Como a influenza aviária H5N1 impacta cadeias produtivas de alimentos no Brasil e mundo; MAPA declarou hoje que o país está livre do problema
A influenza aviária representa uma das principais ameaças à segurança alimentar global, afetando não apenas aves domésticas e selvagens, mas também mamíferos e, em casos raros, humanos. O surto atual da cepa H5N1 Altamente Patogênica (HPAI), iniciado no final de 2020, já causou mais de 3.400 surtos globalmente, provocando escassez de ovos, interrupções nas cadeias de suprimentos e perdas econômicas significativas.
A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) alerta que esta doença transfronteiriça e zoonótica exige resposta coordenada internacional para proteger tanto animais quanto humanos.
Características da influenza aviária H5N1 preocupam setor alimentício
A influenza aviária, causada por vírus influenza A, afeta primariamente aves selvagens e domésticas, mas o atual surto H5N1 demonstra capacidade de transmissão entre espécies. O vírus já foi identificado em bovinos leiteiros, raposas, focas, leões da montanha e até animais domésticos, levantando preocupações sobre sua dispersão e risco à saúde humana.
Impactos econômicos na produção avícola global
Este surto provoca alta mortalidade em aves de produção, impactando diretamente a segurança alimentar e cadeias globais de suprimento. A escassez de ovos representa apenas um exemplo das consequências econômicas, com quarentenas, restrições de movimento, vigilância intensificada e abate de plantéis infectados gerando disruções significativas nas indústrias avícolas.
Em bovinos, a influenza aviária pode reduzir a produção leiteira, com relatos raros mas existentes de infecções em trabalhadores de laticínios. Essas disruptions afetam preços de alimentos e disponibilidade de proteína animal em diversos países, demonstrando a interconexão entre saúde animal e segurança alimentar.
A FAO monitora ativamente os riscos da influenza aviária, fornecendo avaliações conjuntas e atualizações mensais situacionais com parceiros, garantindo que orientações baseadas em ciência estejam disponíveis para todos os países enfrentarem este risco evolutivo.
Mutações virais aumentam riscos de transmissão
Os vírus da influenza aviária são vírus RNA, caracterizados por mutação e evolução rápidas. Novas cepas emergem continuamente, aumentando chances de adaptação a mamíferos. Segundo a Organização Mundial de Saúde Animal, surtos de gripe aviária em mamíferos mais que dobraram no último ano comparado a 2023, elevando riscos de maior dispersão e transmissão humana.
Historicamente, algumas dessas cepas se espalharam para humanos com resultados mortais. A pandemia de Gripe Espanhola de 1918, por exemplo, originou-se de uma cepa H1N1 de origem aviária, infectando 500 milhões de pessoas globalmente. Esta precedência histórica reforça a importância do monitoramento contínuo e resposta coordenada.
A capacidade de mutação viral torna essencial o investimento em sistemas de detecção precoce e capacidades de resposta para evitar perdas maiores e impactos adicionais em economias, meios de subsistência e bem-estar populacional.
Dispersão global exige coordenação internacional
A presença da H5N1 foi reportada em África, Américas, Ásia e Europa, alcançando até a Antártida e impactando vida selvagem local. Desde que apareceu pela primeira vez na Ásia em 1996, diversos surtos de influenza aviária ocorreram mundialmente, com migração de aves selvagens facilitando grandemente sua dispersão transfronteiriça.
Monitoramento através de sistemas integrados
A FAO monitora, coleta e dissemina informações sobre influenza aviária através de seu sistema global de informações sobre doenças animais, EMPRES-i. Este sistema permite que governos e tomadores de decisão monitorem e analisem vírus HPAI ocorrendo mundialmente, fornecendo atualizações sobre vírus globais de influenza aviária com potencial zoonótico.
O sistema aumenta inteligência global sobre doenças e compila informações de e para países, facilitando resposta coordenada. Práticas inadequadas de produção avícola permanecem fator de risco crucial para introdução e dispersão dos vírus, demonstrando necessidade de melhorias nos sistemas produtivos.
A FAO também fornece treinamento para veterinários de campo e técnicos laboratoriais para identificação e diagnóstico rápidos da doença, essencial para contenção de surtos e prevenção de dispersão para fazendas vizinhas, outros animais e humanos através de fronteiras.
Abordagem One Health para prevenção
A saúde de animais, humanos, plantas e meio ambiente são interconectadas e interdependentes, exigindo abordagem integrada. A FAO colabora com a Organização Mundial de Saúde Animal, Organização Mundial da Saúde, Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e autoridades nacionais e regionais para prevenir, detectar e responder a surtos de doenças animais.
Combater o surto onde ocorre ajuda prevenir dispersão da doença para fazendas vizinhas, outros animais e humanos através de fronteiras, evitando reação em cadeia que leva a perdas econômicas, insegurança alimentar e altos preços subsequentes. À medida que o vírus continua se espalhando globalmente, torna-se crítico investir em capacidades de monitoramento, detecção precoce e resposta.
Brasil implementa estratégia eficaz de controle da influenza aviária
O Brasil voltou a ser um país livre da influenza aviária, após ter cumprido os protocolos internacionais que preveem, entre outras medidas, e o prazo de 28 dias sem novos registros em granjas comerciais.

O anúncio oficial de cumprimento do período de vazio sanitário foi dado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em comunicado enviado nesta quarta-feira (18) à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).
“Com a notificação, o país se autodeclara livre da influenza aviária de alta patogenicidade (IAAP)”, informou o ministério.
O único caso confirmado em estabelecimento comercial ocorreu em uma granja no município gaúcho de Montenegro, no dia 16 de maio. A confirmação da doença foi feita no dia 22 de maio, após a conclusão da desinfecção da granja contaminada. Conforme previsto em protocolo, foi iniciado, ali, o período de vazio sanitário.
De acordo com o ministério, com o encerramento desse prazo sem novas ocorrências, “o Brasil concluiu todas as ações sanitárias exigidas, recuperando novamente o status de livre da doença”.
O Brasil demonstra competência no combate à influenza aviária através de medidas rigorosas de controle e erradicação. O país celebrou recentemente a erradicação de um foco específico de gripe aviária H5N1, notificando a OMSA (Organização Mundial de Saúde Animal) sobre o sucesso da operação. O vazio sanitário de 28 dias garantiu o retorno do status de livre da doença naquela região específica.
O Brasil se preparou durante anos para a chegada da gripe aviária, desenvolvendo estratégias preventivas e protocolos de resposta rápida. O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) mantém o Plano Nacional de Contingência, que inclui medidas de rastreamento, contenção e erradicação da doença. Todas as medidas previstas no plano já estão sendo aplicadas para garantir a segurança sanitária do rebanho.
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e o CNPq já destinaram R$ 12 milhões para pesquisas com foco no combate da doença, demonstrando investimento científico robusto na prevenção e controle. A experiência brasileira serve como modelo de resposta coordenada e eficiente para outros países enfrentando surtos similares.
Como destacado pela FAO:
“A saúde dos animais é crítica – seu bem-estar afeta diretamente o nosso.”
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