Pragas agrícolas

A Embrapa realizou um estudo inovador para mapear regiões brasileiras suscetíveis ao desenvolvimento de novas pragas agrícolas, como Anastrepha curvicauda, Bactrocera dorsalis e Lobesia botrana.

Embora ainda não estejam presentes no Brasil, essas pragas já causam prejuízos em outros países e podem se tornar uma ameaça significativa para a agricultura nacional, caso cheguem ao país.

O objetivo do mapeamento é se antecipar ao problema, identificando locais e épocas do ano em que essas pragas agrícolas poderiam encontrar condições ideais para se desenvolver, com base em fatores climáticos e a presença de cultivos hospedeiros.

Quais são os riscos das pragas agrícolas no Brasil?

A Anastrepha curvicauda, conhecida como mosca-das-frutas-do-mamão, é uma das principais pragas do mamoeiro no exterior e preocupa especialmente porque o Brasil é um dos maiores produtores mundiais de mamão.

Além disso, essa praga também ataca mangas, outro produto de destaque para a exportação brasileira. A Embrapa identificou que 721 municípios em todas as regiões do Brasil são favoráveis ao desenvolvimento dela, incluindo áreas próximas a países sul-americanos onde o inseto já está presente.

Já a Bactrocera dorsalis, ou mosca-das-frutas-oriental, apresenta maior risco de proliferação entre julho e outubro, podendo afetar culturas como abacate, banana, cacau, café, caju, citros e tomate. Regiões produtoras do Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste estão entre as áreas com maior risco de infestação durante esses meses, o que poderia prejudicar tanto o mercado interno quanto o comércio internacional.

Por fim, a Lobesia botrana, conhecida como traça europeia dos cachos da videira, representa uma ameaça para videiras e outras culturas frutíferas, como ameixa, kiwi e maçã. Os estudos apontam que a praga poderia encontrar condições favoráveis ao longo de todo o ano em regiões do Centro-Oeste e Sudeste, com variações sazonais no Sul e Nordeste.

Quais são as estratégias para controle de pragas agrícolas?

Para se preparar para possíveis infestações, a Embrapa avaliou métodos de controle que já são utilizados no exterior. A pesquisa mapeou 41 princípios ativos para combater a Lobesia botrana, 8 para a Anastrepha curvicauda e 23 para a Bactrocera dorsalis, considerando as características físico-químicas e o impacto ambiental de cada um.

A identificação desses inseticidas e bioagentes é fundamental para o desenvolvimento de um plano de ação rápido e eficaz, caso essas pragas sejam detectadas no Brasil.

Além dos agrotóxicos, a Embrapa identificou inimigos naturais dessas pragas, que podem ser utilizados como agentes de controle biológico. Essa abordagem permite a aplicação de um Manejo Integrado de Pragas (MIP), priorizando métodos sustentáveis e minimizando o uso de produtos químicos, reduzindo assim os impactos ambientais.

Importância da cooperação e sustentabilidade

Os resultados do mapeamento e as informações sobre potenciais métodos de controle foram compilados em relatórios encaminhados à Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Esse trabalho visa apoiar políticas públicas e regulamentações fitossanitárias para proteger a agricultura brasileira contra o ingresso dessas pragas agrícolas.

A cooperação entre diferentes unidades da Embrapa e fiscais federais do Mapa é essencial para a elaboração de estratégias de controle que garantam a sustentabilidade e a segurança alimentar no Brasil.

A antecipação ao problema com medidas proativas, como a rastreabilidade das condições favoráveis e a identificação de métodos de controle, são passos importantes para proteger o setor agrícola e garantir a estabilidade da produção e do comércio de alimentos no país.

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