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A cadeia produtiva da pecuária no Brasil tem se adaptado para atender às crescentes demandas globais por transparência e sustentabilidade.

A 2ª edição dos “Diálogos Boi na Linha“, realizada em Cuiabá (MT), no dia 23 de outubro, reforçou a trajetória da pecuária nacional, abordando temas que vão desde a rastreabilidade até o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) da Carne.

Realizado pelo Imaflora (Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola), o evento reuniu representantes do setor para discutir as oportunidades e desafios no caminho para uma pecuária responsável.

Rastreabilidade e sustentabilidade na pecuária

O Programa Boi na Linha, criado em 2019 em parceria com o Ministério Público Federal (MPF) e o Imaflora, tem avançado para fortalecer a governança e a transparência na cadeia da carne e couro bovinos no Brasil.

Danielle Schneider, coordenadora de Rastreabilidade da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), destacou que o Brasil exporta aproximadamente 28,5 milhões de cabeças de gado por ano. “Essa transparência é essencial para atender à demanda dos mercados europeus, que exigem rastreabilidade completa,” afirmou Schneider.

O gerente de Cadeias Agropecuárias do Imaflora, Lisandro Inakake, ressaltou que o programa estimula o cumprimento do Código Florestal e práticas de rastreabilidade, essenciais para acessar mercados exigentes. “O potencial do Brasil é enorme, mas temos muito a aprimorar.

Projetos como o Boi na Linha mostram que o gado pode ter um impacto positivo na agenda de baixo carbono,” comentou Inakake.

Adaptação e responsabilidade no setor

Para garantir uma produção mais sustentável e inclusiva, o setor tem buscado integrar todos os elos da cadeia produtiva. Paulo Bellincanta, diretor Comercial do Grupo Frialto e presidente do Sindifrigo, pontuou a importância de que critérios de rastreabilidade sejam factíveis, sem prejudicar a competitividade.

Bruno de Jesus Andrade, diretor do Instituto Mato-Grossense da Carne (IMAC), destacou a necessidade de incluir pequenos produtores na cadeia formal. “A exclusão desses produtores impede investimentos em melhorias e dificulta a implementação de boas práticas,” comentou Andrade.

Segundo Fábio Medeiros, diretor de Parcerias da The Nature Conservancy (TNC), “o custo da rastreabilidade é pequeno frente ao valor agregado que ela traz, especialmente no longo prazo.” Medeiros enfatizou a importância de incentivos para pequenos pecuaristas, garantindo que todos possam participar de uma produção mais transparente.

O papel do diálogo e do TAC da Carne

Rafael da Silva Rocha, procurador da República e coordenador do Grupo de Trabalho Amazônia Legal, destacou a importância do diálogo constante no processo de regularização. “Somente através da troca e da melhoria contínua vamos atingir os objetivos de uma pecuária sustentável,” afirmou Rocha.

O TAC da Carne, que regula frigoríficos na Amazônia Legal, foi mencionado como um mecanismo essencial para manter a legalidade na cadeia produtiva e assegurar o cumprimento das normas ambientais.

O evento “Diálogos Boi na Linha” também promoveu a escuta ativa das demandas regionais, como explicou Inakake. “Criar pontes entre instituições e produtores é essencial para adaptar as iniciativas do Programa Boi na Linha às realidades locais e apoiar o Ministério Público com uma perspectiva mais próxima dos desafios enfrentados por esses produtores,” afirmou.

Como funciona o Programa Boi na Linha

Lançado em 2019, o Boi na Linha articula os elos da cadeia produtiva da carne e couro na Amazônia Legal, promovendo uma produção livre de irregularidades socioambientais.

Além do MPF, o programa conta com a parceria da ABIEC e apoio de organizações internacionais como a União Europeia e a Moore Foundation.

Com uma plataforma online que disponibiliza dados e ferramentas de forma aberta, o Boi na Linha visa fortalecer os compromissos socioambientais e ampliar a sustentabilidade na pecuária brasileira.


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