Companhia anuncia aporte de R$ 600 milhões em complexo fabril em Santa Catarina, mesmo com futuro da megafusão de US$ 35,9 bi ainda indefinido na Europa
Em um movimento estratégico que demonstra sua forte aposta no mercado brasileiro, a Kellanova — empresa global de snacks e alimentos — anunciou um investimento de R$ 600 milhões até 2026 na modernização e expansão de seu maior complexo industrial na América Latina, localizado em São Lourenço do Oeste (SC). O anúncio ocorre em um momento crucial, enquanto a European Commission (Comissão Europeia) retoma sua investigação antitruste sobre a aquisição da Kellanova pela Mars, Incorporated, no valor de US$ 35,9 bilhões.
Expansão produtiva e logística no Brasil
O investimento de R$ 600 milhões será destinado à modernização de processos, tecnologia e infraestrutura das linhas de produção. Desse total, R$ 360 milhões serão aplicados ainda neste ciclo para ampliação da capacidade produtiva. Como parte desse crescimento, a empresa também inaugurou um novo Centro de Distribuição (CD) no local, com 7.000 m² de área construída e capacidade para armazenar 12.000 posições de drive-in e 3.000 porta-pallets.
O country manager da Kellanova no Brasil, Alberto Raich, destacou a importância estratégica do Brasil para a companhia.
“A conclusão de projetos relevantes, fruto destes investimentos, reforçam nosso posicionamento no país e refletem o papel estratégico do Brasil dentro da nossa agenda global. Este novo Centro de Distribuição é uma consequência natural do nosso crescimento produtivo. Ele fortalece nossa operação, garantindo escalabilidade e eficiência na distribuição em todo o território nacional”.
O obstáculo regulatório na Europa
Enquanto avança no Brasil, o futuro global da Kellanova com a Mars permanece em suspenso na Europa. A European Commission reiniciou em 16 de setembro o prazo da investigação em profundidade sobre a fusão, com nova data final para decisão definida para 19 de dezembro de 2025.
A principal preocupação do órgão antitruste é que a união das duas gigantes — que reuniria marcas icônicas de chocolates, snacks e cereais — possa conferir à Mars um poder de negociação excessivo frente aos varejistas, potencialmente elevando os preços para os consumidores europeus.
A Comissão havia paralisado a análise em julho, aguardando informações adicionais da Mars, que não foram entregues no prazo. O processo segue agora seu curso, em contraste com a aprovação sem obstáculos já concedida pelos reguladores nos Estados Unidos.
O que esperar pelos próximos meses?
Os dois movimentos revelam uma estratégia dual da Kellanova: consolidar e expandir operações em mercados-chave em crescimento, como o Brasil, enquanto aguarda o desfecho que definirá seu futuro corporativo na Europa.
A decisão final da Comissão Europeia determinará se a fusão poderá prosseguir sem condições ou se exigirá concessões substanciais para preservar a competição no mercado. Até lá, o destino de uma das maiores transações do setor alimentício global em 2025 segue em aberto.
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