Dados do Instituto de Economia Agrícola apontam crescimento de 37% no volume exportado de amendoim descascado em 2025, enquanto o óleo quase triplica os embarques em direção à China
O Brasil registrou em 2025 o maior volume de exportação de amendoim descascado das últimas décadas. Mais de 311 mil toneladas do grão foram comercializadas para o mercado externo, resultado 37% acima das 227 mil toneladas embarcadas em 2024. Os dados são do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, e revelam um salto expressivo na competitividade da cadeia produtiva nacional de uma das oleaginosas mais versáteis da agricultura paulista.
Apesar do avanço em volume, a diferença em receita entre os dois anos foi de apenas 2%, alcançando cerca de US$ 367 milhões em 2025 contra US$ 360 milhões em 2024 — também o maior somatório em décadas. O cenário indica uma maior oferta de produto com pressão sobre os preços, resultado direto da expansão da safra 2024/25, que registrou crescimento superior a 50% na produção de amendoim em casca no país.
Rússia e China lideram destinos das exportações de grãos
A Rússia manteve em 2025 a liderança como principal destino do amendoim descascado brasileiro, com 22% de participação, posição que ocupa de forma ininterrupta desde 2016. Na sequência, a China avançou para 20% e a Argélia registrou 12% de participação. A diversificação de destinos reforça a resiliência comercial da cadeia e a capacidade do produto nacional de atender diferentes perfis de mercado, do Oriente Médio à Ásia.
A pesquisadora do IEA-APTA, Renata Martins Sampaio, explica o peso do amendoim descascado na pauta de exportação e destaca a consistência das relações comerciais estabelecidas pelo Brasil ao longo dos anos:
“Desde 2016 a Rússia é o principal destino dessa mercadoria. Os municípios paulistas, tradicionalmente, são os principais exportadores brasileiros de amendoim descascado e, em 2025, foram destaque: Tupã (21%); Dumont (14%); Borborema (14%); Herculândia (8%) e Jaboticabal (6%).”
Óleo de amendoim: crescimento explosivo puxado pelo consumo chinês
Se o desempenho dos grãos já foi notável, o segmento de óleo de amendoim em bruto apresentou números ainda mais expressivos. As exportações brasileiras praticamente triplicaram, saltando de 51 mil toneladas em 2024 para 154 mil toneladas em 2025. A China foi o destino de 88% de todo o óleo exportado, reflexo direto do aumento do consumo doméstico de óleos vegetais no país asiático, onde a demanda segue em expansão.
Para entender a magnitude do papel chinês no mercado global do amendoim, a pesquisadora Renata traz dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) que evidenciam tanto a importância produtiva quanto a dependência de importações da China:
“Segundo o USDA, nos últimos cinco anos o país asiático tem incrementado sua produção que, na safra 2024/2025, atingiu 19 milhões de toneladas. Apesar da produção doméstica, a China é um importante importador, especialmente de óleo de amendoim. Em 2025, o país importou 74% do óleo de amendoim comercializado internacionalmente.”
A China é o maior produtor e consumidor mundial de amendoim, responsável por mais de 35% da produção global. Ainda assim, sua demanda interna por óleo supera amplamente a capacidade de autossuficiência. Junto à Itália — outro destino histórico —, ela posiciona o Brasil entre os principais exportadores mundiais de óleo de amendoim, segundo destaca a pesquisadora.
São Paulo reafirma hegemonia na cadeia produtiva
Do lado da oferta, o Estado de São Paulo reafirma sua centralidade na produção e exportação de amendoim. O município de Tupã lidera o ranking de exportação de grãos, com 21% do total, seguido por Dumont e Borborema, cada um com 14%. No segmento de óleos, Catanduva mantém a liderança histórica, responsável por 21% dos embarques — uma posição que reflete décadas de investimento em capacidade industrial de processamento.
Contudo, um dado chama atenção para os desafios estruturais da cadeia: a área plantada na safra 2024/25 registrou redução de cerca de 30% em relação à safra anterior, pressionada pelo arrefecimento de preços que impactou diretamente a decisão do produtor. O aumento de volume exportado, portanto, decorreu da expansão da produtividade por hectare e não de uma ampliação da área cultivada.
Perspectivas para a safra 2025/2026: clima favorece recuperação
Para a safra 2025/2026, que já estava sendo colhida no interior paulista no momento da divulgação dos dados, as perspectivas são mais animadoras. A distribuição das chuvas tem sido mais equilibrada nas principais regiões produtoras, contribuindo para o desenvolvimento da cultura.
O presidente da Câmara Setorial do Amendoim de São Paulo, José Antonio Rossato, projeta melhora nos indicadores de qualidade e produtividade, o que pode atenuar o efeito da redução de área:
“Numa análise geral das principais regiões produtoras, as chuvas têm apresentado uma melhor distribuição e contribuído para um bom desenvolvimento da cultura. Espera-se uma recuperação da produtividade de grãos e uma melhor qualidade do amendoim nesta safra em relação às duas safras anteriores, o que deve atenuar o impacto acerca da redução da área cultivada.”
O cenário para 2026 aponta para um mercado que combina desafio de área plantada com potencial de ganho em qualidade e produtividade — equação que, se bem executada, pode manter o Brasil na posição de referência global que os números de 2025 ajudaram a consolidar. A cadeia do amendoim segue como um dos exemplos mais consistentes de como a agricultura paulista combina escala, especialização regional e inserção internacional.
No contexto mais amplo do agronegócio brasileiro, os resultados do amendoim dialogam diretamente com as principais tendências do setor apontadas por especialistas ao Food Forum News, que destacam a diversificação de commodities e a busca por mercados como vetores fundamentais de crescimento.
