lavouras orgânicas Embrapa

Pesquisa da Embrapa comprova que rotação de culturas, cobertura do solo e semeadura direta eliminam necessidade de herbicidas e reduzem capinas em sistemas agroecológicos

A agricultura orgânica brasileira ganha força com descobertas científicas que comprovam a eficácia de técnicas sustentáveis no controle de plantas espontâneas. Um estudo conduzido pela Embrapa Arroz e Feijão, em Santo Antônio de Goiás, demonstrou que é possível reduzir significativamente o uso de capina e eliminar completamente a necessidade de herbicidas em lavouras de grãos através de práticas simples como rotação de culturas, cobertura do solo e semeadura direta.

A pesquisa, realizada ao longo de quatro anos no Cerrado goiano, avaliou diferentes formas de manejo em uma área de transição do sistema convencional para o orgânico. Os resultados revelaram que “plantas de cobertura manejadas em sistema de semeadura direta reduziram a competitividade de espécies de plantas espontâneas”, segundo o pesquisador Agostinho Didonet, coordenador do trabalho.

Mudança de paradigma: da eliminação à convivência

O estudo representa uma mudança fundamental na abordagem do manejo agrícola. Enquanto a agricultura convencional trata as plantas invasoras como “daninhas” a serem eliminadas, o manejo agroecológico pressupõe que “plantas espontâneas ou o ‘mato’ são partes indissociáveis do ambiente de produção” e devem ser integradas ao sistema produtivo em busca de equilíbrio.

Essa filosofia alinha-se com tendências globais de sustentabilidade na agricultura. Como destacado em matéria anterior do Food Forum News sobre agricultura sustentável e tecnologia, a tecnologia para agricultura sustentável transforma a cadeia produtiva nacional e impulsiona a produtividade no país.

Metodologia e resultados surpreendentes

O experimento combinou plantas de cobertura do solo em diferentes sistemas de preparo, utilizando culturas como crotalária, guandu, mucuna-preta e sorgo vassoura durante a entressafra. O manejo foi testado com milho e feijão no período chuvoso, sendo comparado com áreas de pousio tradicional.

Os resultados mais expressivos foram obtidos no controle da tiririca, uma das principais pragas em agroecossistemas tropicais.

“Em sistema de semeadura direta, a população de tiririca foi reduzida em cerca de três vezes comparativamente ao sistema de preparo convencional do solo”, revelou Didonet.

O sorgo vassoura, milheto e crotalária destacaram-se como as coberturas mais eficazes, apresentando menor incidência de tiririca devido à maior capacidade de cobertura do solo e produção de biomassa.

Impactos na sustentabilidade e produtividade

Para a trapoeraba, outra planta espontânea comum no Cerrado, “a utilização da crotalária, guandu e mucuna permitiu quase dobrar o controle da trapoeraba, quando comparada ao pousio e ao sorgo vassoura”. Esses resultados demonstram que a diversificação de plantas de cobertura é fundamental para o sucesso do sistema.

A pesquisa identificou 25 espécies de plantas espontâneas na área experimental, focando nas cinco mais relevantes para o cultivo de feijão e milho: tiririca, trapoeraba, corda de viola, picão-preto e leiteiro. A diversidade controlada permitiu alcançar o equilíbrio desejado no sistema agroecológico.

Benefícios econômicos e ambientais

O estudo comprovou que “a rotação de culturas na safra ‘das águas’, o cultivo de diferentes plantas de cobertura do solo na entressafra, a semeadura direta e a diversidade de plantas espontâneas presentes no pousio, permitiram alcançar certo equilíbrio sem predomínio de nenhuma delas”.

Esta abordagem integrada oferece múltiplos benefícios:

  • Eliminação do uso de herbicidas químicos
  • Redução significativa da necessidade de capinas
  • Manutenção da biodiversidade local
  • Preservação dos recursos naturais
  • Diminuição dos custos de produção

Perspectivas futuras

Os resultados da Embrapa fortalecem o cenário da agricultura orgânica brasileira, que vem ganhando espaço tanto no mercado interno quanto nas exportações. A técnica desenvolvida facilita a transição de produtores convencionais para sistemas orgânicos, oferecendo soluções práticas e cientificamente comprovadas.

O trabalho da Embrapa demonstra que é possível conciliar produtividade e sustentabilidade, seguindo princípios agroecológicos que preservam o meio ambiente sem comprometer a capacidade produtiva. As técnicas simples e de baixo custo tornam essa abordagem acessível a produtores de diferentes portes, democratizando o acesso à agricultura sustentável.


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