Embrapa estudo sobre drones

Embrapa lança publicação sobre uso agrícola de drones, com foco em pesquisa e prática no campo, especialmente na atividade de pulverização

A agricultura brasileira está vivenciando uma transformação sem precedentes com a adoção massiva de drones agrícolas, que se consolidam como uma das principais inovações tecnológicas do agronegócio nacional. Segundo dados da Embrapa, a tecnologia, que permite pulverizar mais de 100 hectares por dia com um único equipamento, está redefinindo as práticas agrícolas e criando novas oportunidades de negócios no setor.

A expansão dos drones no agronegócio

Os drones agrícolas estão vivendo um momento de franca expansão no Brasil. De acordo com dados do Sistema de Aeronaves Não-Tripuladas (Sisant), houve um crescimento de 375% na presença de drones no agronegócio brasileiro em apenas dois anos. Atualmente, o sistema conta com 159.520 drones cadastrados, conforme dados de agosto de 2024.

“O uso dos drones na agricultura está cada vez mais presente, tanto em quantidade como em diversidade de aplicações” – Rafael Moreira Soares, pesquisador da Embrapa Soja

A Embrapa lançou recentemente o documento “Uso de drones agrícolas no Brasil: da pesquisa à prática”, que reúne as principais informações sobre a tecnologia, desde aspectos regulatórios até aplicações práticas em diversas culturas.

Tecnologia e aplicações

Os drones agrícolas se destacam por sua versatilidade e eficiência. Rafael Moreira Soares, pesquisador da Embrapa Soja, explica que os modelos mais comuns são os multirrotores e os de asa fixa, com motorização elétrica por baterias, classificados de acordo com peso e altura máxima de voo permitida.

“Eles possuem inúmeros tipos de hardware, software, câmeras e sensores, que permitem a execução de diversos processos, como mapeamento georreferenciado, monitoramento, produção de imagens e aplicação de produtos líquidos e sólidos de forma automatizada”, explica Rafael.

A tecnologia permite não apenas a pulverização, mas também a inspeção de rebanhos, monitoramento fitossanitário de lavouras e florestas, além da realização de adubação e semeadura.

Vantagens competitivas

Os drones agrícolas oferecem benefícios significativos em relação aos métodos tradicionais:

  • Segurança: Remoção do operador humano da área pulverizada, reduzindo riscos à saúde
  • Preservação do solo: Ausência de compactação e amassamento das culturas
  • Eficiência hídrica: Baixo consumo de água
  • Rastreabilidade: Registro de dados e mapeamento da aplicação
  • Independência: Operação independente das condições de tráfego do solo

Inovações tecnológicas

Uma das principais tendências é a adoção de bicos rotativos em substituição às tradicionais pontas hidráulicas. Segundo Soares, essa inovação consiste em uma ponta com disco giratório de alta velocidade que oferece maior controle sobre o tamanho das gotas, aumentando a uniformidade e eliminando gotas muito finas que causam deriva.

“A maioria dos bicos rotativos consegue operar desde gotas finas até ultra grossas” – Rafael Moreira Soares

Mercado e oportunidades de negócio

O mercado de drones agrícolas vem se profissionalizando rapidamente. Com o lançamento de modelos com tanques de 40 litros ou mais a partir de 2022, tornou-se possível pulverizar mais de 100 hectares por dia com um único drone, ampliando significativamente a atratividade econômica da tecnologia.

Custos e investimentos

Para prestadores de serviço, o investimento necessário para montar um negócio de drones para pulverização demanda planejamento cuidadoso. Segundo Eugênio Passos Schröder, empresário do setor, o investimento total equivale a cerca de três vezes o valor do equipamento de drone, incluindo acessórios, veículos, estrutura administrativa e capital de giro.

“É preciso fazer um planejamento detalhado das necessidades e uma análise financeira cuidadosa para determinar o investimento necessário” – Eugênio Passos Schröder, empresário do setor

Os custos de contratação variam entre R$ 100,00 a R$ 400,00 por hectare, dependendo de fatores como relevo, vegetação, complexidade da operação, tecnologia utilizada e distância do local de operação.

Regulamentação e conformidade

A operação de drones agrícolas no Brasil está sujeita a uma complexa regulamentação envolvendo diferentes órgãos. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) é responsável pela homologação dos equipamentos que transmitem radiofrequência, enquanto a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) regula as atividades da aviação civil.

O Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) gerencia as atividades relacionadas ao controle do espaço aéreo brasileiro, e o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) estabelece regras específicas para operação de aeronaves remotamente pilotadas destinadas à aplicação de agrotóxicos.

“É importante estar ciente de toda a legislação vigente e atender aos requisitos para que não haja problemas com órgãos de fiscalização” – Rafael Moreira Soares

Desafios e perspectivas

Apesar dos avanços, o setor ainda enfrenta desafios significativos. Segundo Soares, ainda faltam dados e pesquisas para determinar aspectos cruciais como taxa de aplicação de calda, velocidade e altura de trabalho, faixa de pulverização, deposição e uniformidade de gotas, deriva, mistura de produtos e controle do alvo biológico.

“É um trabalho incessante, pois, além da atualização das máquinas, aumenta cada vez mais a diversidade de culturas, de produtos e de alvos envolvidos” – Rafael Moreira Soares

Agricultura 5.0 e sustentabilidade

A integração dos drones na chamada Agricultura 5.0 representa um salto qualitativo para o agronegócio brasileiro. A tecnologia permite a captura de imagens precisas para mapeamento de culturas, monitoramento da saúde das plantas e aplicação localizada de insumos, contribuindo para práticas agrícolas mais sustentáveis.

O uso de drones também permite a detecção precoce de pragas e doenças, possibilitando intervenções rápidas e direcionadas que minimizam o uso de pesticidas e protegem o meio ambiente.

Futuro promissor para drones na agricultura

Os drones agrícolas representam uma revolução tecnológica que está transformando o agronegócio brasileiro. Com benefícios que vão desde a melhoria da eficiência operacional até a promoção de práticas mais sustentáveis, a tecnologia se consolida como uma ferramenta indispensável para o futuro da agricultura nacional.

O setor continuará evoluindo, com novas inovações tecnológicas e maior profissionalização do mercado, contribuindo para manter o Brasil como referência mundial em agronegócio sustentável e tecnologicamente avançado.

Confira o documento na íntegra: Uso de drones agrícolas no Brasil: da pesquisa à prática, Documento 474

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