Opea investimento agro

Com crescimento de 63% no segmento em 2025, o portfólio agro representa hoje 88% do valor sob gestão na empresa. A expectativa para 2026 é superar esse aumento

A Opea, hub de soluções em crédito estruturado, registrou crescimento relevante no número de emissões de FIDCs agro e Fiagros FIDCs em 2025, encerrando o ano com R$ 4,3 bilhões sob gestão em fundos do agronegócio — montante que representa 88% do total sob gestão na empresa. O avanço de 63% no segmento frente aos R$ 2,6 bilhões registrados em 2024 consolida a companhia como referência em crédito estruturado para o campo.

A expansão também se reflete no número de fundos ativos voltados para o setor, que saltou de 11 para 16 entre janeiro e dezembro de 2025. Entre os principais clientes estão empresas de diferentes portes e segmentos da cadeia agro, como Basf, Sumitomo, AGI, Frimesa, Cocari, Biotrop, Sinova e Cibra.

Mercado de capitais como resposta ao crédito público insuficiente

O movimento da Opea acompanha uma tendência estrutural do setor. O Plano Safra, historicamente a principal fonte de financiamento agrícola, já não consegue sozinho cobrir a demanda crescente de um agronegócio que responde por cerca de 24% do PIB brasileiro e mais de 50% das exportações do país. Nesse contexto, FIDCs, Fiagros e CRAs ganharam protagonismo como instrumentos de captação privada adaptados aos ciclos produtivos do campo.

Segundo dados da Anbima, o patrimônio líquido dos Fiagros cresceu 204% desde março de 2023, atingindo R$ 47,7 bilhões em 2025, com cerca de 48% desse total alocados em estruturas de FIDC. As emissões de CRAs atingiram R$ 46,2 bilhões no mesmo período, alta de 11,1%. Já os Fiagros captaram R$ 6,4 bilhões, crescimento de 31,3%.

Refletindo sobre esse cenário de demanda crescente, Renato Barros Frascino, head de agronegócio da Opea, contextualiza o avanço da empresa:

“Apesar dos desafios do agronegócio no Brasil, os últimos anos foram marcados pelo aumento da demanda das empresas agro pelo mercado de capitais. Acreditamos que essa tendência continuará nos próximos anos, e temos fortalecido nossa presença com tecnologia e novos instrumentos de financiamento para atender essa demanda.”

Tecnologia como diferencial competitivo

Para dar conta do volume crescente de operações, a Opea investiu no desenvolvimento de uma esteira digital para aquisição de créditos integrada por APIs. A solução automatiza desde a recepção até o registro dos direitos creditórios, passando por seleção, análise dos critérios de elegibilidade, precificação e aquisição. A capacidade da plataforma é de processar e avaliar mais de 20 mil créditos em menos de cinco minutos.

Emerson Lopes, head da gestora Opea, explica a proposta por trás da solução tecnológica:

“A proposta é oferecer um conjunto de soluções integradas para todo o ciclo de concessão de crédito dos nossos clientes.”

Além da plataforma digital, Lopes destaca que a empresa conta com um servicer próprio, responsável pela cobrança e monitoramento dos direitos creditórios, envio de boletos e conciliação de pagamentos. Essa estrutura administra R$ 3 bilhões em créditos por ano, correspondentes a mais de 30 mil títulos.

Securitização a serviço de toda a cadeia agro

No segmento de securitização, a Opea também mantém posição de liderança. Frascino ressalta que as ferramentas disponíveis atendem diferentes elos da cadeia produtiva, com destaque para indústrias de insumos, silos, máquinas e equipamentos agrícolas, além de distribuidores, concessionárias e cooperativas.

Sobre as estruturas mais utilizadas, o executivo detalha:

“Destacam-se especialmente as indústrias de insumos, silos, máquinas e equipamentos agrícolas, além de distribuidores, concessionárias e cooperativas como um meio de financiar a venda de insumos com prazo safra, aumentando o crédito para os clientes.”

Nas estruturas de FIAGROs, FIDCs e CRAs pulverizados, é possível utilizar como lastros CPR-F em reais ou em dólar, CPR Barter, notas fiscais, duplicatas, notas promissórias, entre outros instrumentos. A diversidade de ativos elegíveis amplia o leque de empresas que podem acessar o mercado de capitais via crédito estruturado.

Perspectivas para 2026: crescimento sustentado e novas estruturas

Para o ano em curso, a Opea projeta ao menos repetir o desempenho de 2025. A leitura da empresa é que o ambiente regulatório mais maduro, combinado à sofisticação das plataformas de gestão, favorece a entrada de novos players — especialmente cooperativas, revendas e indústrias de insumos que ainda não acessaram o mercado de capitais.

Ao explicar como pretende capturar esse potencial, Frascino sintetiza a estratégia que embasa a confiança da empresa na continuidade do crescimento:

“Com nossa expertise no agronegócio, tecnologia, espelhamento de 99% dos fundos e servicer de cobrança conseguimos montar estruturas funcionais para ambas as pontas do mercado.”

A trajetória da Opea ilustra um movimento mais amplo do mercado financeiro brasileiro em direção ao agronegócio. À medida que o crédito público perde participação relativa no financiamento do setor, gestoras especializadas com tecnologia, expertise setorial e estruturas pulverizadas tendem a ocupar um papel cada vez mais central no financiamento da maior locomotiva da economia nacional.


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