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Estratégia de redução de porções tem maior impacto e eficácia contra sobrepeso e obesidade do que advertência no rótulo frontal

Por Luis Madi 

A obesidade é um problema mundial de excesso de gordura corporal que pode causar prejuízos à saúde, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Dr. Drauzio Varella diz que é uma doença multifatorial, com causas que ultrapassam alimentação e estilo de vida, envolve também fatores genéticos e ambientais.

De acordo com o estudo da McKinsey, intitulado Overcoming Obesity: An Initial Economic Analysis, mais de 2,5 bilhões de pessoas estavam com sobrepeso ou obesidade e é responsável por cerca de 5% das mortes no mundo em 2014. Ainda destaca que se não mudarmos o rumo atual, aproximadamente metade da população mundial terá sobrepeso ou obesidade até 2030.

Segundo o artigo, para reduzir a obesidade é essencial tomar algumas medidas críticas na educação e na responsabilidade pessoal. Além de ações para mudar o comportamento, como a redução das porções servidas – tanto na alimentação fora do lar quanto em produtos industrializados – a revisão das práticas de marketing e da reestruturação de ambientes urbanos para promover a atividade física da população.

Dois trabalhos liderados por Hank Cardello, apontam conclusões parecidas ao da McKinsey. O The Power of Portions, de 2024, mostra que  diversas empresas ligadas à indústria de alimentos e bebidas estabeleceram que uma das melhores formas de reduzir o valor calórico dos produtos é justamente diminuindo o tamanho das porções. No estudo ele classifica cinco tipos de consumidores: Well Beings, Fence Sitters, Food Actives, Magic Bullets e Eat, Drink & Be Merrys. Esses termos podem ser traduzidos, respectivamente, como: “bem-estar”, “em cima do muro”, “ativos alimentares”, “balas mágicas” e “coma, beba e divirta-se”.

Vale destacar os Well Beings e os Fence Sitters, que tem foco inicial nos benefícios para saúde/manejamento de peso e, principalmente, para crianças. A diferença entre eles é que o primeiro reforça o bem-estar e o segundo é um perfil mais sofisticado ou exigente de consumidor.

Também ressalta que o uso de porções menores traz vantagens para entrega de produtos com o mesmo sabor e conveniência, mas com preços menores, além de reduzir o desperdício e impacto ambiental. Ainda, propõem ações como:

1.    Implementar estratégias segmentadas para incentivar o consumo de porções balanceadas.

2.    Estabelecer compromissos de empresas de alimentos e restaurantes para oferecer porções menores.

3.    Proliferar o uso de dicas visuais como símbolos, cores ou apresentações visuais que orientem escolhas mais saudáveis.

4.    Utilizar rotulagem para promover mudanças comportamentais no consumo.

O segundo trabalho de Cardello, Can Front-of-Pack Product Labeling Fix the Obesity Crisis?, de abril deste ano, tem como foco principal o uso da rotulagem frontal como ferramenta para combater a crise de obesidade, como ele concluiu no outro estudo citado. Foi feito uma análise sobre diferentes modelos de rotulagem propostos por diferentes países – inclusive o sugerido pela FDA (Agência de Alimentos e Medicamentos dos EUA) – e demonstra que os efeitos dessas medidas na redução da obesidade são, até agora, muito limitados.

Conteúdo do artigo
Porcentagem de adultos com sobrepeso e obesidade no Chile (crédito: Can Front-of-Pack Product Labeling Fix the Obesity Crisis?)

O caso mais emblemático na América Latina é o do Chile, que em 2016 foi pioneiro ao estabelecer uma rotulagem frontal com advertências. No entanto, gráficos da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/PAHO) indicam que a medida teve pouca ou nenhuma interferência significativa na redução da obesidade desde a adesão até 2022.

Ainda, o estudo afirma que a gestão das porções oferecidas tem um maior potencial de eficácia na redução da obesidade do que a rotulagem frontal.

Por fim, como resultado desse trabalho é citado o relatório da FMI (The Food Insdustry Association) e NielsenIQ, que mostra que uma das maiores exigências do consumidor para as indústrias de alimentos e bebidas é transparência. Conclusão também ressaltada no artigo de 2017 da Food Technology Magazine, Total Transparency: Inviting Consumers Inside.

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