seafood Expo North America é o principal ponto de encontro da cadeia global de pescados no hemisfério ocidental. O evento conecta, em um único ambiente, fornecedores de cerca de 50 países com importadores, distribuidores e compradores norte-americanos. Para as empresas brasileiras, a feira é uma oportunidade de apresentar produtos, negociar contratos e construir ou consolidar relacionamentos com clientes e parceiros estratégicos.

Na edição deste ano, a delegação nacional inclui tanto a presença institucional da PEIXE BR quanto stands independentes de empresas associadas. A combinação reforça a mensagem de que a indústria brasileira de pescados é organizada, diversificada e preparada para crescer no mercado externo.

Juliano Kubitza, vice-presidente do Conselho de Administração da PEIXE BR e da Fider Pescados, integra a delegação e estará à frente das ações de promoção do setor ao lado do presidente Francisco Medeiros. A presença conjunta de lideranças setoriais e empresas produtoras sinaliza maturidade institucional da cadeia nacional de pescado na arena internacional.


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