Indigo AG Agricultura regenerativa

Multinacional inicia remuneração a produtores brasileiros por práticas sustentáveis, consolidando conexão entre descarbonização corporativa e rentabilidade no campo

A Indigo Ag, empresa global de soluções para agricultura sustentável, iniciou o pagamento do primeiro ciclo do programa Source no Brasil, lançado no início de 2025. A iniciativa conecta a indústria de alimentos e bebidas a produtores rurais, viabilizando remuneração por práticas de maior sustentabilidade ao longo da cadeia produtiva.

O programa nasceu com quase 16 mil hectares inscritos, equivalentes a 28 mil campos de futebol, com perspectiva de grande expansão para as próximas safras. Nesse primeiro ciclo, os contratos firmados pela Indigo com a indústria e produtores parceiros nas safras 2024/25 e 2025/26 totalizam cerca de R$ 10 milhões, com pagamentos iniciados ainda em 2025.

Práticas regenerativas com retorno financeiro

O modelo de remuneração do Source funciona de forma escalável, segmentando os produtores participantes conforme as práticas adotadas. Entre as ações reconhecidas estão o plantio direto, a rotação de culturas, o uso de bioinsumos no manejo, plantas de cobertura e a gestão inteligente do solo. Quanto mais avançada for a prática adotada, maior a remuneração ao produtor.

Reinaldo Bonnecarrere, VP Comercial Latam da Indigo, explica o diferencial do programa.

“Nosso programa de sustentabilidade funciona de forma escalável, segmentando os produtores participantes conforme as práticas adotadas. A categorização pondera desde a adoção de práticas mais básicas até as mais avançadas dentro da cadeia. Sendo assim, quão mais avançada for a prática adotada, maior a remuneração. Essas ações preservam o ambiente, aumentam a produtividade e reduzem custos a longo prazo, além do ganho em rentabilidade direta ao produtor, reforçando o potencial econômico da agricultura regenerativa.”

Guilherme Raucci, responsável pelo programa na América Latina, destaca a transformação no relacionamento entre sustentabilidade e rentabilidade promovida pela iniciativa.

“O que estamos construindo é uma ponte entre o produtor rural e o mercado corporativo global, onde as ações no campo se traduzem em remuneração direta e comprovada, conectando práticas regenerativas às metas de descarbonização de grandes empresas de alimentos e bebidas. A concretização dessa primeira fase do programa de sustentabilidade da Indigo Ag representa um passo fundamental para o futuro da agricultura e um marco para o Brasil.”

Grupo Teles demonstra viabilidade do modelo

O Grupo Teles, parceiro da Indigo no programa, é uma empresa agrícola de segunda geração que atua nos estados de Goiás, Mato Grosso e Pará. A organização cultiva 48 mil hectares de soja e um total de aproximadamente 90 mil hectares por ano, incluindo rotações de segunda safra com milho, gergelim, sorgo e culturas de cobertura.

Lucas Teles, produtor e gestor do Grupo, evidencia os benefícios financeiros e a segurança técnica de fazer parte do projeto.

“A Indigo cumpriu o que prometeu. Pela primeira vez, recebemos pela adoção de práticas sustentáveis, e isso mostra que existe um reconhecimento real do trabalho do produtor. É um trabalho verdadeiro, que mostra para o mercado que quem faz manejo responsável merece ser valorizado.”

A adoção de práticas como rotação de culturas, plantio direto, ampla utilização de biológicos, preservação de áreas nativas e manutenção de curvas de nível reflete o compromisso do Grupo Teles em produzir com responsabilidade e preparar a terra para as próximas gerações.

Lucas Teles reforça a importância da sustentabilidade no contexto atual do agronegócio.

“A gente tem que fazer a nossa parte. Sustentabilidade não é mais um diferencial, é uma necessidade, tanto para cuidar da terra quanto para garantir que o produtor tenha acesso a crédito, competitividade e reconhecimento.”

Expertise global e mercado de carbono

Com expertise global e resultados comprovados, a Indigo Ag acumula trajetória robusta no setor. Nos Estados Unidos, a empresa já completou quatro safras de carbono, sendo reconhecida como uma das principais operadoras internacionais em soluções de sustentabilidade agrícola.

No mercado norte-americano, produtores foram remunerados pela remoção de mais de 1 milhão de toneladas de CO₂ da atmosfera, armazenadas nos solos agrícolas sob metodologia científica certificada. No início de 2026, a empresa divulgou um dos maiores acordos de carbono da história, com a aquisição de 2,85 milhões de créditos pela Microsoft, gerados pelo programa Indigo Carbon e que serão dissolvidos nos próximos 12 anos.

O programa desenvolvido nos Estados Unidos destaca o papel da agricultura regenerativa como prática essencial para remoções de carbono de alta integridade. O projeto é visto como um dos primeiros no segmento de carbono do solo a incluir créditos aprovados segundo os Core Carbon Principles do Integrity Council for the Voluntary Carbon Market (ICVCM), utilizando o Soil Enrichment Protocol (SEP) do Climate Action Reserve.

Guilherme Raucci reforça os planos de expansão da empresa na região.

“Seguimos com a proposta de conectar o produtor rural, a indústria e parceiros a um novo mercado em formação, com forte demanda global por práticas agrícolas mais sustentáveis. Estamos estruturando nossa operação na América Latina para trazer também o programa de créditos de carbono voltado à agricultura, que é uma das principais frentes de negócio nos Estados Unidos.”

Brasil como protagonista da transição de baixo carbono

Segundo Guilherme Raucci, o Brasil vive um momento estratégico para consolidar sua posição de liderança em sustentabilidade, especialmente com o avanço na regulamentação do mercado de carbono.

“A agricultura regenerativa é uma das ferramentas mais poderosas de que dispomos para combater as mudanças climáticas, e o produtor brasileiro já tem um histórico robusto de boas práticas. O que estamos fazendo é apoiar esse desenvolvimento. O Source é um programa que se encaixa no mais alto padrão científico, que cumpre os compromissos ambientais e de descarbonização nas operações e cadeias de suprimento.”

Com o pagamento do primeiro ciclo já efetuado e novos contratos em expansão, o Source consolida o Brasil como protagonista na transição para uma economia agrícola de baixo carbono. Para a Indigo, é o início de uma jornada em que o produtor deixa de ser apenas parte da cadeia produtiva para se tornar agente direto da transformação climática.


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