Estrutura liderada pelo Itaú BBA e gerida pela Opea consolida estratégia da companhia, com crescimento de 30% do fundo FIAGRO FDIC em 2025
A BASF Soluções para Agricultura concluiu mais uma captação de R$ 1,4 bilhão em sua quarta emissão de cotas de FIAGRO FIDC (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios), com o objetivo de viabilizar o acesso dos agricultores para o desenvolvimento das lavouras. A nova rodada de captação ocorreu por meio do FIAGRO FIDC Opea Agro Insumos, lançado em 2022 e gerido pela Opea, que também atua como agente de cobrança.
A operação contou com o Itaú BBA como coordenador líder e o escritório Pinheiro Neto como assessor jurídico na emissão. Ao longo de 2025, o fundo registrou crescimento de 30%, refletindo a consolidação da estratégia e a demanda por soluções financeiras voltadas ao agro.
Os recursos foram captados através da cessão de recebíveis de venda de insumos para os clientes da BASF, que incluem distribuidores, cooperativas e produtores rurais, em um contexto de crescente importância das alternativas de crédito para financiar o setor.
Estratégia de longo prazo e compromisso com o agricultor
Para Bianca Daminato, gerente de Operações Estruturadas da BASF Soluções para Agricultura, a evolução no uso da ferramenta e a demanda crescente por esse tipo de solução reforçam o compromisso da companhia e visão de longo prazo com a agricultura no Brasil:
“Estas iniciativas permitem ampliar a presença de tecnologias de ponta no campo, endereçando dores reais do agricultor em diferentes culturas e respeitando a ciclicidade de mercado e a demanda por capital — sempre alinhadas ao nível de risco considerado aceitável pela governança da empresa”.
Referência em operações de barter, a BASF tem aumentado a oferta de alternativas de financiamento.
“Mais do que produtos, entregamos soluções completas que incluem ferramentas financeiras customizadas, alinhadas aos desafios de mercado e às necessidades específicas de cada cliente”, explica Daminato.
Securitização como fonte de financiamento para o agronegócio
Renato Barros Frascino, Head de Agronegócio da Opea, diz que estruturas de securitização como FIAGRO FIDC e CRA têm sido utilizadas por empresas de insumos agrícolas como parte de uma estratégia para aumentar o potencial de venda de produtos para seus clientes, utilizando o mercado de crédito estruturado como fonte de financiamento.
Estruturas como essa que foi modelada para a BASF não representam endividamento adicional para a empresa, um grande benefício para o tomador dos recursos.
“Entramos na quarta emissão de quotas para este FIAGRO FIDC que vem apresentando um crescimento exponencial, continuando com a missão de proporcionar mais crédito para a aquisição de insumos pelos clientes da BASF, empresa com a qual temos uma sólida parceria há mais de 9 anos, desde as primeiras emissões de CRA no passado”, afirmou Renato.
A Opea conta atualmente com 20 fundos, com total de R$ 4.9 bilhões de reais sob gestão – sendo R$ 4,3 bi no agronegócio.
Panorama global de investimentos em AgriFoodTech
Segundo análise do DigitalFoodLab, o setor de AgriFoodTech está demonstrando resiliência melhor do que o esperado em 2025. Por trás dos números agregados, o ecossistema de inovação passou por uma transição e alcançou um novo equilíbrio, com menos apostas, menos ilusões e, espera-se, menos excessos. Cada vez mais, startups estão fechando acordos com grandes corporações porque demonstram tração real e tecnologias relevantes.
Olhando para 2026, espera-se mais do mesmo, com vencedores e perdedores claros na maioria das categorias. Haverá mais parcerias, mais produtos chegando ao mercado, mais provas de viabilidade, pilotos industriais e, em última análise, aquisições.
Para as corporações, esta fase cria tanto riscos quanto oportunidades. Primeiro, há menos startups para trabalhar, aumentando a necessidade de identificar e garantir as parcerias certas cedo. Por outro lado, o mercado está se tornando muito mais claro, facilitando a distinção entre empresas com chances reais de escalar daquelas que não terão.
O relatório aponta um declínio no financiamento novamente. Conforme demonstrado, o financiamento caiu novamente em 2025 para um nível quase igual ao de 2023. O pequeno ressurgimento observado em 2024 foi de fato devido a um punhado de megadeals no início do ano.
No contexto atual, essa análise deve ser interpretada com algum otimismo, com uma visão de “copo meio cheio”. É importante lembrar que há atualmente muitas razões para investidores NÃO apostar em FoodTech, incluindo falências recentes (em proteínas de insetos, agricultura vertical, proteínas alternativas e quick-commerce, só para citar alguns), um ambiente de baixa recompensa para investimentos arriscados e uma preferência por IA.
Além disso, o aumento no número de parcerias entre grandes corporações e startups, tanto para comercialização quanto para esforços de escala, reduz a necessidade de fundos destas últimas. Em suma, observar um financiamento estável de AgriFoodTech pelo terceiro ano consecutivo quase parece uma notícia positiva.
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