Entenda as diferenças e o que observar quando comprar produtos industrializados a base de coco
A Copra, indústria alagoana especializada no beneficiamento do coco seco, lança na próxima segunda-feira, 9 de fevereiro, seu e-commerce próprio e passa a atuar de forma mais direta no segmento B2C. Com um portfólio de mais de 100 itens, a marca passa a disponibilizar quase toda a sua linha na nova plataforma on-line (www.loja.copra.com.br), com exceção dos óleos de coco armazenados em potes de vidro, que seguem sendo comercializados exclusivamente em lojas parceiras.
Pretendemos nos aproximar do consumidor final, oferecendo acesso direto à marca e aos nossos produtos, explica o fundador e CEO da Copra, Hélcio Oliveira.
A empresa, que tradicionalmente opera em parceria com uma rede de distribuidores para supermercados, indústrias, lojas de produtos naturais e estabelecimentos de panificação, passa agora a ampliar seus canais de contato com o consumidor final.
Estratégia omnichannel fortalece presença de mercado
Nosso modelo de distribuição, com parceiros relevantes há quase 30 anos, continua a ser nosso carro-chefe, mas a loja virtual vai nos posicionar no mercado B2C, ampliando a eficiência e a velocidade da nossa logística, sem nos desconectar das relações comerciais que nos trouxeram até aqui, complementa Oliveira.
O portfólio completo da Copra atende a diferentes perfis alimentares e restrições dietéticas. Todos os produtos da marca são veganos, certificados com o selo da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), além de não conterem glúten nem lactose. O mix inclui água de coco com e sem polpa, leite de coco tradicional e em pó, coco ralado, açúcar de coco, calda de açúcar de coco, calda de chocolate de coco, shoyu de coco e manteiga de coco em spray.
É um ponto de venda que atende aos diferentes tipos de clientes da Copra, que vão desde o uso gastronômico ao uso dermatológico, passando pelos donos de restaurantes que compram em larga escala, além de ser uma boa vitrine para o portfólio da marca, comenta Cristiano Silva, gerente de marketing da Copra.
Água de coco: mercado cresce e consumidor busca transparência
O consumo de água de coco segue em expansão no Brasil. Em 2025, a categoria cresceu 3,68% nos lares brasileiros, mantendo o ritmo elevado de 2024, que registrou 3,72%, segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras). A tendência acompanha o cenário global: de acordo com a Mordor Intelligence, o mercado mundial de água de coco atingiu US$ 3,76 bilhões em 2025 e deve chegar a US$ 4,97 bilhões até 2030, com crescimento anual de 5,74%, impulsionado pela busca por bebidas naturais e funcionais.
Com mais marcas nas prateleiras, aumenta também a atenção ao que está por trás do rótulo. Entender a origem e o processamento da água de coco vira ponto-chave para o consumidor que busca opções mais naturais e menos processadas.
A água de coco não é só uma bebida, é um alimento. Entender como ela é produzida ajuda o consumidor a fazer escolhas melhores, afirma Bianca Coimbra, fundadora e CEO da Lynv, marca brasileira de água de coco 100% integral.
Nem toda água de coco é igual: diferenças entre processos
A água de coco natural, consumida diretamente do fruto, preserva o frescor máximo, mas raramente chega ao varejo. Nos supermercados, predominam versões integrais padronizadas e reconstituídas, que passam por processos distintos e entregam experiências diferentes.
O produto padronizado passa por aquecimento e ajustes técnicos para garantir estabilidade e uniformidade de sabor, o que amplia a durabilidade, mas pode reduzir atributos naturais. Já a versão reconstituída percorre um caminho mais longo: é concentrada, armazenada e depois diluída novamente, processo que tende a impactar aroma, frescor e parte do valor nutricional.
Listas curtas de ingredientes costumam ser um bom indicativo de menor intervenção industrial. A água de coco integral deve trazer basicamente água de coco, podendo incluir antioxidantes naturais, como a vitamina C. Já a presença de açúcares adicionados, xaropes, corretores de sabor, aromatizantes ou outros aditivos sinaliza um produto mais processado e distante da composição natural da fruta.
Sabor idêntico em todos os lotes pode indicar reconstituição ou ajustes industriais. Por ser um alimento natural, a água de coco pode apresentar variações sutis ao longo do ano, influenciadas pela safra e pela origem do fruto. Marcas que controlam a cadeia produtiva e comunicam claramente seus métodos tendem a entregar uma experiência mais próxima do natural.
Marcas de água de coco 100% natural ganham mercado
A categoria de água de coco tem se destacado no mercado nacional, com crescimento tanto nas versões in natura quanto industrializadas. Entre as principais marcas que oferecem água de coco 100% natural, sem reconstituição e sem aditivos químicos, destacam-se Villa Piva, Natural Brasil, OQ, Campo Largo, Sococo, EdenCoco, Native e Lynv.
A Villa Piva, considerada uma das melhores águas de coco do país por especialistas, apresenta sabor leve e muito próximo da água de coco natural, sendo 100% integral com apenas água de coco na composição, sem conservantes ou antioxidantes. A Natural Brasil também se posiciona no segmento premium com produto 100% integral, sem conservantes ou aditivos.
A OQ oferece água de coco integral feita a partir de cocos verdes cultivados no Vale do Rio São Francisco, livre de açúcares e conservantes. A Campo Largo comercializa produto 100% integral em embalagens PET, sem conservantes, açúcares, corantes ou aromatizantes. Já a Sococo se destaca pela água de coco integral sem adição de água e sem açúcares, contendo apenas antioxidante INS 223.
A EdenCoco inovou com sistema de abertura similar ao de latas de alumínio, oferecendo produto 100% natural sem conservantes químicos. A Native traz ao mercado água de coco orgânica, produzida a partir de cocos verdes jovens, sem diluição, aromatizantes ou conservantes. Fundada em 2023, a Lynv nasceu com o propósito de desmistificar a qualidade da água de coco envasada, oferecendo uma bebida integral, feita apenas da água do coco, sem conservantes, sem adição de açúcar e apenas com adição de vitamina C.
O mercado de água de coco industrializada no Brasil produziu 157 milhões de litros em 2017, com consumo crescendo 6% ao ano, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e Bebidas Não Alcoólicas (ABIR). A categoria se beneficia da busca crescente por bebidas naturais e com benefícios funcionais para a saúde.
Mercado brasileiro de e-commerce registra crescimento consistente
A decisão de investir em um canal próprio de vendas ocorre em um momento de forte consolidação do comércio eletrônico no Brasil. De acordo com a Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-commerce (ABIACOM), em 2025, o e-commerce nacional faturou R$ 235,5 bilhões, crescimento de 15,3% em relação a 2024.
O Brasil lidera o setor na América Latina, segundo o Latin America B2C Ecommerce Databook Report 2025, elaborado pela consultoria internacional Research And Markets. De acordo com o estudo, o desempenho brasileiro está associado à ampla adoção do Pix, à força dos marketplaces e ao avanço das estratégias logísticas.
O ponto de inflexão do setor ocorreu durante a pandemia, quando o e-commerce brasileiro cresceu cerca de 40% em relação a 2019. Desde então, a expansão se manteve contínua. O faturamento de 2025 representa um avanço de 86% na comparação com 2020, quando o setor movimentou R$ 126,4 bilhões. Outro indicador em alta é o ticket médio, que chegou a R$ 536,00 no último ano.
Brasil consolida liderança em e-commerce na América Latina
Para a Research and Markets, o Brasil já se consolidou como referência regional em comércio eletrônico, reunindo um ecossistema digital mais maduro, com marketplaces integrados a soluções financeiras e logísticas, ampla adoção de pagamentos instantâneos e redes de entrega cada vez mais capilarizadas, inclusive fora dos grandes centros urbanos.
Esse ambiente favorável tende a sustentar o crescimento do setor nos próximos anos e a estimular a digitalização de marcas nacionais, que passam a enxergar o e-commerce não apenas como um canal de vendas, mas como uma plataforma estratégica de relacionamento direto com o consumidor. A principal dica para escolhas conscientes é simples: quanto menor a distância entre o coco e o copo, melhor. Em um mercado em crescimento, olhar além do rótulo virou parte essencial de uma escolha consciente.
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