fundos de investimento fidc agro

Fundos de Investimento em Direitos Creditórios se consolidam como instrumento estratégico de crédito para o agronegócio e empresas

O mercado de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) alcançou a marca histórica de R$ 659,1 bilhões em patrimônio líquido ao fim de junho, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA). O volume posiciona o segmento como um dos principais nas carteiras das gestoras, superando inclusive o patrimônio líquido dos fundos de ações, com uma diferença superior a R$ 50 bilhões.

Este crescimento expressivo coloca os FIDCs com mais de R$ 300 bilhões de diferença em relação aos Fundos Imobiliários, demonstrando a consolidação da modalidade como um dos instrumentos mais relevantes de crédito no país. A expansão reflete uma mudança estrutural no mercado financeiro brasileiro, especialmente impulsionada pela demanda crescente por alternativas de financiamento no agronegócio.

Protagonismo na oferta de crédito nacional

Os dados, levantados pela Vertrau, empresa de tecnologia especializada em infraestrutura para o mercado de crédito estruturado, mostram que o cenário reflete a consolidação dos FIDCs como um dos principais instrumentos de financiamento no país. Os Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios (FIDCs), que vêm ganhando espaço no financiamento do agro, evidenciam sua importância crescente no setor.

“Estamos diante de um movimento estrutural. Os FIDCs têm se tornado protagonistas na oferta de crédito, conectando a economia real ao mercado de capitais com cada vez mais eficiência e governança”, afirma Israel Malheiros, sócio e COO da Vertrau. Esta conexão é particularmente relevante para o agronegócio, que historicamente enfrenta desafios de acesso a crédito adequado às suas especificidades.

A importância dos FIDCs para o setor agropecuário se alinha com as tendências de financiamento observadas no mercado. As plataformas digitais estão transformando a forma como o crédito é oferecido no campo, mitigando riscos e ampliando o acesso a recursos financeiros.

Dinamismo setorial e criação de novos fundos de investimento

O otimismo permanece para o segundo semestre de 2025, com a expectativa de manutenção da tendência observada nos primeiros meses do ano. Ainda de acordo com levantamento da Vertrau, com base em dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), foram criados 121 novos fundos de recebíveis em junho, incluindo FIDCs tradicionais, Fiagro-FIDC e FIC-FIDC, o que reforça o dinamismo do setor.

A criação acelerada de novos fundos indica não apenas a demanda reprimida por crédito, mas também a maturidade crescente do mercado em estruturar produtos financeiros mais sofisticados. Os Fiagro-FIDC, em particular, representam uma evolução importante para o financiamento do agronegócio, oferecendo vantagens tributárias que tornam esses investimentos ainda mais atrativos.

Concentração em recebíveis da economia real

“Analisando as carteiras dos fundos em operação, observa-se uma forte concentração em recebíveis financeiros (33%), comerciais (22%) e industriais (14%), que juntos somam mais de R$ 400 bilhões em ativos”, avalia Malheiros.

Essa distribuição reflete a diversificação dos setores que buscam alternativas de financiamento através dos FIDCs.

Os recebíveis do agronegócio, embora não especificados separadamente nesta classificação, estão incorporados principalmente nas categorias comerciais e industriais, considerando a natureza das operações do setor. Malheiros completa:

“Esses segmentos refletem a crescente demanda de empresas da economia real por estruturas de financiamento mais flexíveis e acessíveis, além da atratividade desses ativos para investidores institucionais.”

Perspectivas de crescimento e inovação tecnológica

“Além de representar uma alternativa eficiente de funding para empresas, os FIDCs oferecem um caminho sólido para investidores que buscam retorno com menor volatilidade e maior previsibilidade de fluxo. A tendência é de crescimento contínuo, com maior sofisticação nas estruturas e avanços tecnológicos que ampliam a segurança e a transparência das operações”, complementa Malheiros.

Esta evolução tecnológica é fundamental para o desenvolvimento do setor. A incorporação de soluções digitais, análise de dados e inteligência artificial na gestão de risco e na originação de crédito promete tornar os FIDCs ainda mais eficientes e acessíveis, especialmente para setores como o agronegócio que tradicionalmente enfrentam desafios na avaliação de risco.

O crescimento dos FIDCs também se beneficia do cenário macroeconômico brasileiro, onde empresas buscam alternativas ao crédito bancário tradicional, muitas vezes mais caro e com exigências que não se adequam às características operacionais de setores como o agropecuário. A modalidade oferece flexibilidade na estruturação e prazos que se alinham melhor com os ciclos produtivos da agricultura.


Leia mais

0 Comentários

Envie uma Resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*

©2026 FOOD FORUM

ENTRE EM CONTATO

Envie um e-mail e retornaremos muito em breve!

Enviando

Fazer login com suas credenciais

Esqueceu sua senha?